Notas sobre atos e negócios jurídicos_REVISTO
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Notas sobre atos e negócios jurídicos_REVISTO


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ou não, a prescrição, sendo defeso ao juiz suprir requerimento que cabia ao interessado. Somente se a prescrição ocorrer em favor de incapaz absolutamente, em face da prevalência do interesse público presente, pode o juiz suprir de ofício a prescrição. Na dicção do art. 194: 
\u201cO juiz não pode suprir, de oficio, a alegação de prescrição, salvo se favorecer a absolutamente incapazes.\u201d
	
Ação regressiva contra assistentes e representantes
 As pessoas incapazes de administrar os próprios negócios podem promover ação regressiva contra os representantes que deram causa à prescrição ou não alegaram quando deveriam. Esta regra é válida para os relativamente incapazes e, também, para as pessoas jurídicas. Considerando que ditas pessoas são representadas ou assistidas no mundo jurídico por outras, se elas não foram adequada e oportunamente assistidas ou representadas e assim sofreram os efeitos da prescrição, a lei possibilita a dedução dos prejuízos sofridos mediante ação regressiva dos representados contra os representantes. Na regência do art. 195: 
\u201cOs relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais, que deram causa à prescrição, ou não a alegaram oportunamente.\u201d
	
	Contagem do prazo contra o sucessor
 O prazo prescricional iniciado contra uma pessoa que vem a falecer continua fluindo contra os sucessores do de cujos. Assim, a contagem do tempo de prescrição não se interrompe e continua correndo contra os herdeiros e sucessores. A teor do art. 196: 
\u201cA prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor\u201d. 
 Causas impeditivas e suspensivas 
 Três espécies de fatores ou circunstâncias afiguram-se como causas que influem sobre a prescrição. Assim, devemos distinguir as causas que impedem o início de seu curso, das causas que suspendem o fluxo do curso e das causas que interrompem o lapso temporal já iniciado. No primeiro caso, o fator prescricional opera impedimento da contagem do prazo desde o início; no segundo, o fator suspende uma contagem já iniciada para retornar seu curso tão logo cesse o motivo da suspensão e, finalmente, no terceiro caso, interrompe-se a contagem de prazo já iniciado, voltando à estaca zero. 
 Causa impeditiva é a que tolhe, obsta, impede a contagem do prazo do início, não permitindo que comece a fluir o prazo prescricional. As causas suspensivas e interruptivas são supervenientes, logo o prazo da prescrição já foi iniciado antes do advento destas causas de suspensão ou interrupção. Na causa suspensiva, o obstáculo suspende uma contagem que será reiniciada quando desaparecer a causa da suspensão; difere do prazo interrompido, que anula o prazo anterior.
 Todavia, o Código Civil de 2002, a exemplo do seu predecessor, nada obstante distinguir as causas que impedem das causas que suspendem a prescrição, não faz uma rigorosa separação entre elas e, não raro, confunde-as dispensando-lhes tratamento indistinto. 
 
 Em que pesem as convergências de fundamentos lógicos e morais, juridicamente, impedimento e suspensão do prazo prescricional não podem ser confundidos. No impedimento, o escopo da lei é obstar o início do curso prescricional a fim de proteger certas pessoas impossibilitadas de agir em face de relações de parentesco, de confiança ou jurídicas.
	 No sentido de impedimento da prescrição, a disciplina o Código no art. 197: 
\u201cNão corre a prescrição: I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal; II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar; III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou curatela\u201d.
	 Corretamente, enumera taxativamente as circunstâncias impeditivas que obstam o início da contagem do prazo, não permitindo que a prescrição comece a correr. A ordem jurídica não espera do incapaz sujeito ao poder familiar, do tutelado ou do curatelado, que promovam ação judicial contra aqueles que a mesma ordem jurídica determina para protegê-los, assim, os pais, os tutores e os curadores. Tampouco afigura-se razoável esperar do cônjuge demanda contra o seu par em plena constância do casamento. Nestes casos, os prazos não se iniciam, logo, as causas obstativas são de natureza impeditiva da prescrição. 
	 No entanto, o artigo 198 do mesmo Código proclama: 
\u201cTambém não corre a prescrição: I - contra os absolutamente incapazes de que trata o art. 3º; II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados, ou dos Municípios; III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.\u201d 
	 Neste caso, o legislador trata, em conjunto, causa impeditiva, como a do inciso I, com causas que não têm a mesma natureza. Com efeito, não se inicia a contagem de prazo contra o absolutamente incapaz, mas, nesta condição, estão o menor de dezesseis anos, o enfermo mental sem discernimento e os incapazes de exprimir sua vontade, ainda que transitoriamente, na previsão do aludido art. 3°.
 Acontece que as causas denominadas suspensivas justamente são aquelas temporárias que paralisam o prazo da prescrição em curso para retornarem a contar após a superação da circunstância ou causa da suspensão. A nosso ver, as causas do inciso II e III do artigo referentes às pessoas em serviço civil ou militar do governo brasileiro no exterior estão em circunstância transitória, como também o está aquele que, temporariamente, não pode exprimir a própria vontade. As condições e circunstâncias jurídicas do inciso I, tão distintas, encontram-se inadequadamente no mesmo conjunto.
 
	Segue o mesmo diapasão o art. 199: 
\u201cNão corre igualmente a prescrição: I - pendendo condição suspensiva; II - não estando vencido o prazo; III - pendendo ação de evicção.\u201d
	Na pendência de condição suspensiva, enquanto esta condição não se realizar, não há o direito, mas apenas a expectativa. Isto explica a inocorrência da contagem, pois não seria lógico que começasse a correr o prazo contra alguém que ainda não é titular de direito. A mesmo lógica se aplica ao prazo não vencido, pois a ninguém se pode obrigar a fazer ou deixar de fazer alguma coisa antes do vencimento do prazo para fazer ou deixar de fazer. Quanto à pendência de ação de evicção, trata-se de lógica jurídica a fim de evitar decisões judiciais inócuas ou contraditórias, assim, a lei determina que primeiro se decida o direito litigado em sede de evicção e, somente depois de decidido o destino da coisa, identifica-se contra quem, de pleno direito, corre o prazo de prescrição.
	
		Fato originado de crime
 No caso da pretensão a ser deduzida em sede de ação civil originar-se de fato a ser apurado no juízo criminal, a prescrição não correrá antes da sentença criminal transitar em julgado. Art. 200: \u201c Quando a ação originar-se de fato que se deva apurado em juízo criminal, não correrá a prescrição antes da sentença criminal transitar em julgado.\u201d Nada obstante o juízo criminal distinguir-se do civil, não raro, reparação civil advém de ilícito criminal. O mesmo fato, inclusive pode implicar em decisões diferentes, alguém ser absolvido no crime e condenado civilmente, porém, a recíproca não é verdadeira, se condenado no crime, também o será no cível, ou, naturalmente, absolvidas ou condenadas igualmente, em ambos. O artigo em comento diz respeito a existência de prejudicial criminal, ou seja, de ação criminal sobre o fato a ser decidido no âmbito civil. Determina a lei civil que somente depois da decisão definitiva do juízo criminal é que começará a correr o prazo prescricional da pretensão deduzida na esfera civil. 
		Solidariedade e indivisibilidade
	Relativamente aos efeitos da prescrição para credores solidários, o art. 201, a regra é não alcançar os demais credores, salvo no caso de indivisibilidade do crédito. Pela regra, suspende a prescrição em