Notas Sobre Registro e Averbação
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Notas Sobre Registro e Averbação


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do presidente do ato e das testemunhas, os nubentes declaram que pretendem casar de forma livre e espontânea. O ato será efetuado nas palavras proferidas pelo presidente \u201cDe acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro casados\u201d. 
Logo após a celebração do matrimônio, o assento será lavrado e assinado pelo presidente do ato, pelos cônjuges, testemunhas e oficial (art.70). No assento, constarão nomes, dados pessoais, nacionalidade, naturalidade, domicílio, profissão dos cônjuges; idem em relação aos respectivos pais; quando envolver pessoa divorciada, a data da dissolução do casamento anterior e o nome do cônjuge precedente; data da publicação dos proclamas e da celebração do matrimônio; nomes, dados pessoais e domicílio das testemunhas (no mínimo, duas); o regime de bens com a declaração do cartório onde se escriturou o pacto antenupcial; alterações dos nomes, quando for ocaso; nomes e idades de filiação anterior, se existir; assinaturas ou impressão digital (ágrafos) na margem do termo. 
A Constituição de 1988 estabelece a gratuidade do casamento civil e prevê o casamento religioso com efeito civil. Nessa conformidade, cabe aos nubentes decidir quanto à realização de ato nupcial perante autoridade civil ou religiosa, sendo esse fato indiferente em relação ao efeito civil do casamento que atendeu às prescrições da legislação civil de regência da matéria.
Dessa forma, o casamento tem caráter civil e deve ser celebrado gratuitamente. O casamento religioso com efeito civil, observadas as normas inerentes à matéria, pode ser precedido, ou não, pela habilitação civil.
 
Exige a lei que a certidão de habilitação de casamento expedida pelo Oficial de Registro, um requisito essencial à validade do casamento civil, seja apresentada antes ou depois do ato religioso. O ministro religioso responsável pela celebração da cerimônia pública tem até 90 dias da data da realização do evento para encaminhar ao Cartório a fim de obter o registro do casamento. Somente observadas as formalidades da lei civil no matrimônio realizado pela autoridade religiosa, temos efeitos civis na dicção da lei 6.015/73. A par das espécies de casamentos referidas, a lei prevê, ainda, casamento mediante instrumento público de procuração, o casamento nuncupativo e o consular. O casamento por procuração tem a regência do Art. 1.542 do CC, que faculta aos nubentes serem representados por terceiros dotados de instrumento público com poderes específicos e validade não superior a noventa dias, que os representarão no ato realizado perante a autoridade oficiante e o registrador. O mandante pode desistir antes da celebração do casamento e revogar o mandato. Esta revogação deverá ser por instrumento público, qual o mandato. No caso de haver celebração sem o mandatário e o outro contraente que desconheciam a revogação e não sobrevindo a coabitação, o matrimônio é anulável (art.1.550, V), mas o mandante responderá pelas perdas e danos causados. A doutrina chama de casamento nuncupativo \u2013 ato oral, não escrito (Art. 1.540) - ao casamento realizado sem a presença da autoridade oficial para o ato e sem o cumprimento de outras formalidades exigidas nos casamentos realizados em circunstâncias normais em virtude de iminente risco de vida de um dos nubentes. O ato deve ser realizado perante seis testemunhas sem relação de parentesco em linha reta ou colateralidade até segundo grau com os nubentes. As testemunhas devem comparecer no prazo de dias à sede judicial mais próxima a fim de que se lhe tomem tomo da declaração: da convocação pelo enfermo; do perigo de vida, mas juízo perfeito do enfermo; da declaração dos contraentes, livre e consciente, que se recebem por marido e mulher. O juiz, mediante diligências, verificará se os contraentes podiam se habilitar; ouvirá o Ministério Público e demais interessados, se houver, dentro de quinze dias. A decisão judicial transitada em julgado será registrada no Livro de Registro de Casamentos. O assento lavrado produzirá efeito da data da celebração. O casamento celebrado no Brasil prova-se pela certidão de registro (Art. 1.543), mas é admissível qualquer outro meio de prova a teor do parágrafo deste artigo. No chamado casamento consular, quando celebrado no estrangeiro perante autoridades ou cônsules brasileiros, os nubentes têm cento e oitenta dias, a contar da volta ao Brasil, para fazer o registro no cartório do respectivo domicílio ou no 1\u25e6 Ofício da Capital do Estado onde residirem.
Registro de óbito
Determina a Lei n° 6.015/73 que nenhum sepultamento seja feito sem certidão do oficial de registro do lugar do falecimento. A certidão é extraída do assento de óbito à vista do atestado do médico ou de duas pessoas qualificadas que hajam presenciado ou verificado a morte. O evento morte, então, primeiramente, é atestado pelo perito médico e, na falta dele, por duas pessoas que presenciaram ou verificaram o fato. Em vista do atestado, o oficial de registro lavra o assento e expede a respectiva certidão de óbito no prazo de 24 horas (art. 77, Lei n° 6.015/73). 
Mas a lei recomenda procedimentos adicionais ante as situações devidamente previstas no aludido diploma legal, quais morte de crianças menores de um ano, cremação de cadáver, impossibilidade de registro no prazo de 24 horas da morte e da morte violenta.
No caso da criança, se esta não tiver registro de nascimento, o registro faltante será feito antes do assento do óbito. Na incineração de cadáver, que pode acontecer de voluntária, ou não, dois médicos \u2013 um apenas se for médico legista - devem atestar a morte. Relativamente à cremação, esta pode ser voluntária e involuntária. No primeiro caso, a incineração do cadáver corresponde à declaração de vontade manifesta da pessoa no gozo da sua capacidade civil. No segundo, a cremação do cadáver independe de manifestação de vontade da pessoa, mas atende a preceito de ordem pública, salvaguardando interesses de saúde pública. Em virtude de motivos relevantes e de distancia, a lei dilata o prazo do registro para 15 (quinze) dias ou 3 (três) meses, conforme a localidade diste mais de 30 quilômetros da sede do cartório. No tocante à morte violenta, o registro far-se-á à vista de atestado de médico legista depois de autorizado pela autoridade judiciária. 
 
