NOTAS SOBRE DIREITOS INDIGENAS_REVISTO
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NOTAS SOBRE DIREITOS INDIGENAS_REVISTO


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DOLO CONFIGURADO. SENTENÇA ANULADA NO TOCANTE À DOSIMETRIA DA REPRIMENDA.
1. Havendo prova inequívoca de ser o índio completamente integrado na civilização, pode o Juiz prescindir do laudo antropológico para aferir a imputabilidade penal.
2. A deficiência da defesa somente levará à anulação do processo se houver prova do prejuízo para o réu. Não demonstrado nos autos qualquer prejuízo, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade.
3. A simples negativa de autoria não pode prevalecer ante o conjunto probatório em sentido contrário, que demonstra a consciente prática do ilícito.
4. Configurado o elemento volitivo caracterizador do dolo na conduta do agente, através do conjunto probatório dos autos, tem-se por demonstrado o crime de moeda falsa.
5. Sentença anulada na parte referente à dosimetria da pena, para que seja fixado o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade.\u201d 
(Origem: TRIBUNAL - QUARTA REGIÃO, Classe: ACR - APELAÇÃO CRIMINAL Processo: 200572010044892 UF: SC Órgão Julgador: SÉTIMA TURMA Relator(a) NÉFI CORDEIRO D.E. DATA: 04/07/2007).
\u201cPENAL. PROCESSO PENAL. COMPETÊNCIA. SENTENÇA DE PRONÚNCIA. EXAME ANTROPOLÓGICO. NECESSIDADE.
 - Compete à Justiça Federal processar e julgar homicídio cometido por índio contra índio, quando a motivação envolver questões indígenas. 
 - Constando dos autos elementos suficientes à aferição do nível de integração do índio à sociedade, é dispensável a realização do exame antropológico.
 - A prova da materialidade delitiva e a existência de indícios de autoria são suficientes para que o juiz pronuncie o réu (art. 408 do CPP).\u201d 
(Origem: TRIBUNAL - QUARTA REGIÃO
Classe: RSE - RECURSO EM SENTIDO ESTRITO
Processo: 200372020011084 UF: SC Órgão Julgador: OITAVA TURMA Relator (a) PAULO AFONSO BRUM VAZ DJU DATA: 27/09/2006 PÁGINA: 968).
\u201cPENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA ACERCA DA PAUTA DE JULGAMENTO. NULIDADE.
 - Compete à Fundação Nacional do Índio prestar assistência jurídica ao indígena, nos termos do art. 3º do Decreto nº 4645/2003.
 - A falta de intimação dos procuradores da FUNAI em processo criminal no qual indígena figure como parte eiva de nulidade o julgamento de recurso.\u201d 
(Origem: TRIBUNAL - QUARTA REGIÃO
Classe: EDRSE - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, Processo: 200372020011084 UF: SC Órgão Julgador: OITAVA TURMA Relator (a) PAULO AFONSO BRUM VAZ DJU DATA: 30/08/2006 PÁGINA: 792).
A rigor, o tema capacidade civil do índio não se aperfeiçoou com o advento do novo código, como de sorte toda matéria relativa ao indígena que permanece suscitando dúvidas e interpretações díspares, como díspares são os interesses materiais e morais que envolvem a chamada \u201cquestão indígena\u201d no Brasil. 
Em que pese os inegáveis avanços dos direitos indígenas na Carta Magna, tenho como ufanismo o entendimento recorrente segundo o qual a alusão aos direitos indígenas como originais importa, equivale a reconhecimento do direito de propriedade dos índios sobre as terras tradicionalmente por eles ocupadas. Avançou, porém nem tanto, de modo que ditas terras são bens públicos da União, aos quais se reconhecem a posse permanente e o usufruto exclusivo dos índios. 
