NOTAS SOBRE DIREITOS INDIGENAS_REVISTO
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NOTAS SOBRE DIREITOS INDIGENAS_REVISTO


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aplicabilidade possível.
 - Cabe ao poder público a tutela das comunidades indígenas, assegurando-lhes o direito à vida saudável.
 - Prequestionamento quanto à legislação invocada estabelecido pelas razões de decidir.
- Apelação improvida\u201d. 
(Origem: TRIBUNAL - QUARTA REGIÃO
Classe: AC - APELAÇÃO CIVEL Processo: 200372020046165 UF: SC Órgão Julgador: TERCEIRA TURMA, Relator (a) JOSÉ PAULO BALTAZAR JUNIOR, DJU DATA:05/04/2006 PÁGINA: 539).
\u201cAPELAÇÃO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LITISCONSORTE PASSIVO NECESSÁRIO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ASSISTÊNCIA À SAÚDE INDÍGENA. COMPETÊNCIA MATERIAL DA UNIÃO. PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS. ATIVIDADE COMPLEMENTAR E DE CARÁTER NÃO OBRIGATÓRIO. INOBSERVÂNCIA. DESRESPEITO AOS PRECEITOS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS CONFIGURADO. NECESSIDADE DE A UNIÃO RETOMAR A RESPONSABILIDADE REPASSADA AOS MUNICÍPIOS. SENTENÇA QUE SE MANTÉM POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO IMPROVIDO.
- A relação jurídica consubstanciada nos autos perfez-se na necessidade aventada pelo autor de a União e a FUNASA prestarem diretamente os serviços de saúde às comunidades indígenas indicadas, sendo esta a causa de pedir remota. Portanto, como se percebe, a antevista obrigação de fazer não recai sobre os municípios, logo, os entes federativos não participam da relação jurídica base, não havendo que se falar em litisconsórcio passivo necessário.
-Ademais, a apelante limitou-se a invocar a existência de litisconsorte passivo necessário, sem mencionar quais as partes legitimadas a compor a demanda, tampouco fundamentar a qualificação aduzida, eventos que, somados, afastam a necessidade de citação aventada, ainda mais quando verificada a não configuração, no caso dos autos, do modelo de litisconsórcio defendido.
-Segundo os ditames legais e constitucionais, à União cabe a atribuição de prestar assistência à saúde do índio, enquanto aos Estados, Municípios e organismos governamentais cabe tão-só atuar de forma complementar no custeio e execução de tais atividades, não sendo tal atuação, sequer, obrigatória.
-No caso dos autos, observava-se a situação inversa: a União vinha atuado de forma complementar, sendo os municípios os recebedores integrais das verbas e executores das prestações relativas à assistência à saúde indígena, evento que mereceu a correção ofertada pela sentença.
- Sentença que se mantém por seus próprios fundamentos.
- Apelação e remessa improvidas.\u201d
(Origem: TRIBUNAL - QUINTA REGIAO, Classe: AC - Apelação Cível - 375015
Processo: 200180000005822 UF: AL Órgão Julgador: Primeira Turma Relator (a) Desembargador Federal Cesar Carvalho DJ - Data: 27/04/2007 - Página: 891 - Nº: 81).
Diversos tipos penais de crimes contra a cultura e a pessoa do índio, assim, em terras indígenas, está proibido \u2013 aos não índios - caçar, pescar, coletar frutos e quaisquer atividades agrícolas, pecuárias e extrativas. Na questão do corte e comércio de madeiras em terras indígenas, além das normas específicas, deve-se observar a regência do Código Florestal, no que couber, quanto aos projetos de reflorestamento previstos na lei nº 4.771/65. Além disso, nos termos do art. 56 da lei n.º 6.001/73, é assegurado ao índio condenado à pena privativa de liberdade, o cumprimento em estabelecimento próprio de assistência ao índio, como se pode observar no julgado em epígrafe:
\u201cHABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. CRIME DE HOMICÍDIO QUALIFICADO. PACIENTE INDÍGENA. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL NÃO DEMONSTRADA ANTE A AUSÊNCIA DE SUBSTRATO FÁTICO QUE AMPARE A ALEGAÇÃO. PRISÃO PREVENTIVA SATISFATORIAMENTE FUNDAMENTADA NO REQUISITO DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL, POIS O ACUSADO SE ENCONTRA FORAGIDO DESDE A PRÁTICA DO DELITO. POSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO DA CUSTÓDIA CAUTELAR EM ÓRGÃO FEDERAL DE ASSISTÊNCIA AO ÍNDIO, EX VI DO DISPOSTO NO ART. 56, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 6.001/973.
1. A base empírica embasadora da denúncia não evidencia, de plano, a existência declarada de disputa sobre direitos ou terras indígenas como fonte motriz do crime ora apurado, razão pela qual não se pode, nesse momento, a competência da justiça estadual.
2. A fuga do réu do distrito da culpa é causa suficiente, por si só, para justificar a decretação da prisão preventiva como forma de garantia do cumprimento da lei penal.
3. A tese de nulidade da citação editalícia do réu não merece sequer ser conhecida, pois a presente alegação não foi suscitada pela defesa, na impetração originária. Assim, resta, na hipótese, impossibilitado o exame da referida tese pelo Superior Tribunal de Justiça, sob pena de se incorrer em vedada supressão de instância.
4. Sendo assegurado aos silvícolas o benefício de cumprimento de penas privativas de liberdade em órgão de assistência ao índio, tem-se como plenamente plausível a concessão de tal benefício ao paciente para que cumpra a prisão provisória no referido estabelecimento.
5. Habeas corpus parcialmente conhecido e, nessa parte, concedido tão somente para assegurar ao paciente, índio pataxó, que permaneça durante o período da prisão preventiva, recolhido junto ao órgão federal de assistência ao índio mais próximo de sua aldeia ou residência\u201d. 
(Origem: STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Classe: HC - HABEAS CORPUS \u2013 55792 Processo: 200600495208 UF: BA Órgão Julgador: QUINTA TURMA Relator (a) LAURITA VAZ DJ DATA: 21/08/2006 PÁGINA: 267).
Como se pode observar, a questão indígena afigura-se complexa em termos de ordem jurídica. A parafernália de normas, muitas sem aplicação efetiva, decerto não condiz com o proclamado Estado democrático de direito. Mas, na raiz dessa questão, como de sorte de todas as questões relacionadas com injustiças e violências, estão os interesses econômicos que definem as políticas. Decerto terá relevância meramente romântica o fato de \u201cno começo, não havia branco. Só havia índios. E o índio era parte da terra e a terra era parte do índio\u201d (SARMENTO, 2000: P.207), pois o sistema de trocas e acumulação de capital a tudo transforma em mercadoria, e esta só sobrevive enquanto conservar o seu valor intrínseco, isto é, se for capaz de gerar mais capital à acumulação privada. 
 
\ufffd Cf. Jornal do Commercio, Recife, 24/08/2008, domingo, in A Terra da Discórdia, p. 16.