Direito Penal
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pecuniária que seria aplicada. 
 
3.3. PERDA DE BENS E VALORES (art. 45, §3o) 
 
A perda de bens e valores visa impedir que o Réu obtenha qualquer benefício em razão da prática do 
crime. Deve-se distinguir o confisco-efeito da condenação do confisco-pena: o primeiro se refere a 
instrumentos e produtos do crime (art. 91, II, a e b), enquanto o segundo relaciona-se com o patrimô-
nio do condenado, indo para o Fundo Penitenciário Nacional, motivo pelo que se questiona sua cons-
titucionalidade. 
 
A perda de bens incidirá sobre o maior dos valores: 
 
\u2022 o montante do prejuízo causado 
 
\u2022 o provento obtido pelo agente ou por terceiro pela prática do crime. 
 
3.4. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE OU A ENTIDADES PÚBLICAS (art. 46) 
 
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A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição de tarefas gratuitas ao condenado, de 
acordo com as suas aptidões, que deverá ser cumprida em entidades assistenciais, hospitais, esco-
las, orfanatos e outros estabelecimentos afins, em programas comunitários ou estatais. 
 
Pode ser aplicada para as condenações superiores a 6 meses de privação de liberdade. Penas inferi-
ores a 6 meses estão sujeitas a outras penas alternativas, não de prestação de serviços à comunida-
de. 
 
A prestação de serviços à comunidade deve ser cumprida à razão de 1 hora de trabalho para cada 
dia da condenação. Em outras palavras, para cada hora de trabalho, o condenado diminuirá um dia 
de condenação. Mas como a prestação de serviços deve, em regra, ter a mesma duração (CP., art. 
55) da pena privativa de liberdade cominada (ex: pena de 9 meses de detenção = 9 meses de presta-
ção de serviços à comunidade), a regra é que o condenado trabalhe uma hora por dia. Contudo, se a 
pena substituída for superior a 1 ano, poderá o condenado cumprir a pena de prestação em menos 
tempo, nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. Isto é, quando a pena substituí-
da for superior a 1 ano, o agente pode trabalhar mais de 1 hora por dia, para cumprir a pena em me-
nos tempo, nunca inferior à metade do tempo da pena fixada. (art. 46, § 4º) 
 
3.5. INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS (art. 47) 
 
Consiste em: 
 
\u2013 proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo ! a 
suspensão é temporária, não precisa ser crime contra a Administração Pública, basta ter havido 
violação dos deveres inerentes ao cargo, função ou atividade. Não se confunde com a perda do 
cargo (efeito da condenação, CP, art. 92, I). 
\u2013 proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de 
licença ou autorização do poder público ! decorre do crime cometido com prática de violação dos 
deveres de profissão, atividade ou ofício. Abrange, por conseguinte, apenas a profissão em que 
ocorreu o abuso, não envolvendo outras profissões que o agente possa exercer. 
\u2013 suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo ! somente para crimes culposos 
de trânsito quando, à época do crime, o condenado era habilitado ou autorizado a dirigir, não se 
aplicando à permissão para dirigir veículos (art. 148, §2o, CTB) porque não prevista em lei; 
\u2013 proibição de freqüentar determinados lugares ! na verdade, é restritiva de liberdade, e não de 
direito; deve haver uma relação criminógena entre o lugar em que o crime foi praticado e a perso-
nalidade (conduta do apenado), não sendo para qualquer tipo de crime, lugar ou infrator. 
 
Pela sua natureza, deve ser aplicada apenas aos delitos relacionados ao mau uso do direito interdita-
do. Possui caráter preventivo especial (impedir a reincidência) e geral (reflexo econômico). Não se 
confunde com os efeitos da condenação do art. 92, visto que estes são sanções éticas ou administra-
tivas, e não penais. 
 
