Notas sobre atos e negócios jurídicos_REVISTO
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Notas sobre atos e negócios jurídicos_REVISTO


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só decreta de ofício a decadência fixada em lei
 
	 O juiz só deve conhecer de ofício da decadência fixada pela lei, ou seja, ao constatar a ocorrência do prazo legal de decadência, o julgador deve decretá-la independentemente de requerimento nesse sentido da parte a quem aproveita. Na dicção do art. 210: 
\u201cDeve o juiz, de oficio, conhecer da decadência, quando estabelecida por lei.\u201d
 No entanto, quando se tratar de decadência convencional, não cabe ao juiz conhecê-la de ofício, sendo-lhe defeso decretá-la, porque a lei estabelece que, neste caso específico, compete à parte beneficiada pela decadência contratual alegá-la em qualquer juízo ou grau de jurisdição. Art. 211: 
\u201cSe a decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação.\u201d
	Do que foi tratado sobre a decadência, resumidamente, ressaltamos que o prazo de decadência não se suspende. O prazo decadencial pode decorrer da lei ou de convenção das partes, sendo que os prazos legais são irrenunciáveis e os convencionais podem ser renunciados pela parte a quem aproveita. O prazo legal de decadência deve ser decretado de ofício pelo juiz, mas, no caso da decadência convencional, é defeso ao juiz conhecê-la de ofício. Prazos legais de decadência são todos aqueles fixados pelo Código na Parte Geral e na Parte Especial, excetuando-se os prazos dos artigos 205 e 206 de prescrição. 
	Provas 
	Entende-se por prova no âmbito civil os meios utilizados pelo interessado para demonstrar a veracidade das suas alegações a fim de firmar o convencimento do juízo quanto à controvérsia dos negócios jurídicos. Com efeito, os fatos notórios ou incontroversos prescindem de comprovação pelas partes. 
	
 Os fatos relativos ao negócio jurídico podem ser provados por qualquer meio, desde que legalmente admitido, de maneira que a parte possa demonstrar a procedência das suas alegações deduzidas em juízo.
A prova deve conter certos requisitos como a admissibilidade e a adequação ou pertinência de maneira a prestar-se à conclusão do julgador da lide. Neste sentido, a admissibilidade do meio de prova é o primeiro requisito de sua validade, posto que a ordem jurídica assim não confere validade aos meios de prova ilegais, ilícitos ou ilegítimos. 
A robustez de evidência, quando a lei exige forma ao negócio jurídico, só é obtida mediante a comprovação da forma fixada na lei. Ademais, se determinado meio prova é defeso em lei como para provar certos atos, tais meios, nada obstante lícitos para outros fins, não valem evidentemente para os casos vedados pela ordem jurídica. 
A apresentação da prova incumbe ao autor, como regra, pois cabe a quem alega os fatos comprovar esses fatos. Ao demandado, em geral, cabe, na sua resposta, demonstrar o contrário e, se for o caso, apresentar a contraprova. Em casos específicos, previstos em lei especiais, admite-se inversão do ônus da prova, a exemplo do Código de Defesa do Consumidor, que transfere ao comerciante ou ao fornecedor o dever de provar que as alegações dos consumidores não procedem nas ações movidas por estes contra aqueles. 
A adequação ou pertinência do meio é indispensável para se chegar aos fins, no caso, a pertinência da prova deve conduzir o julgador à conclusão do fato controverso. Diz-se que o meio de prova é pertinente porque devem ater aos fatos controvertidos da questão discutida e, por via de consequência, permitir a elucidação das controvérsias.
 
