Notas sobre atos e negócios jurídicos_REVISTO
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Notas sobre atos e negócios jurídicos_REVISTO


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relação a um dos credores, nada obstante solidários, os demais se aproveitam dessa suspensão se a obrigação for indivisível. Quando se tratar de créditos solidários mas divisíveis, ante a possibilidade jurídica de divisão dos efeitos, da suspensão em relação a um os demais não se aproveitam, a prescrição corre em favor exclusivo do credor precribente. Somente no caso da indivisibilidade da obrigação é que todos os demais credores solidários aproveitam da suspensão, na dicção do art. 201:\u201c Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os outros se a obrigação for indivisível.\u201d
 Causas interruptivas da prescrição 
Na interrupção da prescrição, cessa o curso de contagem do prazo em face de alguma causa prevista pela lei a fim de produzir esse efeito. Ocorre a interrupção quando o direito é afirmado ou reclamado, obstando, a inação e a incerteza. Dessa maneira, reintegrando-se o direito, a prescrição que fluía em desfavor desse direito é interrompida e todo o prazo anterior é desconsiderado, pois só recomeça a contar da data do ato que interrompeu.
Na dicção do art. 202, o efeito da interrupção somente poderá acontecer uma única vez: 
\u201cA interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á: I - por despacho do juiz, ainda que incompetente, que ordenar a citação; II - por protesto, nas condições do inciso antecedente; III - por protesto cambial; IV- pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores; V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor. Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último do processo para a interromper.\u201d
Observa-se que o fundamento da interrupção é uma ação ou um exercício de direito que demonstram a manifestação de vontade do agente de impedir o curso da prescrição. A causa de interrupção resultará sempre de um ato do agente a fim de provocar o juízo, protestar ou constituir em mora o devedor, de modo a demonstrar, de forma precisa, a defesa do direito contra o qual corre o prazo prescricional.
		Legitimidade para interromper a prescrição
Na dicção do art. 203: 
\u201cA prescrição pode ser interrompida por qualquer interessado.\u201d
 Trata-se do rol das pessoas com legitimidade para intentar a interrupção da prescrição, assim, o próprio titular do direito em via de prescrição, o representante legal e o terceiro interessado. 
Pelo titular do direito com muita propriedade, posto que, contra ele e pela sua inércia, é que corre o lapso temporal da prescrição, é de se esperar que venha a agir a fim de interromper a prescrição. Quanto ao representante, a regra engloba os dois tipos de representação: a legal e a convencional. Portanto, qualquer deles está legitimado para interromper a prescrição, assim, os pais, os tutores, os curadores ou os mandatários. O terceiro é aquele que, nada obstante não ser parte na ação, nem como autor, nem como réu, é legitimado em face de interesse econômico ou moral certo e atual, de maneira que, se a prescrição viesse a ocorrer, isso acarretaria, para os mesmos, prejuízo patrimonial ou moral. Exemplo: o responsável subsidiário em obrigação ante a provável insolvência do titular da obrigação se a prescrição desfalca o patrimônio do titular. 
		Efeitos da interrupção da prescrição
Os efeitos da prescrição são divididos em objetivos e subjetivos. Os objetivos incidem, primeiramente, sobre a própria prescrição, mas alcançam, por via reflexa, a ação e, também, o direito. Os efeitos subjetivos alcançam as pessoas com interesse na ação, o titular, o mandatário e os terceiros interessados.
 
	Pelo art. 204: 
\u201cA interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; semelhantemente, a interrupção operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, não prejudica os demais coobrigados. § 1º A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros; § 2º A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis; § 3º A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.\u201d 
 De acordo com a norma de interrupção da prescrição, no caso de pluralidade de agentes, a regra geral é que a interrupção da prescrição promovida por um credor, um herdeiro ou um coobrigado, dessa interrupção não aproveita aos demais credores, herdeiros ou coobrigados. Excetua a regra os casos de obrigações ou direitos solidários e indivisíveis. Essa exceção se justifica pela extensão da eficácia legal da solidariedade segundo a qual credores ou devedores, agentes ativos ou passivos, representam uma unicidade no crédito ou no débito. Logicamente, torna-se impossível, juridicamente, a um credor isolado ou a um devedor apenas, nestas condições, aproveitar da prescrição sem que todos os demais também aproveitem. Quanto à prescrição interrompida contra o devedor, alcançar o fiador segue o princípio de que o acessório acompanha o principal, tendo-se em vista que a fiança é um contrato acessório.
 	
			Prazos da prescrição
A seção IV do Código trata dos prazos da prescrição, fixando em 10 anos a regra, sem distinção quanto a direito real ou pessoal, ou à ausência, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. Neste sentido, há um prazo geral de dez anos e prazos especiais quando a lei determina prazos menores de dez anos. Diz o art. 205: 
\u201cA prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor.\u201d 
A regra é clara: não havendo prazo menor determinado em lei, aplica-se o prazo geral de prescrição de dez anos.
Entendemos que o artigo representa retrocesso em relação a princípios e fundamentos da prescrição consagrados no revogado Código de 1916.
 
 A nosso ver, o art. 177 do Código de 1916 adotava melhor técnica ao fixar prazos diferentes da regra geral de prescrição, vinte anos para os direitos pessoais e dez anos para os direitos reais, e não nos parece técnica adequada tratar, indistintamente, direitos reais e direitos pessoais. 
 O Código de 2002 fixou em dez anos o prazo geral de prescrição tanto para a pretensão de direitos pessoais quanto para a pretensão relativa a direitos reais, sem relevar as diferenças básicas de ambos para fins de prescrição. A pretensão pessoal diz respeito à ação para fazer assegurar direitos decorrentes de uma obrigação de dar, fazer ou não fazer alguma coisa, pela força da lei ou da convenção das partes. Já a pretensão nas ações reais tem por escopo fazer valer direitos de propriedade ou alguns direitos que lhes são pertinentes. 
 A nosso ver, deveria o legislador fixar prazos mais dilatados para a prescrição sobre direitos pessoais. Esse prazo maior se justifica pela probabilidade do devedor insolvente conseguir recuperar a sua fazenda e obter meios econômicos no lapso de tempo mais elástico para saldar suas dívidas e obrigações. Porém, a técnica adotada no Código manteve os dez anos de prescrição para os direitos reais e reduziu para dez anos o prazo dos direitos pessoais, que era de vinte anos. A ordem jurídica não se interessa em beneficiar os maus pagadores, logo, essa fixação do prazo único reduzido, apenas, o prazo da prescrição de direitos pessoais parece contrariar a sistemática da própria codificação. 
		Prazos especiais
 No que pertine aos prazos especiais de prescrição, o art. 206 do Código Civil estabelece regras claras, assim, esses prazos são anuais, bienais, trienais, quatrienais ou quinquenais. O titular da pretensão contra a qual corre a pretensão deve observar o prazo de prescrição das ações previstas nesse artigo a fim de verificar