Notas Sobre Registro e Averbação
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Notas Sobre Registro e Averbação


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couber, bem como das alterações - relativas a pessoas jurídicas de direito privado \u2013 associações, sociedades, fundações, partidos políticos e organizações religiosas. 
Cartório de Registro de Títulos e Documentos: responsável pela realização de quaisquer registros não atribuídos a outro ofício pela lei, transcreve e registra instrumentos particulares em geral, contratos, penhores sobre coisas móveis e animais, cauções de títulos e dívidas, com as respectivas averbações, se for o caso.
Cartório de Registro de Imóveis: far-se-á a matrícula e o registro dos títulos relativos aos imóveis: hipotecas, instituição de bem de família, contratos de locação de prédios, servidões, usufrutos, enfiteuse, anticrese, pactos antenupciais, cédulas de crédito rural ou industrial, contratos de penhor rural, incorporações, instituição e convenções condominiais, etc. 
Segue que a lei 8.935/94, regulando os serviços notariais e de registro, enumera os titulares desses serviços no art. 5\u25e6, a saber: tabelião de notas, tabelião e oficial de registro de contratos marítimos, tabelião de protesto de títulos, oficial de registro de imóveis, oficiais de registros de títulos e documentos e civis das pessoas jurídicas, oficiais de registro civil das pessoas naturais e de interdições e tutelas, oficiais de registro de distribuição. 
Os serviços públicos de registro e de averbação e as respectivas certidões têm seus valores monetários fixados pelo Regimento de Custas dos Estados e DF. O regimento deve ser oficialmente publicado no órgão oficial de cada Estado e do Distrito Federal. 
Emolumentos
Em vernáculo, emolumento significa aquilo que se ganha, vantagem financeira, gratificação. Os tabeliães e notários exercem trabalhos técnicos pelos quais são remunerados. A lei 6.015/73, no art. 14, determina que o valor dos serviços cartorários referentes a custas de escrituras, certidões, buscas, averbações, registros de qualquer natureza, emolumentos e outras despesas legais constam, obrigatoriamente, do próprio documento: 
Pelos atos que praticarem, em decorrência desta lei, os oficiais do registro terão direito, a título de remuneração, aos emolumentos fixados nos Regimentos de Custas do Distrito Federal, dos Estados e dos Territórios, os quais serão pagos, pelo interessado que os requerer, no ato de requerimento ou no da apresentação do título.
Parágrafo único. O valor correspondente às custas de escrituras, certidões, buscas, averbações, registros de qualquer natureza, emolumentos e despesas legais constará, obrigatoriamente, do próprio documento, independentemente da expedição do recibo, quando solicitado.
	Registros da pessoa natural:
Os atos referentes à pessoa natural ou física que devem ser registrados no respectivo cartório de registro público estão previstos no Código Civil e na LRP: 1. Nascimento; 2. Casamentos; 3. Óbitos; 4. Emancipações; 5. Interdições; 6. Sentenças Declaratórias de Ausência; 7. Opções de nacionalidade; 8. Sentenças que deferirem a legitimação adotiva. 
Registro de nascimento 
Todo nascimento em território brasileiro, obrigatoriamente, deve ser registrado. O registro se fará no lugar do parto ou do domicílio dos pais, no prazo de 15 dias. Prazo dilatado para 3 (três) meses para os lugares distantes mais de 30 quilômetros da sede do cartório (art. 50 da LRP, com as alterações da lei 9.053/95). Aos nascidos antes da obrigatoriedade do registro, faculta-se a requisição de isenção de multa. Brasileiros nascidos no estrangeiro devem ser registrados nos consulados. Os nascimentos a bordo devem ser declarados dentro de 5 (cinco) dias da chegada ao destino, no consulado ou cartório. Nascimentos em navios, de guerra ou mercante, são assentados, imediatamente, nos termos da legislação de marinha, observando-se as disposições da LRP. 
Índios não integrados não estão obrigados, podem ser inscrito em livro próprio do órgão federal \u2013 FUNAI.
São obrigados a fazer a declaração de registro de nascimento: o pai ou a mãe; na falta ou impedimento, parente mais próximo; na falta ou impedimento, administrador do hospital ou médico e parteira que tenha assistido ao parto, ou pessoa idônea da casa onde ocorrer e, finalmente, pessoa encarregada de guardar o menor. Se tiver motivos para duvidar das declarações, o oficial de registro pode realizar diligências na casa do recém-nascido ou exigir declaração assinada por quem realizou o parto ou prova testemunhal (art.52 \u2013LRP). Nos registros fora do prazo, havendo dúvidas, o registrador poderá requerer ao juiz que tome as medidas necessárias ao esclarecimento dos fatos.
 
