Direito Penal
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com supremacia ou hegemonia o curso do fato, o se e o como da 
obra comum, ele predomina sobre os demais. Como senhor do fato, cabe a ele não apenas liderar o 
desencadeamento causal, como também imprimir-lhe direção ou sentido. Daí porque a conduta do 
autor é a realização do tipo objetivo e subjetivo, podendo fazê-lo pessoalmente ou por intermédio de 
outra pessoa. Aplica-se apenas aos crimes dolosos, pois nos culposos, ninguém tem domínio final de 
nada. Há, pois, as seguintes possibilidades: 
 
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a) autoria direta ou imediata: realização pessoal do tipo objetivo e do subjetivo; 
 
b) autoria indireta ou mediata: realização do tipo por meio de um executor não punível, que se 
transforma em mero objeto, instrumento nas mãos do autor mediato. Pode ocorrer a autoria me-
diada quando o agente: 
 
" induz ou determina o cometimento de crime por inimputável; 
" pratica coação moral irresistível; 
" provoca dolosamente em terceiro o erro de tipo escusável; 
 
Numa perspectiva ainda mais extensiva, seria autor tanto quem tem o domínio final do fato (controle 
absoluto do processo causal), que é o caso do autor intelectual, como quem tem o domínio funcional 
do fato (mesmo não tendo praticado fato típico e não tendo controle total da situação, interfere e co-
labora de forma necessária e indispensável para a realização do crime; sua posição de destaque é 
suficiente para receber tratamento de autor, e não de partícipe). De ver-se que não é posição unâni-
me, pois haveria, nesse particular, uma incerteza desnecessária entre os conceitos de autor e partíci-
pe. 
 
4. CO-AUTORIA 
 
Já a realização comum do núcleo do tipo, em regime de cooperação consciente, origina a primeira 
espécie de concurso de pessoas: a co-autoria, em que há convergência do tipo objetivo e do subjeti-
vo, implicando que todos vão responder pelo mesmo crime. Dependendo da estrutura do crime, como 
no caso dos crimes complexos, pode haver distribuição da conduta típica \u2013 ex: nos crimes de estupro 
ou roubo, há co-autoria se um dos agentes aplica a violência ou grave ameaça e o outro pratica a 
conjunção carnal ou a subtração. Não se confunde, outrossim, com a autoria mediata, pois todos, 
executores ou senhores do fato, são puníveis. 
 
Os crimes de mão própria não admitem a co-autoria porque exigem a realização solitária \u2013 ex: falso 
testemunho. Já os delitos plurissubjetivos são de realização concursal necessária \u2013 exs: bigamia, 
quadrilha ou bando. 
 
E os crimes unissubjetivos admitem tanto a autoria singular, quanto a plural (co-autoria, participação) 
\u2013 o concurso é eventual \u2013 sendo necessário, no caso de participação, invocar-se a norma de adequa-
ção típica indireta. 
 
No que se refere aos crimes culposos, só é admitida a co-autoria, não a participação. Nos crimes 
culposos, não se cogita de cooperação no resultado, mas sim na causa (Delmanto). Sendo o tipo 
culposo violar finalisticamente o dever objetivo de cuidado, cabendo ao juiz, no caso concreto, verifi-
car a sua ocorrência (tipo aberto), quem realizar tal conduta será co-autor, e não partícipe. 
 
5. PARTICIPAÇÃO 
 
Há tarefas diferentes na realização do mesmo delito, como ocorre em qualquer atividade humana, e 
pode acontecer que alguns sujeitos tenham apenas contribuído para a mesma obra. 
 
