Notas sobre atos e negócios jurídicos_REVISTO
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Notas sobre atos e negócios jurídicos_REVISTO


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a declaração de vontade, assinatura pessoal, ou a rogo, tradutor público ou juramentado, quando for o caso e assim por diante. Art. 215, verbis: 
\u201cA escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. § 1º Salvo quando exigidos por lei outros requisitos, a escritura pública deve conter: I - data e local da sua realização; II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas; III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais comparecentes, com a indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação; manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; IV - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do ato; V - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que todos a leram; VI \u2013 assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu substituto legal, encerrando o ato; § 2º Se algum comparecente não puder ou não souber escrever, outra pessoa capaz assinará por ele, a seu rogo; § 3° a escritura será redigida na língua nacional. § 4º Se qualquer dos comparecentes não souber a língua nacional e o tabelião não entender o idioma em que se expressa, deverá comparecer tradutor público para servir de intérprete, ou, não o havendo na localidade, outra pessoa capaz que, a juízo do tabelião, tenha idoneidade e conhecimento bastantes. § 5° Se algum dos comparecentes não for conhecido do tabelião, nem puder identificar-se por documento, deverão participar do ato pelo menos duas testemunhas que o conheçam e atestem sua identidade.\u201d
Certidões e traslados
	As certidões e os traslados possuem a mesma força probatória dos documentos originais dos quais foram extraídos. São passados pelo próprio escrivão, ou à sua vista, extraídos de livro sob a sua guarda, o que dota tais documentos de fé pública. A certidão pode conter o inteiro teor ou o resumo do que consta de livro de registro. O traslado de autos consiste da reprodução ou cópia de documentos autuados em processo, subscrito pelo escrivão ou recuperado por outro escrivão. Na regência do art. 216: 
\u201cFarão a mesma prova que os originais as certidões textuais de qualquer peça judicial, do protocolo das audiências, ou de outro qualquer livro a cargo do escrivão, sendo extraídas por ele, ou sob a sua vigilância, e por ele subscritas, assim como os traslados de autos, quando por outro escrivão consertados.\u201d
 	A norma de regência do art. 217 trata da mesma matéria do artigo antecedente, referindo-se, todavia, à certidão e traslado passados pelo tabelião. O artigo 216 refere-se ao escrivão e, convenhamos, uma simples redação abrangente dispensaria o presente artigo: 
\u201cTerão a mesma força probante os traslados e as certidões, extraídos por tabelião ou oficial de registro, de instrumentos ou documentos lançados em suas notas.\u201d
	Na dicção do 218: 
\u201cOs traslados e as certidões considerar-se-ão instrumentos públicos, se os originais houverem produzidos em juízo como prova de algum ato\u201d. 
Neste caso, a lei confere aos traslados e certidões extraídos de originais apresentados em audiências ou constantes dos autos o mesmo valor probatório do traslado ou da certidão passados pelo tabelião. Também este artigo se afigura repetitivo, desnecessário dizer, mais uma vez, que as certidões e traslados extraídos de originais de cartórios da organização judiciária são instrumentos públicos e dotados de fé pública. São instrumentos públicos os documentos, públicos ou particulares, emitidos, certificados ou trasladados pela autoridade pública. 
	Presunção juris tantum das declarações
	No que diz respeito ao teor das declarações constantes dos documentos públicos ou privados, não do documento em si, mas do que nele está declarado, a lei presume como verdadeiras as declarações em relação aos seus signatários. Dita presunção tem alcance limitado pela lei às declarações principais e às partes legítimas. Não se presumem verdadeiras as declarações enunciativas sem relação direta com a declaração, cabendo o ônus da prova dessas declarações a quem interessar. A presunção é juros tantum, assim, admite prova em sentido contrário. Diz o art. 219: 
\u201cAs declarações de documentos assinados, presumem-se verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus da prova.\u201d 
 Prova da anuência ou autorização
	Nos casos de atos que necessitam da anuência ou da autorização de outra pessoa, a exemplo da outorga uxória em transmissões de imóveis de pessoas casadas sob qualquer regime de bens, exceto o da separação total, ou a autorização de pais ou responsáveis em certos atos praticados pelos incapazes civis, a prova da anuência, aceite, concordância ou autorização será feita de igual modo e deve constar do próprio instrumento, se possível. O art. 220 estabelece: 
\u201cA anuência ou a autorização de outrem, necessária à validade de um ato, provar-se-á do mesmo modo que este, e constará, sempre que se possa, do próprio instrumento.\u201d
	Instrumento particular: prova e supressão
	O instrumento particular deve ser assinado pelas partes interessadas que estejam na livre disposição de seus bens, de modo que a declaração de vontade ou o contrato são meios idôneos de prova das obrigações avençadas, independente do seu valor. Mas os efeitos jurídicos só se operam em relação a terceiros depois do registro público, inclusive o efeito da cessão. Na dicção do art. 221: 
\u201cO instrumento particular feito e assinado, ou somente assinado, por quem esteja na livre disposição e administração dos seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. A prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de caráter legal\u201d.
No caso de perda ou extravio do instrumento particular, a declaração de vontade pode ser provada por qualquer outro meio idôneo.
 Autenticidade de telegrama
 Trata o art. 222 do valor probatório de telegrama cuja autenticidade se contesta. Cabe à parte a quem interessar o valor probatório do telegrama apresentar o original assinado pelo remetente. Não apresentado o original assinado, desconsidera-se a prova. Art. 222: 
\u201cO telegrama, quando lhe for contestada a autenticidade, faz prova mediante conferência com o original assinado.\u201d
	Cópia fotográfica de documento
	A cópia fotográfica de documentos possui valor probatório, porém quando devidamente conferida com os originais pelo tabelião de notas. Nada obstante, a parte contrariada com essa prova pode contestar à veracidade da fotografia, caso em que a parte impugnada deverá apresentar o original. Também se apresentam os originais quando a lei ou as circunstâncias determinarem. Na dicção do art. 223: 
\u201cA cópia fotográfica de documento, conferida por tabelião de notas, valerá como prova de declaração da vontade, mas, impugnada sua autenticidade, deverá ser exibido o original. Parágrafo único. A prova não supre a ausência do título de crédito, ou do original, no caso em que a lei ou as circunstâncias condicionarem o exercício do direito à sua exibição.\u201d
				
	Língua portuguesa
	Os documentos devem ser redigidos em língua portuguesa e os contratos ou instrumentos escritos em língua estrangeira devem ser traduzidos para o vernáculo - tradutor oficial ou juramentado - e registrados no respectivo cartório de títulos e documentos a fim de produzir os efeitos legais no Brasil. Diz o art. 224: 
\u201cOs documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais