Notas Sobre Registro e Averbação
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Notas Sobre Registro e Averbação


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assinar o assento, salvo se não souber ou puder, caso em que alguém o fará a seu rogo. Se o assento for posterior ao enterro e faltar atestado médico ou declaração equivalente, duas testemunhas presentes ao falecimento ou ao funeral capazes de atestar a identidade do cadáver assinarão o assento (art.83).
Aos óbitos ocorridos a bordo de navios, a lei apresenta duas possibilidades: 1. Lavrar-se, de imediato, o assento da morte no livro próprio estabelecido pela legislação de marinha e a LRP; 2. Se o enterro for no porto, o assento será tomado no prazo de 5 (cinco) dias da chegada do navio ao destino (arts. 84, 50, 80) da LRP. 
A LRP prevê o procedimento de registros de óbitos de militares em campanha ou guerra. Cada corporação e unidade militar tem a responsabilidade de proceder o sepultamento e o registro dos óbitos no próprio local de combate, nas condições especificadas. Cada tropa tem o oficial incumbido de fazer o assento em livro próprio, que é autenticado pelo médico de campanha. Tais óbitos serão publicados no boletim da corporação e remetidos em relação autenticada pelo Ministério da Justiça ao Registro Civil. A relação conterá os dados relativos ao morto e ao evento, como nome, idade, naturalidade, estado civil, unidade militar a que pertencia, lugar de residência ou de mobilização, dia, mês, ano e lugar de falecimento e sepultura. Com essas informações remetidas pelo comandante da unidade ao assento, faz-se o registro civil público a pedido do interessado (Arts. 66 e 86). 
Relativamente aos óbitos naturais ocorridos em locais públicos, prisão, hospital e outros, o registro se fará mediante declaração de parentes. Na falta desses parentes, pelas declarações das respectivas administrações. Mas, se a morte for acidental ou violenta, a declaração deve ser ex officio da autoridade policial competente para investigar o fato.
Finalmente, admite-se o registro de óbito, com ou sem exame cadavérico, mediante justificação judicial nos casos de extremo perigo de morte, presumindo-se o óbito de pessoa desaparecida em catástrofes como naufrágio, incêndio, terremotos, maremotos e outras situações do gênero, como também dos desaparecidos em campanha. A lei exige, em ambos os casos, a comprovação da presença da pessoa que desapareceu em virtude da catástrofe ou campanha no local do evento, bem como elementos de convicção da ocorrência do óbito (art.88).
 
Há autores, dentre eles (DINIZ, 1999: 137) e (OLIVEIRA: 2001: 71), que ressaltam a relevância do registro de óbitos nos termos da Lei 6.015/73, como o documento probatório do evento morte. A força probante da certidão de óbito extraída do registro público é presumida da fé pública do registrador público. Mas a morte pode ser provada por outros meios a teor do Art. 232 do Código Processual Civil. A veracidade do fato morte deve ser comprovada pelo interessado a quem cabe o ônus da prova dos fatos por ele alegados. Neste sentido, um herdeiro poderá requerer, pela via da justificação judicial, o assento do óbito. 
 
Sobre a admissibilidade da justificação judicial, a própria lei de registros públicos prevê, no caso de impossibilidade do exame cadavérico, o desaparecimento do corpo nos casos de incêndios, naufrágio, guerras, terremotos e outras catástrofes e desaparecidos em campanha \u2013 LRP, Art. 88. 
 
Registro de morte presumida pela decretação da ausência e de morte independente desta decretação.
As sentenças declaratórias de ausência ou de morte presumida serão registradas com as cautelas referentes aos dados a serem registrados, tais como data do registro, nome completo, idade, estado civil, profissão, naturalidade, residência e domicílio anterior do ausente (ou do morto presumido), data e cartório do registro do nascimento e do casamento com nome do cônjuge, se for casado, nome do juiz, vara e data da sentença, nome do promotor do processo, nome, profissão, estado civil, residência e profissão do curador e os limites da curatela (ausência), data e causa da morte presumível.
 
Devemos lembrar que a morte presumida pode ser declarada em consequência da ausência e também independente de declaração de ausência nos especificados na lei 10.406/2002 - Código Civil, quais a extrema probabilidade de morte de quem se encontrava em situação de perigo de vida ou pela participação em campanha militar. Em qualquer dos casos, a sentença prolatada deve ser inscrita no registro público não obstante a lei 6.015/73 - LRP não regulamentar o registro da morte presumida independente da ausência, afinal, este instituto é posterior, porém o registro da sentença declaratória de morte presumida, com ou sem causalidade da ausência, segue a lógica sistemática e teleológica da lei de registros públicos, tendo em vista o interesse público no registro do ato para conferir maior segurança, autenticidade e publicidade. 
Ante os casos de mortes presumidas, o juiz deve fixar a data dessas mortes nas sentenças por ele prolatadas. A existência da pessoa natural termina com a morte na dicção do artigo 6º do Código Civil: A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. Assim, não se confunde a morte presumida pela ausência a partir de provas indiretas com a morte natural. Naquela, declara-se o desaparecimento da pessoa do seu domicílio e, apenas com a abertura da sucessão definitiva após o decêndio legal, tem-se a presunção de morte em face da ausência.
Nesse sentido, a presunção do evento morte tem a previsão do Art. 88 da Lei dos Registros Públicos através de justificação judicial para pessoas desaparecidas em naufrágio, inundação, incêndio, terremoto ou qualquer outra catástrofe, quando estiver provada a sua presença no local do desastre e não for possível encontrar o cadáver para exame. 
Mas a Lei 10.406/2002 ampliou os casos de morte presumida ao autorizar a declaração de morte presumida independentemente da declaração de ausência: A dicção do Art. 7º: Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; II - se alguém desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra. Parágrafo único. A declaração da morte presumida nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento.
O fato de uma morte presumível, a despeito da alta probabilidade da sua ocorrência, não agrega todos os elementos materiais de uma morte atestada por provas materiais diretas as quais coligem exame cadavérico, causa mortis e outras informações seguras e precisas. Na morte presumida, restará, independente da boa-fé dos interessados, um espaço de imprecisão e de incerteza. Mas as lacunas eventuais devem ser supridas pela autoridade judicial a fim de conferir os efeitos da presunção legal da morte. Neste sentido, conhecendo ou não, o juiz fixará data provável da morte presumida, por exemplo. Trata-se de indicação relevante para o direito a ser realizada com base em informações disponíveis sobre o dia da última notícia do desaparecido. Note-se, contudo, que se trata de prova indireta. Nesse sentido, tal medida exige da autoridade judicial cuidados especiais em virtude das inúmeras consequências legais, não apenas na ordem civil - sucessória patrimonial, obrigacional, familiar - como em outras esferas, a penal e a processual penal, a previdenciária, etc. Ressalte-se que esta regência do Código Civil sobre a morte presumida independente de declaração de ausência; coaduna-se sistematicamente com a Lei dos Registros Públicos: a sentença declaratória da morte presumida deve ser registrada em registro público.
Emancipação \u2013 A incapacidade civil do menor que tenha completado os dezesseis \u2013 relativa incapacidade civil - pode cessar antes dos dezoitos anos por outorgada dos pais ou por sentença judicial no