Participação é a contribuição causal e finalista ao fato típico e ilícito realizado pelo autor. Por meio 
dela, forma-se um vínculo entre quem realiza a conduta de autor e quem, eventualmente, coopera de 
alguma forma por uma conduta de partícipe. Sua punibilidade fundamenta-se no fato de que, embora 
não realize a conduta diretamente típica, ele adere à conduta do autor, e o tipo legal atinge-o indire-
tamente, por meio de uma norma de subordinação mediata, que é o art. 29, CP \u2013 como acessório, 
segue o destino do principal. Existem algumas teorias a respeito: 
 
\u2022 acessoriedade mínima: a punição do partícipe deve se dar desde que o agir do autor seja ao me-
nos típico; inconveniente porque permitiria a punição de quem ajuda alguém a se defender legiti-
mamente; 
\u2022 acessoriedade extrema: para a punição do partícipe, é preciso que o fato praticado pelo autor seja 
típico, antijurídico e culpável; inconveniente porque a culpabilidade é individual (não se permitiria a 
punição de quem ajuda um inimputável a matar alguém); 
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\u2022 acessoriedade limitada: o partícipe será punido quando o agir do autor seja típico e antijurídico - é 
a adotada pelo CP. 
 
A participação será impunível quando, havendo atos de ajuste, determinação, instigação e auxílio, 
não chega a iniciar-se o ato de execução do crime, salvo hipóteses previstas expressamente (art. 31). 
 
A participação supõe adesão até a consumação do crime cometido pelo autor. O momento da adesão 
define a modalidade de participação: intelectual ou moral (instigação, induzimento) e material ou auxi-
liar (de preparação ou de execução). Se a adesão ocorrer até a consumação, o auxílio posterior, pre-
viamente acertado, configura participação. O limite temporal da participação, contudo, vai até a con-
sumação. Após consumado o delito, o agente não responde por mais nada. A contribuição posterior à 
consumação do delito poderá consistir em outro delito (ex: ocultação de cadáver posterior ao homicí-
dio, favorecimento real, favorecimento pessoal, etc.) 
 
6. REQUISITOS DO CONCURSO DE PESSOAS 
 
Os requisitos são: 
 
a) pluralidade de agentes e de condutas 
 
b) relevância causal das condutas \u2013 isto se traduz no fato de que, se eliminada mentalmente, o 
autor não teria realizado o crime como realizou. 
 
A participação tanto pode ser comissiva ou omissiva. Ressalte-se que pode haver participação co-
missiva em crime comissivo, pode haver também participação omissiva em crime comissivo. Neste 
caso, deve-se verificar se o partícipe ocupava a posição de garantidor, pois, se o for, será autor ou 
co-autor para Cezar Bitencourt, ou partícipe para Damásio de Jesus. 
 
Pode, também, haver participação comissiva em crime omissivo (ex: alguém instiga o agente a não 
prestar socorro). O que não pode existir é participação omissiva em crime omissivo. Nesse caso, há 
co-autoria. 
 
O mero conhecimento da prática do crime por terceiro é mera conivência, não punível, pois só há 
participação omissiva se houver o dever jurídico de impedir o crime, na forma do art, 13, § 2º, do Có-
digo Penal. 
 
c) Liame subjetivo \u2013 não é necessário prévio ajuste, basta que exista adesão de uma vontade à 
outra. Não é preciso que o autor saiba da conduta do partícipe, mas este deve conhecer e aderir 
à conduta do Autor. A participação implica adesão consciente e deliberada à finalidade ilícita do 
autor. 
 
Não existe participação culposa em crime doloso e vice-versa (se um dos autores age com dolo e 
outro com culpa, cada um responde pelo tipo subjetivo que realizou, desfeita a convergência de fina-
lidade). 
 
d) unidade do tipo fundamental: a conduta do autor determina qual o tipo fundamental a ser consi-
derado para a punição de todos os que com ele concorreram \u2013 o partícipe responde pelo tipo 
realizado pelo autor, e responde até onde o autor realizou o tipo (tentativa). É a teoria unitária ou 
monista da participação; 
 
7. AUTORIA COLATERAL e AUTORIA INCERTA 
 
Ocorre a autoria colateral quando duas ou mais pessoas realizam simultaneamente o tipo objetivo 
sem que um saiba da conduta do outro. Neste caso, não há concurso de agentes, mas de autoria 
singular, cada qual respondendo pelo crime que cometeu. Ex: Se X e Y, desejando matar Z, ficam de 
tocaia, um sem saber da existência do outro, e quando Z passa, X e Y atiram simultaneamente. X 
atira e erra, e Y atira e mata; X responde por homicídio tentado, e Y por homicídio