Direito sobre Nome da pessoa
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Direito sobre Nome da pessoa


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Mas veda qualquer publicação ou divulgação do nome da pessoa que importe desprezo ou enxovalho. Nesses casos, os responsáveis pela divulgação podem responder, civilmente, pelos danos materiais e morais, independente de culpa. Não se confunda com a responsabilidade criminal que independe da civil. A natureza jurídica da responsabilidade civil é objetiva, diz respeito à honra objetiva elementar do nome. Na dicção do art. 17 do Código Civil:
 \u201cO nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória\u201d. 
O nome da pessoa pode ser utilizado com fins comerciais ou publicitários, logicamente, quando autorizado pelo seu titular. Dessa forma a divulgação do nome sem prévio consentimento importa em violação de direito faz nascer para o seu titular à pretensão a ser deduzida em ação indenizatória pelos danos materiais e morais sofridos. É a regra contida no artigo 18 do Código:
 \u201cSem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial\u201d.
O escopo da lei é assegurar ao titular do nome a decisão sobre o uso de seu nome publicamente, não tendo relevância se essa divulgação tem fim altruístico ou lucrativo, se é graciosa ou onerosa. Nesse sentido, a utilização do nome da Drª. Fula na de Tal numa campanha contra o câncer, sem a devida autorização, representa violação de direito, já a divulgação de seu nome, devidamente autorizado, para venda de produtos comerciais trata-se de atividade lícita.
 
As mesmas proteções legais conferidas ao nome são dadas ao pseudônimo, na previsão expressa do art. 19° do Código Civil: 
 \u201cO pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome\u201d. 
Proteção legal do nome da pessoa jurídica
O nome das pessoas jurídicas, empresariais ou não, possuem grande relevância social. Disso resulta a relevância conferida pela lei civil ao nome das pessoas jurídicas. O bom nome e a boa fama da pessoa jurídica são bens juridicamente protegidos, e não podia ser diferente. 
Nesse sentido, a existência legal da pessoa jurídica, diferente nesse particular da natural que começa com o nascimento com vida, começa com a inscrição do ato de constituição no respectivo registro, art. 45 da Lei 10.406/2002. E o mesmo Código Civil estabelece que o registro declarará a denominação da pessoa jurídica, art.46, I. Nas associações de pessoas sem finalidades econômicas ou de partilha de lucro, a denominação é obrigatória no estatuto a ser registrado, sob pena de nulidade, art. 54, I.
Essa matéria recebeu a regência da lei que instituiu o Código Civil e introduziu o Direito de Empresa no livro II da parte especial. O nome empresarial recebe a regulamentação em capítulo específico, artigos 1.155 a 1.168. Nome empresarial é a firma ou a denominação adotada para o exercício da empresa. Equipara-se ao nome empresarial para efeito de proteção legal as denominações das fundações, sociedades e associações. 
Resulta que a pessoa jurídica tem legitimidade para demandar contra qualquer pessoa, física ou jurídica, de direito público ou privado, em face de danos à honra objetiva. Esse entendimento tem sido assentado no âmbito do STJ, em inúmeros processos por ofensa a honra objetiva de pessoas jurídicas protestadas em face de títulos cambiais indevidos. 
No quesito ofensa à honra da pessoa, doutrina e jurisprudência acentuam a distinção entre pessoas naturais e jurídicas. Destaca-se que a honra subjetiva relaciona-se com o ser humano, natural, dotado de psiquismo, em razão do qual podem sofrer danos à dignidade, à estima, humilhação, vexames, assim em diante, tem caráter interior, subjetivo. Já a honra objetiva é externa a pessoa, diz respeito à admiração, o respeito, a avaliação positiva que as demais pessoas fazem dela. Evidente que a pessoa jurídica não possui os sentimentos e emoções de dores humanas. Logo, pessoas jurídicas não dispõem dessa subjetividade, dessa honra subjetiva própria de seres humanos. Contudo, as pessoas jurídicas possuem reputação social, têm nome a zelar socialmente, logo, podem sofrer ofensas à honra objetiva. Assim, se o conceito da empresa ou sociedade é atingido, isso importa prejuízos materiais e morais à pessoa jurídica. Os danos materiais podem ser demonstrados por todos os meios lícitos de provas, já os danos morais, extra patrimoniais, serão arbitrados em juízo.
Resumindo, as pessoas jurídicas recebem idêntica proteção das pessoas naturais, nesse caso do nome como direito da personalidade assegurado em lei, e noutros direitos da personalidade, também, salvo os direitos ontológicos do homem, inerentes a pessoa humana e que não podem, por natureza, ser transferido às pessoas jurídicas criadas pelos homens para realizar determinados fins que o ser físico sozinho é incapaz de alcançar.