NOTAS SOBRE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA_REVISTO
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NOTAS SOBRE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA_REVISTO


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o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual; 
 II - por protesto, nas condições do inciso antecedente;
III - Por protesto cambial;
IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores; 
V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; 
VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor.
Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último do processo para a interromper\u201d.
O fundamento da interrupção reside na ação ou no exercício do direito, na demonstração da vontade do credor do direito patrimonial em haver o respectivo direito e impedir a continuação da contagem do prazo da prescrição. A causa de interrupção resulta, sempre, de ato comissivo do credor, seja promovendo a competente ação de cobrança em juízo, seja protestando judicial ou extrajudicialmente o título, seja constituindo em mora o devedor, seja demonstrando, por qualquer ato, a certeza da defesa do direito contra o qual corre o prazo prescricional.
Legitimidade para interromper a prescrição
Pela dicção do artigo 203: 
\u201cA prescrição pode ser interrompida por qualquer interessado.\u201d 
Trata-se das pessoas legitimadas à interrupção da prescrição. Além do próprio credor ou titular do direito contra quem corre o prazo da prescrição, legitimam-se o representante legal e o terceiro interessado.
 
Para o credor do direito com toda propriedade vez que contra ele corre o prazo da prescrição por ele estar, até então, inerte. Se o titular age em tempestivamente, interrompe o prazo da prescrição que contra ele fluía. Sobre o representante, a regra alcança as duas espécies de representação, a decorrente da lei e a convencional. Assim, pais, tutores, curadores, síndicos, inventariantes, liquidantes, procuradores, mandatários, representantes legais em geral, todos eles estão legitimados a agir e interromper a prescrição. Terceiro interessado é a pessoa que, apesar de não ser autor nem réu na relação processual, tem legitimidade para compor a lide em virtude de legítimo interesse econômico ou moral na ação, de maneira que ocorrendo a prescrição, teria comprovado prejuízo patrimonial ou moral. Tome-se o exemplo de atos do responsável subsidiário da obrigação diante da provável insolvência do titular da obrigação. Embora terceiro, tem interesse em interromper a prescrição a evitar o desfalque do patrimônio do titular que, sendo dissipado, alcança o seu patrimônio. 
Efeitos da interrupção da prescrição
Os efeitos da prescrição podem ser classificados em efeitos objetivos e subjetivos. Os efeitos objetivos incidem, primeiramente, sobre a própria prescrição, porém, alcançam, pela via indireta, a ação e também o direito. Os efeitos subjetivos alcançam as pessoas com interesse na ação, o credor do direito, os representantes e terceiros interessados.
 
	Diz o artigo 204:
 	\u201cA interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; semelhantemente, a interrupção operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro,não prejudica os demais coobrigados. § 1º A interrupção pôr um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros; § 2º A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis; § 3º A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.\u201d 
 A norma de interrupção da prescrição no caso da pluralidade de gados tem duas aplicações diferentes conforme o caso específico. Se a interrupção da prescrição é promovida por um credor, um herdeiro ou um coobrigado, dessa interrupção não se aproveitam os demais credores, herdeiros ou coobrigados. Porém, esta regra é excepcionada nos casos de obrigações ou direitos solidários e indivisíveis. Justifica-se pela extensão da eficácia legal da solidariedade segundo a qual credores ou devedores, agentes ativos ou passivos, representam uma unicidade no crédito ou no débito. Portanto, torna-se impossível, juridicamente, a um credor isolado ou a um devedor apenas, nestas condições, aproveitar-se da prescrição sem que todos os demais não aproveitem. O parágrafo terceiro diz respeito à prescrição interrompida contra o devedor que alcança o fiador, pela regra do acessório acompanhar o principal, tendo-se a fiança como contrato acessório.
 	
Prazos da prescrição
O Código trata dos prazos da prescrição em apenas dois artigos: fixa um prazo geral de 10 anos e os demais prazos variáveis de 1 a 5 anos. Sob certo aspecto, melhorou a técnica em relação ao Código de 16, que fixava prazos variáveis em extenso leque, que ia dos dez dias aos vinte anos. Porém, piorou em outro aspecto técnico, comparativamente ao código antecedente, por não fazer distinção entre prazos para os direitos reais e prazos para os direitos pessoais.
 
Segue que a lei vigente estabelece simplesmente prazo geral de dez anos e prazos especiais quando a lei determina prazos menores de dez anos. É o teor do art. 205:
 \u201cA prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor.\u201d
 
A aplicação é prática: se não há prazo menor expresso na lei, aplica-se o prazo geral de prescrição de dez anos.
Apesar da inegável praticidade e facilitação, entendo que o artigo traz retrocesso comparativamente aos princípios e fundamentos da prescrição consagrados no Código de 1916.
 
 A meu ver, o artigo 177 do Código de 1916 revogado adotava melhor técnica fixando prazos diferentes na regra geral de prescrição: vinte anos para os direitos pessoais e de dez anos para os direitos reais. Considero grosseiro erro tratar, indistintamente e igualmente, os direitos reais e os direitos pessoais sob qualquer aspecto jurídico, o prescricional inclusive. 
 Mas o legislador de 2002 fixou em dez anos o prazo geral de prescrição tanto para a pretensão de direitos pessoais quanto aos direitos reais. Desconsiderou, em nome da praticidade, diferenças básicas entre a natureza jurídica e a pretensão pessoal que diz respeito às ações que asseguram direitos das obrigações de dar, fazer, ou não fazer - por força da lei ou por convenção das partes - e a pretensão das ações reais cujo escopo faz valer direitos de propriedade ou certos direitos que lhes são pertinentes. 
 Entendo que o legislador devia fixar prazos mais dilatados para a prescrição relativas aos direitos pessoais. O prazo maior se justifica ante a probabilidade do devedor insolvente lograr recuperação da fazenda e obter meios econômicos num lapso de tempo maior e assim em condições de saldar dívidas e obrigações. Porém, a técnica adotada pelo legislador do Código do terceiro milênio desconsidera tais \u201cfiligranas\u201d e fixa em dez anos de prescrição regra geral, que se aplica aos direitos reais e aos pessoais. De uma cajadada, reduziu em metade o prazo dos direitos pessoais, que era de vinte anos. Eles sabem o que fazem.
Prazos especiais
 Relativamente aos prazos especais de prescrição, estabelece o artigo 206 do Código Civil as regras claras: prazos anuais, bienais, trienais, quatrienais e quinquenais. O titular da pretensão contra a qual corre a pretensão deve observar o prazo de prescrição das ações previstas nesse artigo a fim de verificar da ocorrência, ou não, da prescrição. Diz: \u201cArt. 206. Prescreve. § 1º Em um ano: I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio estabelecimento, para pagamento da hospedagem ou dos alimentos; II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o prazo: a) para o segurado, no caso de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou data que a este indeniza,