A lei LRP (Art.79) determina a obrigatoriedade da declaração de óbito: pais e detentores do poder familiar a respeito do cônjuge, filhos, hóspedes, agregados, empregados, filhos em relação aos pais, irmãos e demais pessoas da casa - administrador, gerente, diretor de estabelecimentos públicos ou particulares pelos que neles falecerem - salvo presença de parente. Na falta de pessoa competente, assim entendida as mencionadas anteriormente, quem assistiu aos últimos momentos do finado: o médico, o sacerdote ou vizinho que tenha notícia da morte. Ao policial a obrigatoriedade incide no caso de pessoas encontradas mortas.
O assento de óbito deve conter hora, dia, mês e ano do falecimento; lugar com indicação precisa; nome completo, sexo, idade, cor, estado civil, profissão, naturalidade, domicílio e residência do morto; estado civil e nome do cônjuge, se for o caso; nomes, profissão, residência e naturalidade dos pais; se faleceu com testamento conhecido; se deixou filhos, o nome e idade de cada um; se era eleitor; se a morte foi natural ou violenta e a causa conhecida com o nome dos atestadores; o lugar do sepultamento; se deixou bens e herdeiros ou interditos (art.80).
 
No caso de pessoa desconhecida, o assento deverá conter indicações que ajudem no futuro reconhecimento: estatura ou medida, cor, sinais aparentes, idade aparente, vestimentas ou qualquer outra informação que possa auxiliar. Das pessoas encontradas mortas, menciona-se tal circunstância, esse local e a necropsia e, sempre que possível, extrair a individual dactiloscópica, popularmente conhecida como impressões digitais (art.81).
A pessoa que comunica o óbito deve