DIREITOS DA PERSONALIDADE_REVISTO
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DIREITOS DA PERSONALIDADE_REVISTO


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I (das pessoas naturais), capítulo II (direitos da personalidade), regidos pelos artigos 11 a 21.
 O art. 11 da lei civil prevê algumas características dos direitos da personalidade: irrenunciável, intransmissível, ilimitado ou incondicional: \u201cCom exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação alguma\u201d.
 Pelo artigo da lei, voluntariamente, os direitos da personalidade não podem sofrer limitações. O dispositivo é coerente, pois somente as eventuais limitações aos direitos, por ação ou omissão voluntária, caracterizam o ato ilícito civil. Contudo, o legislador, no nosso entender, omitiu algumas das características de direitos da personalidade apontadas pela doutrina. 
 Direitos inerentes à própria pessoa, quais nome, integridade psicofísica, intimidade, vida, honra, imagem, vida privada, privacidade, com efeito, possuem características outras, referidas anteriormente nesse trabalho, não contempladas no Código Civil. Resumidamente, os direitos da personalidade são inatos, inerentes à pessoa, intransmissíveis, irrenunciáveis, inalienáveis, imprescritíveis, não se prestam à garantia, penhora ou execução, não se expropriam. Têm gozo e exercício absoluto, pleno, incondicional, ilimitado, salvo as exceções expressamente previstas em lei. 
 2.1. Tutela legal dos direitos da personalidade 
 A proteção do direito civil aos direitos da personalidade vai da prevenção visando a evitar o dano à indenização reparadora dos prejuízos causados. A indenização civil tem o escopo de obrigar o responsável pelo dono a reparar os prejuízos materiais e morais da vítima, sem prejuízo das demais sanções nos campos penal e administrativo, se for o caso. O art. 12 prescreve que \u201cPode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei\u201d. Pelo parágrafo único deste artigo, atribui-se a legitimação à ação de indenização de perdas e danos ao cônjuge sobrevivente e aos parentes, em se tratando de morto.
 De fato, a lei procura resguardar os direitos da personalidade amplamente, fazendo cessar a ameaça se os fatos lesivos à personalidade ainda não se consumaram, ou depois de consumada a lesão, garantindo-se à vítima o direito subjetivo de reclamar judicialmente a justa indenização pelos danos sofridos. 
 O ordenamento jurídico dispõe de instrumentos eficazes para exigir que cesse as ameaças. Liminares, tutelas antecipadas, medidas cautelares, conforme melhor solução do caso, atendidos os requisitos processuais respectivos, urgência, verossimilhança do direito, risco de dano irreparável ou difícil reparação e assim por diante. Tais medidas preventivas ou assecuratórias da tutela não prejudicam a ação ordinária de indenização em face das perdas e danos da vítima. Ora, já se disse anteriormente, a indenização civil tem por fim ressarcir prejuízos do titular de direito violado. Nos ilícitos de direitos da personalidade que dizem respeito à pessoa já falecida, a lei civil legitima o cônjuge sobrevivente, os parentes em linha reta e colaterais até o 4º grau. A expressão \u201csem prejuízo de outras sanções\u201d diz respeito aos reflexos do ato ilícito nos outros ramos do direito, cuja repercussão independe das sanções de natureza civil. Solve-se o dano civil mediante o pagamento do dano ou da indenização de perdas e danos. Mas a ilicitude criminal ou contravencional comportará as sanções criminais previstas no Código Penal, nas demais leis criminais ou na lei de contravenções penais. Em se tratando de ilicitude de agente público, tem-se o processo próprio e as respectivas sanções administrativas. 
 
Direito à vida e direito à integridade psicofísica	
 
 Tem-se a vida humana como o valor maior, o valor fundamental, não somente à própria pessoa como também à sociedade. Nesse sentido, a proteção da vida humana tem recebido especial atenção de todos os ordenamentos jurídicos, inclusive no Brasil. Com efeito, a Constituição Federal/1988 assegura a todos a inviolabilidade do direito à vida (art. 5º, caput). E, coerentemente com esse princípio, veda a pena de morte, salvo em caso de guerra declarada (art. 5º, inciso XLVII, letra \u201ca\u201d). 
 A lei prescreve ser a integridade física e psíquica da pessoa inviolável, não devendo sofrer limitações de qualquer espécie. Nem mesmo necessita ser efetivada, pois a simples ameaça configura-se como ilicitude.
 No tocante à integridade psicofísica, o código civil rege nos artigos 13, 14 e 15 as seguintes disposições. 
 Art. 13, verbis: \u201cSalvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes.
Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será admitido, para fins de transplante, na forma estabelecida em lei\u201d.
A disposição de partes do corpo de pessoa viva, no direito nacional, só tem o amparo da lei para finalidades terapêuticas e de transplante, expressamente, previstas. O doador, voluntariamente, manifestará, por escrito, a vontade de disponibilizar parte de seu corpo. Ademais, a lei exige necessidade do tratamento e que a retirada do órgão, tecido ou parte do corpo não importe risco de vida, não comprometa as funções vitais ou contrarie os bons costumes.
	Em matéria penal, define-se como lesão corporal a ofensa à integridade corporal ou à saúde. Qualquer dano à normalidade funcional do corpo humano, físico ou psíquico. Estabelece distinção entre a natureza das lesões \u2013 leves e graves \u2013 e as respectivas penas (CP, art.129). 
 De acordo com a redação original da lei 9434/97, antes das modificações introduzidas pela lei 10.211/2001, doutrina e jurisprudência agitavam-se em face do consentimento presumido à utilização de órgãos de \u201cdoador\u201d morto. Pela dicção originária do texto legal, não havendo declaração expressa de não doador (na Carteira Nacional de Habilitação, art. 4), presumia-se a autorização de doação de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano para finalidades de transplantes ou terapêuticas post mortem. O escopo da lei na doação presumida era aumentar o número de doadores fornecedores de órgãos e reduzir as filas de espera dos recebedores donatários. Nesse sentido, o poder público, a pretender defender o interesse social, decidia-se pela universalidade da doação. Assim, na sociedade brasileira, todos seriam doadores salvo expressa manifestação de vontade em contrário.
Em que pese o fim elevado do dispositivo legal, produziu-se um efeito contrário, e a regra da doação presumida, tornada alvo de fortes críticas, terminaria revogada em sede de Medida Provisória (MP), portanto fundado nos pressupostos de \u201curgência\u201d e \u201crelevância\u201d no ano seguinte, 1998. O governo recuava de sua decisão ousada sobre a matéria. Apontam-se diversos fatores, quais sejam: falha na comunicação, resistências de ordem culturais, desconfianças da população (receava-se, em geral, que órgãos de pessoas indigentes fossem retirados antes da morte encefálica para favorecer pessoas ricas), como os \u201ccarrascos\u201d da doação de órgãos presumida. Importa saber que o governo foi obrigado a retroceder e desfazer em caráter de urgência a norma editada por ele um ano antes, tamanha a impopularidade e oposição recebida. Pela MP revogadora da doação presumida, a doação de órgãos do morto passava a depender de autorização dos familiares. Assim, pela nova regência, aos membros da família do morto transferia-se a responsabilidade da doação dos órgãos do falecido. A nova dicção apaziguaria os ânimos, inclusive de ilustres juristas que viam a regência anterior como draconiana, inconstitucional, coisas que tais, porém, a nova e pacificadora redação, de fato, retirou da sociedade (ou do poder público, pelo menos) o processo decisório da questão. Esse é o teor