 Nesta perspectiva, excetuando-se os meios de provas defesos em lei, as provas ilegais ou ilícitas, provas desprovidas de idoneidade, as quais, por óbvias razões, a ordem jurídica não confere validez, todo e qualquer meio de prova pode ser utilizado pela parte visando demonstrar a veracidade das suas alegações. 
	Os meios probatórios arrolados no artigo 212 do Código Civil, a saber, confissão, documentos, testemunha, presunção e perícia não são taxativos, nem poderiam, já que todos os meios lícitos provam os fatos jurídicos. Nos atos formais a que a lei impõe determinada forma à realização, a prova da evidência dos fatos se dá pela comprovação formal. Na inteligência do art. 212, tem-se uma enumeração exemplificativa dos meios de prova: 
\u201cSalvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I - confissão; II - documentos; III - testemunha; IV - presunção; V - perícia.\u201d
	Confissão
 Quando a parte admite ou reconhece como verdadeiros os fatos contrários aos seus interesses, faz prova de confissão dos fatos alegados pela outra parte. A confissão pode ser judicial ou extrajudicial, conforme o reconhecimento das alegações contrárias tenham se dado no curso de processo judicial ou fora do juízo ao qual foi trazida para fins probatórios. 
 
 Tendo em vista que confessar fatos aduzidos contra si mesmo é ato exclusivo da parte, o confidente, e apenas ele, faz a confissão, pessoalmente, ou através de procurador com poderes especiais. Descabe falar em confissão de terceiros, mas a confissão pode ser expressa ou tácita. Será expressa quando a parte confidente admite os fatos contra si, verbalmente ou por escrito. Diz-se tácita no caso de silêncio ou inação da parte que, voluntariamente, deixa de contentar ou opor-se contra os fatos contrários aos seus interesses aduzidos pela outra parte. A confissão de pessoa incapaz de dispor do direito referido nos fatos confessados, ou coatas, não tem eficácia. Na inteligência do art. 213: 
\u201cNão tem eficácia a confissão se provém de quem não é capaz de dispor do direito a que se referem os fatos confessados. Parágrafo único. Se feita a confissão por um representante, somente é eficaz nos limites em que este pode vincular o representado.\u201d 
Segue que a confissão deve ser ato voluntário e exclusivo da própria parte, não tendo eficácia jurídica a confissão de terceiro sem capacidade de dispor dos fatos aduzidos, tampouco as confissões através de procurador que extrapolem os limites expressos do mandato. 
	O confidente coato declara algo contra si próprio não por reconhecer os fados contrários, mas premido pela circunstância de temor fundado e iminente. Também o confidente sem a noção exata dos fatos ou os ignorando, não faz declaração verdadeira sobre os fatos que se pretende esclarecer. Dessa maneira, a confissão errônea ou obtida através de coação corrompe a confissão, que pode ser anulada pelo interessado. 
	
 Neste sentido, é a dicção do art. 214: 
\u201cA confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro ou de coação.\u201d
A confissão válida é irretratável, ou seja, ao admitir contra si mesmo os fatos, não pode o confesso revogar o que foi dito em seu desfavor. No entanto, os casos de erro de fato ou coação, fatores que viciam a vontade do confidente permitem que o prejudicado requeira a anulação a fim de tornar sem efeito os fatos confessados em face da falta de idoneidade do meio.
	Documentos 
 Quaisquer escritos, públicos ou particulares, cartas, telegramas, certidões, contratos, registros, artigos de periódicos, livros, diários, agendas, recibos, fichas, portarias, autorizações, dentre outros, são meios probatórios classificados como documentos. No sentido amplo, não inclui apenas os escritos, pois entram nessa classe as fotografias, filmagens, gravações ou quaisquer reproduções mecânicas ou eletrônicas que façam prova dos fatos. 
 Os documentos públicos são emitidos por autoridades públicas ou pessoas investidas de função dotada de fé pública e, assim, não lhe exigindo a lei outros requisitos, esse documento faz prova plena. 
		
	
Escritura pública
 Bastante detalhada da escritura pública em face da sua relevância no âmbito dos negócios jurídicos. Documento dotado de fé pública, a escritura é lavrada em vernáculo pelo tabelião em notas, contendo a qualificação das partes,