NOTAS SOBRE OS BENS JURÍDICOS_REVISTO
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NOTAS SOBRE OS BENS JURÍDICOS_REVISTO


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NOTAS SOBRE OS BENS JURÍDICOS
Dr. Natanael Sarmento \u2013 Prof. Titular da Unicap
1. Introdução
No conceito de bens, a doutrina destaca três elementos, a saber: 1. Valoração econômica; 2. Utilidade; 3. Apropriação pelo titular. Esses aspectos estão presentes, quase sempre, na lição dos civilistas: 
 SILVIO MARCONDES MACHADO: \u201cbens são coisas que, por serem úteis e raras, são susceptíveis de apropriação e contém valor econômico.\u201d\ufffd
 AGOSTINHO ALVIM: \u201csão as coisas materiais ou imateriais que têm valor econômico e que podem servir de objeto de uma relação jurídica.\u201d\ufffd\ufffd
 
 WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO: \u201cbens são valores materiais ou imateriais, que podem ser objeto de uma relação de direito.\u201d
 ROBERTO DE RUGGIERO: \u201cé tudo quanto possa ser objeto de direito e, assim, qualquer parte do mundo externo capaz de se sujeitar ao nosso poder e susceptível de produzir uma utilidade econômica.\u201d\ufffd
ABIB NETO: \u201cRestritivamente ao Código Civil, bens são as coisas que formam ou podem vir a formar patrimônio da pessoa natural ou jurídica.\u201d\ufffd	
	A doutrina se agita no que concerne às noções de bens e coisas. Uns afirmam que coisas correspondem ao gênero, enquanto bens são espécies; outros entendem exatamente o contrário, que o campo dos bens é mais amplo e o das coisas mais restrito. Também os há quem utilize as duas noções indistintamente. A nosso ver, essa agitação doutrinária não conduz à lugar algum, porquanto, na prática, é irrelevante se a designação do objeto da relação jurídica for bem ou for coisa. 
2. Classificação legal dos bens
 	2.1 Bens considerados em si mesmos (artigos 79 a 91)
Nesta classe de bens, a lei agrega os bens imóveis - seção I, artigos 79, 80, I e II, e 81 I e II; bens móveis - seção II, artigos. 82 e 83, I, II e III; bens fungíveis e consumíveis - seção III, artigos 85 e 86; bens divisíveis - seção IV, artigos. 87 e 88 e bens singulares e coletivos - seção V, artigos 89 a 91. 
 
 2.1.1 Bens imóveis
Diz o artigo 79: \u201cSão bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente\u201d 
Este artigo fala dos bens imóveis por natureza e dos bens imóveis por acessão:
- Imóvel por natureza é o solo;
 - Imóvel por acessão natural ou artificial é tudo que se incorpora ao solo. 
 Os artigos 80 e 81 tratam de imóveis por determinação legal ou por presunção legal, qual prefere alguns. Considera a lei imóvel para os efeitos legais, incisos I e II, artigo 80:
 
I - direitos reais sobre imóveis e ações que os asseguram;
II- direito à sucessão aberta.
 A finalidade consiste em assegurar a segurança jurídica das relações que envolvem os bens imóveis e todos os bens.
 
 Assim, os exegetas identificam três espécies de bens imóveis no texto legal: 1. imóvel por natureza; 2. imóvel por acessão natural ou artificial; 3. imóvel por expressa vontade legal.
 O artigo 81 declara que não perdem o caráter de imóveis:
 1. As edificações que, separadas do solo e removidas para outro local, conservarem a unidade;
 2. Os materiais provisoriamente separados do prédio para nele se reempregarem.
No primeiro caso, trata-se da imobilização de edificação removíveis, as quais, a despeito do deslocamento físico, conservam as propriedades essenciais e destinação social, logo, não perdem a condição de imóvel. 
No segundo caso, tem-se a imobilização do material provisoriamente retirado do imóvel, isto é, um material que era incorporado ao imóvel e que voltará a ser nele reempregado, conservando-se a qualidade de imóvel. 
 
