NOTAS SOBRE A INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO NO CÓDIGO CIVIL
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NOTAS SOBRE A INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO NO CÓDIGO CIVIL


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contagem. Não se podia iniciar a contagem do prazo para anular um ato deturpado pela coação antes da condição do coagido cessar. Sem o coagido estar livre e apto para agir juridicamente. O mesmo vale para os incapazes. Somente de cessar a incapacidade civil eles estão aptos à defesa dos interesses e direitos. 
O prazo de decadência de 4 anos reduz-se para 2 anos no caso de anulabilidade do ato por determinação de lei omissa quanto ao prazo de anulação do ato. É o teor do art. 179: \u201c Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato.\u201d
Somente quando a lei declarar que determinado ato é anulável e omitir o prazo de prescrição à anulação, o prazo decadencial será de dois anos a contar da data da conclusão do negócio. Todos os demais casos seguem a regra do quatriênio decadencial.
 
A proteção dos menores não serve de pálio para escusar o menor relativamente incapaz das obrigações assumidas se o menor intencionalmente, ocultou ou omitiu a condição de incapaz. É o teor do artigo 180: 
\u201cO menor entre dezesseis e vinte e um anos não pode eximir-se da obrigação pela idade que dolosamente a ocultou, inquirido pela outra parte ou se, no ato de se obrigar, espontaneamente se declarou maior\u201d. 
No caso de anulação do negócio jurídico em face da incapacidade do agente, compete a outra parte comprovar a reversão em favor do menor da importância paga. Não cabe ao incapaz o ônus da provar o não recebimento da importância cuja reversão foi alegada pelo capaz a teor do artigo 181:
 \u201c Ninguém pode reclamar o que pagou a um incapaz, se não provar que reverteu em proveito dele a importância paga em obrigação paga\u201d. 
 Anulado o negócio jurídico, no caso de comprovação do pagamento em proveito do menor o seu representante legal restituirá a quantia paga. Não se provando o pagamento em favor do incapaz, este não se obriga a devolver o pagamento alegado pelo maior. Não se trata isentar o menor do dever de devolução de importância paga, mas fazê-lo por quem o representa e mediante comprovação do pagamento. 
O escopo da lei não é favorecer uma das partes na anulação do negócio jurídico, mas evitar que alguma parte obtenha vantagem pela condição de experiência em detrimento da inexperiência alheia, pela má-fé em prejuízo da boa-fé, ou outra circunstância. Neste sentido, busca-se restabelecer o estado anterior à celebração do negócio jurídico declarado inválido. Possibilitar às partes condições idênticas as que elas se encontravam antes do negócio defeituoso haver se realizado. Não sendo isso possível, busca-se restituir as condições pré-negociais obrigando a parte que de ensejo à anulação indenizar a parte lesada. Na dicção do art. 182:
 \u201c Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente.\u201d 
O escopo da norma jurídica é convalidar o negócio jurídico resultante de livre manifestação de vontade geradora de ato praticado com boa-fé. Nessa direção, aproveitar o negócio jurídico e fazer produz eficazes, mesmo quando o instrumento indutor do negócio seja inválido. Contanto que se comprove a idoneidade da declaração de vontade por outro meio, qual diz o artigo 183:
 \u201c A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico, sempre que puder provar-se a validade do negócio por outro meio.\u201d 
Prevalece o respeito à intenção das partes no negócio, mesmo nos negócios parcialmente prejudicados por algum vício ou defeito. Sendo possível, física e juridicamente, separar a parte válida da parte anulável, a parte válida subsiste. A parte inválida só prejudica a parte válida se o objeto do negócio for indivisível, ou se a obrigação principal. A anulação da obrigação principal alcança a obrigação acessória, porém, a anulação de obrigação acessória não anula a obrigação principal. É o teor do artigo 184: 
\u201c Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se este for separável. A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal.
Rosana Costa
Rosana Costa fez um comentário
muito bom!
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