Notas Sobre Registro e Averbação
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Notas Sobre Registro e Averbação


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caso do menor sob o regime de tutela. 
No caso do menor sob o poder familiar, se ambos os pais concederem ou de um deles na falta do outro. Este ato não dependente de homologação judicial, portanto, realizar-se-á diretamente no cartório de registros de pessoas naturais através de escritura pública exarada com data, livro, folha e ofício, assinatura do apresentante, devendo constar do registro: a data do registro e da emancipação; o nome, prenome, idade, filiação, profissão, naturalidade e residência do emancipado; data e cartório em que foi registrado o seu nascimento; nome, profissão, naturalidade e residência dos pais (art.89, LRP). 
 
Quanto ao menor submetido ao regime tutelar, a lei exige a via judiciária, pois a emancipação do tutelado só é possível mediante o registro da sentença judicial concessiva. O registro será feito mediante a trasladação da sentença, devendo o registro conter os dados acima referidos do emancipado e do respectivo tutor. Trata-se de procedimento especial de jurisdição voluntária (Art. 1.112, I do CPC), no qual o juiz ouve obrigatoriamente o tutor, o Ministério Público e todos os interessados devem ser citados, sob pena de nulidade. As despesas das anotações do registro da sentença da emancipação concedida ficam a cargo dos interessados (LRP, art. 13, parágrafo segundo).
Interdições \u2013 As sentenças de interdições por incapacidade absoluta ou relativa serão registradas no cartório de ofícios em livro especial - artigos 89 e 92 da Lei 6.015/73 de Registros Públicos. O processo de interdição requer a divulgação dos editais pela imprensa local, CPC, art. 1.184, com escopo de dar amplo conhecimento ao público em geral. O oficial registrará no livro especial o nome completo, idade, estado civil, profissão, naturalidade, residência e domicílio do interdito, data e cartório do registro do nascimento e do casamento com nome do cônjuge, se for casado, nome do juiz, vara e data da sentença, nome, profissão, estado civil, residência e profissão do curador, nome do requerente da interdição e causa desta, limites da curadoria \u2013 quando for parcial -, lugar onde está o interdito. Se o curador não registrar a sentença dentro de 8 (oito) dias após a prolação, o juiz remeterá os dados para o registro cartorário. Antes do registro público, o curador não poderá assinar o termo respectivo. 
 
Das averbações 
Referentemente às disposições contidas no art. 10, averbam-se as sentenças de nulidade ou anulação de casamentos, o divórcio, a separação judicial e o restabelecimento da sociedade conjugal. 
As averbações se fazem nas margens dos registros e no caso de não haver espaço no livro corrente com as notas e remissões respectivas que facilitem as buscas. Faz-se mediante indicação minuciosa da sentença ou ato determinante da alteração - artigos 98 e 99 da LRP. Importante ressaltar que a averbação só será feita pelo oficial do cartório onde o casamento se realizou após o trânsito em julgado da sentença declaratória de nulidade absoluta ou relativa do casamento. 
O divórcio extingue a sociedade conjugal e o casamento, diferentemente da separação judicial, que importa a separação de corpos e a partilha dos bens, porém conserva o vínculo do casamento enquanto o casal não obtiver o divórcio. Esse vínculo que permanece durante a separação judicial pode ser reatado a qualquer tempo pelo casal. Bastará requerer, por dependência ao juízo que julgou a Ação de Separação, a clara e manifesta vontade de restabelecer o vínculo matrimonial. Segue que tanto as sentenças de divórcio e de separação judicial devem ser averbadas em cartório após transitarem em julgado a fim de produzirem os efeitos desejados. Também o ato regular do juiz que homologa o pedido de restabelecimento da sociedade conjugal. 
No que concerne aos atos judiciais e extrajudiciais que declaram ou reconhecem a filiação, o escopo da lei de facilitar o reconhecimento prevê o espontâneo que independe de sentença, porém, por ato voluntário do declarante ou sentença, a nova situação criada pela paternidade conhecida importa em alteração relevante a ser averbada no cartório do registro de nascimento do reconhecido. 
Quanto à adoção, procedimento que se realiza judicialmente, a sentença prolatada extinguirá os vínculos consanguíneos e constituirá a nova relação de parentesco civil do adotado. Dita sentença de adoção também deverá ser averbada na margem do registro civil do adotado.
Jurisprudência
Merece discussão séria essa prática de certos magistrados compilarem decisões superiores para suas decisões. Por um lado, representa celeridade e segurança de apreciação abalizada de juízo experiente; por outro, representa o fim da autonomia do magistrado, o empobrecimento na criação do direito e o aviltamento do princípio do duplo grau de jurisdição.
 
