2 Terra Cap Ibracon
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para moldagem do tijolo. 
A experiência indica que a trabalhabilidade adequada para a fabricação de adobes 
é atingida quando a umidade da terra está próxima do limite de liquidez, porém abaixo 
dele. 
 Para se obterem blocos de adobe de qualidade, quantidade de água é o fator 
mais importante. Mistura mais seca apresenta dificuldade de manuseio e pode não 
preencher completamente os moldes das fôrmas. Mistura muito úmida pode fazer o tijolo 
se deformar quando o molde é retirado. 
 Uma maneira prática de se determinar com certa aproximação a quantidade de 
água necessária pode ser vista na Figura 19. Vai-se adicionado água à terra e, à medida 
que ela vai se tornando manuseável, faz-se uma bola com cerca de 8 cm de diâmetro. 
Lançando-a de uma altura de aproximadamente 1,5 m, verifica-se o diâmetro e a altura 
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quando ela se choca com o chão: se a altura for inferior a um terço do diâmetro, significa 
que há muita água na terra; se ela for aproximadamente igual a um teço do diâmetro, a 
quantidade de água está próxima da ideal; se a altura for superior a um terço do diâmetro, 
a água é insuficiente para um bom adobe. 
 Na prática corrente, os ainda existentes fabricantes de adobe são capazes de 
utilizar a quantidade de água correta por intuição. 
 
 
 umidade alta umidade boa umidade baixa 
 altura 1/3 diâmetro 
Figura 19 - Maneira prática de se determinar a consistência ideal da terra 
para a fabricação de adobes. 
 
 A homogeneização da mistura terra-água pode ser uma operação que requer 
esforço. A terra e a água são medidas em volume nas quantidades que permitam às 
pessoas envolvidas procederem à mistura. Esta, às vezes, é feita com os pés, como se vê 
na Figura 20. Também se pode misturar a terra e a água em betoneiras, mas é muito 
melhor usarem-se misturadores de eixo vertical, preferencialmente aqueles com palhetas 
do tipo que se vêem na Figura 20 à direita. 
 
 
 
Figura 20 \u2013 Homogeneização da mistura terra-água. 
3.4 Fôrmas dos blocos de adobe 
Diversas variações nas formas e dimensões das fôrmas podem ser encontradas. 
Há fôrmas para apenas um tijolo, dois, três e mesmo cinco de uma ao mesmo tempo. 
Pode-se também fazer formas que permitam a fabricação de meio bloco (Figura 21). 
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Figura 21 \u2013 Fôrmas para a fabricação de adobes. 
 
 A espessura não deve ser grande, até 10 cm ou um pouco mais. Valores maiores 
podem conduzir a uma homogeneização deficiente na moldagem. A largura recomendada 
é da ordem de 20 cm na Europa, que tem clima severo, porém 15 cm já conduzem a uma 
boa parede no Brasil, que, além do clima muito menos variável, não apresenta o perigo 
dos sismos. Na Região sul, os 20 cm são mais adequados. O comprimento dos adobes 
pode ir até 40 cm. Blocos maiores levam a maior produtividade quando da construção dos 
muros. É preferível usar o comprimento igual a duas vezes a largura. Blocos de 15 cm x 
30 cm a 20 cm x 40 cm por 8 cm a 10 cm de espessura são práticos, embora, nesta 
última dimensão, os tijolos sejam bem pesados. Também podem ser feitos adobes 
quadrados, como mostra Figura 22 à direita. 
Pensando-se em modulação com base na dimensão de 10 cm, as formas podem 
ter o comprimento diminuído de 1 cm e se adotar para elas uma altura de 9 cm. 
 A moldagem do adobe tradicional é inteiramente manual (Figura 22). É preciso um 
pouco de habilidade do fabricante. A forma deve ser previamente molhada para facilitar 
desmoldagem. 
 Os tijolos devem ser postos a secar sobre superfície plana e com fina camada de 
areia que permita seu deslocamento devido à retração quando da secagem. 
 
Figura 22 \u2013 Moldagem dos blocos de adobe e adobes quadrados. 
 
3.5 Argamassas de assentamento 
 O Peru foi um dos primeiros países que oficializaram uma norma técnica sobre 
construção com adobes. Trata-se da E080 Norma técnica de Edificación Adobe 
(Reglamento Nacional de Construciones, 2000) na qual se classificam as argamassas 
para esse tipo de tijolo da forma: 
 -Tipo 1 consiste em argamassa a base de cimento e areia ou, preferencialmente, cimento 
cal e areia nas proporções volumétricas de 1:2:5 a 1:2:10, devendo a resistência à 
compressão, medida conforme indicado no item 3.6, ser de no mínimo 3 MPa. Essa 
argamassa é usada quando se têm adobes de resistência mais elevada (acima de 2 
MPa). -Tipo 2: argamassa com base na própria terra podendo-se usar ou não pequenas 
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quantidades de estabilizantes. Para controlar a fissuração pode-se utilizar palha ou fibras 
secas de até 5 cm de comprimento em proporção não menor que um volume de palha 
para três de terra. Recomenda-se deixar este tipo de argamassa preparada com dois dias 
de antecedência, coberta por lonas, panos molhados ou quaisquer outros dispositivos que 
impeçam a saída da umidade, para se ter uma melhor homogeneização. 
 
3.6 Controle de resistência dos adobes e da argamassa e efeito dos estabilizantes 
3.6.1 Controle de resistência dos adobes 
 Não existem ainda, no Brasil, normas que tratem dos adobes. Uma primeira 
tentativa foi feita por Barbosa, Ghavami e Gonçalves (2005). É questão de tempo que, no 
país, a exemplo do Peru, tenham-se normas técnicas referentes a esse material de 
constução. 
O principal parâmetro de controle da qualidade dos blocos de adobe é a resistência 
à compressão. Comparada com a de outros materiais de construção industrializados, 
normalmente ela não é alta, sendo da ordem de 0,6 Mpa a 2,0 MPa. No entanto, essas 
resistências relativamente baixas são compatíveis com construções bem projetadas. 
A resistência à compressão pode ser medida cortando-se ao meio o tijolo e unindo-
se as duas metades pela argamassa a ser utilizada na construção, como se vê na Figura 
23. Um capeamento com pasta de cimento deve ser aplicado nas duas superfícies que 
ficam em contato com os dispositivos da máquina de ensaio para regularizá-las. 
A resistência do tijolo é dada pela carga máxima, lida no equipamento, dividida pela 
área da seção transversal do meio bloco. 
 
Figura 23 Ensaio de compressão em bloco de adobe 
Em Barbosa, Ghavami e Gonçalves (2005), para fins de projeto, sugere-se que a 
resistência característica à compressão dos adobes seja obtida a partir do ensaio de uma 
série de seis adobes dada pela Equação 2: 
fak = fa1 + fa2 - fa3 Equação 3 
sendo fa1, fa2 e fa3, respectivamente, o menor, o segundo menor e o terceiro menor valor 
da série de seis tijolos ensaiados.. 
 O valor mínimo aceitável para a resistência característica é de 0,7 MPa. 
 
3.6.2 Controle de resistência das argamassas 
A Norma Peruana de adobes está servindo de base ou mesmo sendo diretamente 
traduzida para ser utilizada em muitos outros países latino-americanos. É adequado, pois, 
adotar-se no Brasil o mesmo método utilizado naquela norma para medir-se a resistência 
à compressão