Embora a competência de juízes federais para as disputas sobre direitos indígenas esteja prevista no art. 109, XI, da Constituição Federal, há setores da sociedade interessados em que os feitos sejam processados na esfera de competência estadual. Para tanto, aduzem que a regência constitucional \u201cdisputa sobre direitos indígenas\u201d não alcança as questões de natureza penal. Dessa forma, não raro, juízes estaduais atuam em julgamentos de ações penais nas quais os índios figuram num dos polos da relação processual. Dito caminho mostra-se temerário porquanto, ordinariamente, disputas territoriais resultam em ilícitos criminais, o que enseja o incidente de competência. Esse julgamento incidental, naturalmente, antecede as questões meritórias da controvérsia, assim, como se o \u201crabo puxasse o cachorro\u201d, o incidente posterga o objeto. Ora, sabe-se que recursos e artifícios jurídicos são utilizados por litigantes de má-fé como meios protelatórios. Sem uma reforma processual que elimine recursos desnecessários e ambiguidades, ficam o Ministério Público, os advogados das comunidades indígenas e os juízes numa camisa de força, atolados da própria ordem jurídica que defendem em nome do devido processo legal e da ampla defesa. Não apenas através dessa questão do desaforamento da competência federal, os direitos e interesses indígenas escoam frequentemente pelo ralo. O cobiçado território dos índios não está imune nem mesmo a articulações políticas sofisticadas como a da criação de novos municípios. Ora, competência legislativa sobre direitos indígenas, constitucionalmente é privativa do Congresso Nacional, incluindo a autorização para exploração dos recursos hídricos e minerais. Eis que diversos Estados membros da federação realizam plebiscito junto à população local e, através lei aprovada no âmbito das respectivas Assembleias Legislativas, desmembram áreas e criam novos Municípios. Tudo estaria de acordo com a Constituição se os \u201cnovos municípios\u201d não adentrassem em áreas tradicionalmente ocupadas pelos indígenas. Tal prática, menos comum do que se pode imaginar, tem motivado diversos conflitos. Se certa área passa a ser municipal, deixa, evidentemente, de pertencer à União. Não é difícil imaginar o que sucede a posse permanente e aos usufrutos perpétuos das populações indígenas sobre a referida terra. Ademais, desde 05 de outubro de 1993, findou o prazo quinquenal previsto no Ato de Das Disposições Constitucionais Transitórias da Cata de 1988, sem cumprir o prometido:
 Art. 67. A união concluirá a demarcação das terras indígenas no prazo de cinco anos a partir da promulgação da Constituição.
No entanto, cabe ressaltar o esforço de organização dos índios, o surgimento de lideranças nacionais, a articulação política, inclusive em âmbito internacional, a participação efetiva de entidades não governamentais e da Igreja na luta em defesa do meio ambiente e dos direitos indígenas. Ditos segmentos são os principais responsáveis pelos avanços legais no sentido de proteção do índio e seu habitat. 
Com efeito, existem diversa leis e normas reguladoras da questão indígena no Brasil. Deve-se começar destacando as disposições constitucionais. Nesse sentido, a competência legislativa sobre populações indígenas é da União nos termos do art. 22, XIV da CF. É competência exclusiva do Congresso Nacional autorizar a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais em terras indígenas, na dicção do art. 49, XVI da Carta. Dentre outros motivos, as terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas são bens da União, art. 20, XI. A defesa judicial dos direitos e interesses das populações indígenas é função institucional do Ministério Público, a teor do art. 129, V da Constituição. Mas os próprios grupos indígenas estão legitimados a promover as devidas defesas de direitos e interesses judicialmente, art. 232. A competência judicial para processar e julgar litígios sobre direitos indígenas é de juízes federais, diz o art. 109, XI. Relevantes disposições constitucionais sobre direitos indígenas se encontram no capítulo específico da matéria:
Título VIII DA ORDEM SOCIAL - Capítulo VIII DOS ÍNDIOS
Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários ao seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. 
§ 2º As terras