Sendo professor de direito e não de decisão de tribunais, raramente utilizamos a jurisprudência para os argumentos teóricos que empregamos por entender justamente o contrário, que cabe à doutrina orientar julgadores.
Nos dias correntes, cada vez mais a jurisprudência se consolida como fonte do direito. As decisões reiteradas de tribunais superiores abrem precedentes e servem como orientação para outros julgados. Mesmo sem força vinculante, a jurisprudência dos tribunais superiores norteia outras decisões. Enquanto orientação, nada a opor. Porém, o problema reside no vício da preguiça intelectual e mácula moral de primeiro consultar o nadar de cima para depois decidir aqui em baixo. 
 	 	
De qualquer modo, seguem algumas decisões judiciais sobre o tema abordado, exclusivamente com finalidade demonstrativa de como os pretórios estão decidindo a respeito da matéria registro público.
	Apelação Cível 70000955567
Rel Des. Luiz Felipe Brasil Santos
Decisão: 14/06/2000
7ª Câmara Cível
	APELACAO. REGISTRO CIVIL. ALTERACAO DE NOME DE MENOR E ACRESCIMO DE MAIS UM PATRONIMICO PATERNO. EM MATERIA DE PRENOME, PREDOMINA A REGRA DA IMUTABILIDADE. ENTRETANTO, NAO SE PODE PERDER DE VISTA A FINALIDADE DA NORMA, QUE E A DE CONFERIR ESTABILIDADE E SEGURANCA A IDENTIFICACAO DAS PESSOAS, E, POR CONSEQUENCIA, AS RELACOES JURIDICAS. CASO CONCRETO EM QUE, TRATANDO-SE DE UMA CRIANCA DE 5ANOS, NENHUM PREJUIZO SE VISUALIZA. DERAM PROVIMENTO. UNANIME. 
	Apelação Cível 599451218
Rel Des. Lúcia de Castro Boller
Decisão: 03/05/2000
2ª Câmara Cível
	APELACAO CIVEL. ACAO DE RERIFICACAO DE REGISTRO CIVIL. INCLUSAO DO NOME DA AVO. HOMENAGEM. POSSIBILIDADE. E POSSIVEL A INCLUSAO DO NOME DA AVO NO NOME DO INTERESSADO, POR HOMENAGEM, POIS TAL NAO IMPLICA ALTERACAO DO NOME OU PRONOME E NEM CAUSA PREJUIZO AOS APELIDOS DE FAMILIA. APELACAO CIVEL DESPROVIDA. 
	Apelação Cível 70000826412
Rel Des. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves
Decisão: 12/04/2000
7ª Câmara Cível
	REGISTRO CIVIL. PRENOME DO BISAVO. ALTERACAO. IMPOSSIBILIDADE E ILEGITIMIDADE ATIVA. NAO TEM O BISNETO LEGITIMIDADE PARA ALTERAR O PRENOME DO BISAVO JA FALECIDO, MORMENTE QUANDO SE TRATA DE CORRIGIR ERRO DE GRAFIA, NEM O NOME EXPUNHA O USUARIO AO RIDICULO, EMBORA RECONHECA COMO PONDERAVEL O OBJETIVO DE OBTER OUTRA CIDADANIA. O NOME DO REGISTRO CIVIL DEVE PREVALECER DIANTE DA REGRA DA IMUTABILIDADE INSCULPIDA NOS ARTS. 56 E 58 DA LEI N. 6.015/73, SENDO INAPLICAVEL O DISPOSTO NA LEI N. 9.708/98, POR NAO SE CUIDAR DE APELIDO PUBLICO E NOTORIO. RECURSO DESPROVIDO. 
	Apelação Cível 70000508945
Rel Des. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves
Decisão: 12/04/2000
7ª Câmara Cível
	REGISTRO CIVIL. ACRESCIMO DE APELIDO DE FAMILIA MATERNO DO AVO. ALTERACAO. IMPOSSIBILIDADE. APELIDO PUBLICO NOTORIO. VIABILIDADE COM PROVA CABAL. 1. O NOME PATRONIMICO E E INDICATIVO DO TRONCO FAMILIAR PATERNO E TAMBEM DA PROLE, INDICANDO A CONTINUIDADE DA FAMILIA. DENTRO DA VISAO ESTRUTURAL DO NOSSO SISTEMA REGISTRAL, ADMITE-SE QUE P PRENOME SEJA MUDADO, MAS O NOME DE FAMILIA E IMUTAVEL. INTELIGENCIA DO ART-56 DA LEI DE REGISTROS PUBLICOS. O NOME DO AVO PATERNO TRANSMISSIVEL E AQUELE QUE PASSOU PARA