3.4. LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA (art. 48) 
 
Consiste na obrigação de permanecer, aos fins-de-semana, por 05 (cinco) horas diárias, em casa de 
albergado ou outro estabelecimento adequado, no qual serão ministrados cursos e tarefas educati-
vas. 
 
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
As penas restritivas de direito como incidente da execução \u2013 art. 180, LEP. 
 
Tais penas podem ser convertidas em privativas de liberdade pelo tempo restante (faz-se a detração), 
respeitado o saldo mínimo de 30 dias de detenção ou de reclusão (art. 44, §4o, in fine). 
 
Isto se dá quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta (o apenado deve ser 
ouvido) \u2013 de ver-se que, se o descumprimento for da prestação pecuniária, como a CF proíbe a pri-
são por dívida, deve ela ser convertida em dívida de valor e executada como no caso da multa \u2013 ou 
quando sobrevier condenação por crime praticado após a imposição da restrição (se o crime foi prati-
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cado antes, não necessariamente e, se a pena posterior for suspensa ou substituída ou for possível o 
cumprimento das duas condenações de forma simultânea, está autorizada a manutenção da pena 
restritiva). 
 
As causas especiais de conversão, para cada modalidade de pena restritiva de direitos, está na LEP, 
a partir do art. 181. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PENAS PECUNIÁRIAS 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário de quantia fixada na sentença, calcu-
lada em dias-multa. Atinge, portanto, o patrimônio do condenado. 
 
2. APLICAÇÃO 
 
Para a dosimetria da pena de multa, deve o juiz passar por três etapas: 
 
a) 1a fase: fixação do número de dias-multa com base em todas as circunstâncias (judiciais, legais 
agravantes e atenuantes e causas de aumento e diminuição) \u2013 mínimo de 10 e máximo de 360. 
b) 2a fase: valor do dia-multa, tendo em vista a situação econômica do réu (art. 49 e §§) \u2013 min. de 
1/30 do maior salário mínimo vigente e máximo de 5 vezes esse salário; 
c) 3a fase: se a multa for ineficaz, em virtude da situação econômica do réu, pode o juiz triplicar o 
valor (art. 60, §1o). 
 
Preceitua o art. 49, §2o, que, quando da execução, deve haver atualização do valor da multa pelos 
índices de correção monetária \u2013 já entendeu o STJ que o termo a quo é a data do fato. 
 
O pagamento pode ser feito integral ou, a requerimento do condenado, pode ser feito de forma par-
celada (art. 50); pode ser ainda mediante desconto em folha nos casos do §1o do supracitado artigo, 
desde que não incida sobre os recursos indispensáveis à sobrevivência do condenado e de sua famí-
lia (§2o). 
 
Na hipótese de previsão em abstrato de pena privativa de liberdade e de multa para determinado 
crime, pode o juiz substituir a prisão por uma multa e somá-la com a outra? Damásio de Jesus e Al-
berto Silva Franco entendem que a substituição pela multa absorveria a outra; já Alexandre de Mora-
es e Gianpaolo Smanio entendem que o juiz não pode se ater à substituição apenas, devendo somar 
as multas aplicadas. Há de se ressaltar que a Súmula 171, STJ, diz que "Cominadas cumulativamen-
te, em lei especial, penas privativas de liberdade e pecuniária, é defesa a substituição da prisão por 
multa" (grifamos). 
 
Obs: diz o art. 60, §2o, que a pena privativa de liberdade aplicada não superior a 6 meses pode ser 
substituída pela de multa, de acordo com os critérios do art. 44, II e III ! entende-se tacitamente re-
vogado por força do §2o do art. 44, que permitiu a substituição da prisão não superior a 1 ano por 
multa (alteração introduzida pela Lei n. 9714/98) 
 
2. EXECUÇÃO DA MULTA NÃO PAGA 
 
Com o trânsito em julgado da sentença condenatória, a multa transforma-se em dívida de valor, de-
vendo ser aplicada a legislação relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive quanto às