Efeitos jurídicos relativos aos bens imóveis:
 - A alienação do bem imóvel requer escritura pública vez que a propriedade do imóvel adquire-se com a transcrição do registro de propriedade no Cartório de Registros Públicos de Imóveis;
 - A alienação dos imóveis, direitos e ações judiciais relativos aos imóveis dos casados exigem a outorga uxória, salvo dos casados pelo regime de separação total ou absoluta de bens; 
 
 - Os imóveis são tributáveis através de impostos, taxas e contribuições próprias.
 - No direito internacional, os imóveis determinam a jurisdição do país no qual se situam para as ações judiciais que lhes são correspondentes.
 - Pela definição dos objetos, define-se a espécie do contrato, qual o comodato.
 2.1.2 Dos bens móveis
	
Os bens móveis estão regrados no Art. 82: São móveis aqueles bens suscetíveis de movimento próprio ou removível por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.
Elementos destacados no conceito:
- Bens passíveis de movimento (próprio ou por força alheia);
- A motilidade conserva a substância e a destinação social;
 O artigo 83 trata dos móveis por determinação ou vontade legal:
- As energias com valor econômico;
- Os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes;
- Os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações;
Materiais destinados à construção, enquanto não utilizados na obra, permanecem móveis. E readquirem a qualidade de móveis os materiais provenientes da demolição do prédio, na dicção do art. 84.
Efeitos jurídicos relacionados aos bens imóveis:
- Os móveis adquirem-se pela simples tradição;
- A alienação de móveis prescinde da outorga uxória;
- O fato gerador da tributação diz respeito à produção e à circulação de mercadorias, produtos móveis;
- Nas ações relativas aos bens móveis, ao aforamento aplica-se a lei do domicílio do proprietário.
- Na definição do objeto móvel, define-se a espécie contratual do mútuo. 
2.1.3 	Dos Bens Fungíveis e Consumíveis
 Fungíveis são os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade, art. 85. 
Elementos conceituais da fungibilidade:
- Bens móveis;
- Substituíveis (quantidade, espécie, qualidade);
Todos os bens fungíveis são móveis, mas nem todos os bens móveis são fungíveis. A tela original da Gioconda pintada por Leonardo da Vinci é um bem móvel, porém único, infungível.
 
Apesar de a lei não definir o bem infungível, logicamente, é o bem impossível de substituído por outro da mesma espécie, qualidade e quantidade. Todos os imóveis por natureza e os bens móveis únicos, exclusivos. 
 
 Consumíveis são os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação, artigo 86.
 Elementos conceituais:
- Bens móveis; 
- Consumíveis porque vão dissipando ou destruindo a própria substância com o uso;
- Consumíveis porque são destinados à alienação;
A expressão \u201cuso imediato\u201d deve ser interpretada ampliadamente, quais alimentos e combustível de aeronaves e veículos que são consumíveis por natureza.
 
Os bens inconsumíveis são os que se podem utilizar sem que o uso importe a destruição de substância, ou de integridade, bem assim aqueles bens que não estão dispostos à alienação, estão fora do comércio.
 2.	1.4 Bens divisíveis 
Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alterar a substância, sem diminuir consideravelmente o valor econômico, sem prejuízo ao uso a que se destina, pela regência do artigo 87.
Elementos conceituais:
- Possibilidade de fracionamento;
- Conservação da substância;
- Relativa conservação do valor econômico;
- Utilidade da unidade original (uso a que se destina).
No entanto, os bens naturalmente divisíveis tornam-se indivisíveis por determinação da lei ou por vontade das partes, art. 88. 
2.1.5	Bens singulares e coletivos
São singulares os bens que, embora reunidos, são considerados	de \u201cper si\u201d, independente dos demais, art. 89.
Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária. Ex. Biblioteca, frota de veículos,