Natimortos são registrados no livro auxiliar \u201cC\u201d com os elementos que couberem. No caso de morte logo após o parto, havendo respirado, far-se-ão dois assentos, o de registro e o de óbito, com os elementos cabíveis. 
O assento de nascimento conterá os seguintes dados: dia, mês, ano, hora certa, provável ou aproximada do nascimento, local, sexo do registrando, quando gêmeo, o fato e a ordem dos nascidos, nome e prenome postos à pessoa, ordem de filiação de outros irmãos, dados pessoais dos pais (nomes, profissão, nacionalidade, domicílio), nomes dos avós paternos e maternos, nomes e dados pessoais de duas testemunhas do assento. 
Registro de casamento 
 
Habilitação
No procedimento do casamento civil, a lei prevê uma fase inicial de habilitação durante a qual os interessados apresentam os documentos exigidos pela lei civil para as núpcias e requerem a certidão de habilitação do oficial de registro. Após autuar os documentos, o oficial afixa os proclamas em um lugar visível do cartório e os publica na imprensa local, se existir. Excepcionalmente, nos casos de urgência previstos em lei, admite-se a dispensa de proclamas. Os interessados devem peticionar ao juiz aduzindo os motivos da urgência, juntar documentos e indicar as provas das alegações, que devem ser produzidas em 5 (cinco) dias. Após ouvir o MP em 24 horas, o juiz decide, em igual prazo, sem recurso. Os autos são remetidos a fim de ser anexada a certidão de habilitação. Em se tratando de pedido de dispensa de proclamas com fundamento em crime contra os costumes, o juiz realizará audiência em segredo de justiça, separadamente, com os contraentes. 
De todas as decisões, abre-se vista ao Ministério Público para que examine a legalidade e regularidade do pedido dos nubentes, do requerimento da habilitação e, quando couber, requerer documentos. Caso o MP indefira o pedido, o oficial encaminhará ao juiz para decidir, sem recurso. A certidão de habilitação será fornecida pelo oficial após 15 dias, se não houver impugnação do MP ou aparecido oposição de impedimento. Havendo impugnação, o oficial de registro comunica o fato aos interessados, que terão 3 (três) dias para apresentar provas. Abre-se, novamente, vista ao MP, que terá 10 (dez) dias para opinar e, em seguida, os autos seguem para o juiz, que decidirá em 5 (cinco) dias. 
Celebração e registro
O registro produz efeitos jurídicos a partir da celebração do casamento (art. 75 da lei 6.015/73). Tal prescrição ressalta a importância dada pelo legislador à solenidade pública. À parte o debate doutrinário sobre a natureza jurídica do casamento ser ou não contratual, manteve o legislador do novo código civil brasileiro a natureza de ato jurídico formal que, para sua validade, a lei exige determinadas condições e solenidade especial. Talvez, pecando por excesso de formalismo, o novel CC dedicou nada menos que dez artigos à celebração do casamento (art. 1.533 a 1433). Assim, o lugar deve ser previamente determinado pela autoridade civil ou confessional, que presidirá o ato face ao requerimento dos nubentes habilitados para o casamento. A cerimônia se realizará a portas abertas, quer no cartório, quer em edifício particular, com um mínimo de duas testemunhas no primeiro caso e de quatro testemunhas no segundo caso e, em ambos, quando algum dos contraentes não souber ou não puder escrever. Pessoalmente, ou representados por procurador especial, na presença