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irrecorrível por crime praticado antes do livramento, terá direito à obten-
ção de novo livramento, inclusive no que se refere à pena que estava sendo cumprida, as duas 
penas poderão ser somadas a fim de se obter novamente o benefício e o período de prova é 
computado como de pena efetivamente cumprida; 
b) em caso de condenação irrecorrível por crime praticado durante a vigência do livramento, não 
haverá possibilidade de novo benefício em relação à mesma pena, que terá de ser cumprida inte-
gralmente, não se computando o prazo em que esteve solto; quanto à nova pena, poderá obter o 
benefício se observados os requisitos; 
c) havendo descumprimento das condições impostas, o apenado terá de cumprir a pena integral-
mente, não se computando o período de prova, e não será possível obter-se novamente o mes-
mo benefício; 
d) em caso de condenação por contravenção, os efeitos serão os mesmos de descumprimento das 
condições impostas. 
 
5. PRORROGAÇÃO DO LIVRAMENTO E EXTINÇÃO DA PENA 
 
Diz o art. 89, CP: \u201co juiz não poderá declarar extinta a pena, enquanto não passar em julgado a sen-
tença em processo a que responde o liberado, por crime cometido na vigência do livramento\u201d. Para 
os doutrinadores, isto significa que haverá prorrogação do livramento enquanto estiver correndo o 
processo do referido crime, mas apenas o período de prova é prorrogado, não subsistindo as condi-
ções; Cezar Bitencourt defende que não há prorrogação do benefício, somente a pena privativa de 
liberdade não poderá ser declarada extinta, pois, havendo condenação, revogar-se-á a liberdade 
condicional que estava suspensa, não se considerando o período de prova como de pena cumprida. 
 
Quanto ao processo por crime praticado antes da vigência do benefício, conforme já foi mencionado, 
o período de prova é computado como de pena cumprida e, chegando ele ao fim, a pena deverá ser 
declarada extinta, ainda que o outro processo esteja em andamento. 
 
Em suma, a chamada \u201cprorrogação do livramento\u201d somente ocorrerá para o caso de processo por 
crime praticado durante a vigência do benefício, não se estendendo às contravenções e não subsis-
tindo as condições impostas na sentença. 
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EFEITOS DA CONDENAÇÃO 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A sentença penal condenatória produz, como efeito principal, a imposição da sanção penal ao conde-
nado, ou, se inimputável, a aplicação da medida de segurança. Produz, todavia, efeitos secundários, 
de natureza penal e extrapenal. 
 
Os efeitos penais secundários encontram-se espalhados por diversos dispositivos no CP, no CPP e 
na LEP, tais como a revogação do sursis e do livramento condicional, a caracterização da reincidên-
cia no caso de cometimento de novo crime, a impossibilidade de benefícios em diversos crimes (art. 
155, § 2º, 171, § 1º), inscrição no rol dos culpados, etc. 
 
Os efeitos extrapenais secundários estão dispostos nos arts. 91 (efeitos genéricos) e 92 (efeitos es-
pecíficos), ambos do CP. 
 
Os efeitos genéricos decorrem da própria natureza da sentença condenatória, abrangem todos os 
crimes e não dependem de pronunciamento judicial (são automáticos); já os efeitos específicos limi-
tam-se a alguns crimes, dependendo de pronunciamento judicial a respeito, e não se confundem com 
as penas de interdição temporária de direitos, visto que estas são sanções penais, substituindo a 
pena privativa de liberdade pelo tempo de sua duração, enquanto aqueles são conseqüências refle-
xas do crime, permanentes e de natureza extrapenal. 
 
2. EFEITOS GENÉRICOS 
 
São efeitos genéricos da condenação (art. 91): 
 
a) tornar certa a obrigação de indenizar ! a sentença penal condenatória vale como título executivo 
judicial (CPC, art. 584, II). Dispõe o CPP, art. 63, que \u201ctransitada em julgado a sentença condena-
tória, poderão promover a execução, no juízo cível, para efeito de reparação do dano, o ofendido, 
seu representante legal e seus herdeiros.\u201d Assim, no juízo Cível, não precisará o interessado o-
brigado a comprovar, autoria, materialidade e ilicitude. Pode a vítima partir diretamente para a 
execução, que deverá ser movida contra a pessoa que figura no título, na sentença (em outras 
palavras, o Réu na ação criminal). O responsável civil que não consta do título (que não foi con-
denado no processo crime) não poderá ser executado, sendo necessária uma ação de conheci-
mento anterior; se ela não quiser aguardar o desfecho da ação penal, pode ajuizar uma ação civil 
ex delicto, sendo que, por se tratar de obrigação de indenizar, transmite-se aos herdeiros do a-
gente, até as forças da herança; de ver-se que uma sentença absolutória não impede a ação civil 
ex delicto, desde que não baseada em inexistência do fato, negativa de autoria ou que o agente 
atuou sob o manto de uma excludente de ilicitude; 
 
b) perda em favor da União: 
 
" dos instrumentos do crime ! neste caso, o Estado visa evitar que instrumentos cujo fabrico, 
alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito fiquem na posse do condenados. As-
sim como efeito automático da condenação, esses bens serão confiscados (e o lesado ou ter-
ceiro de boa fé deverão ter autorização especial para poderem ficar com tais instrumentos \u2013 
ex: colecionador de armas de guerra). Neste caso, não são confiscados instrumentos que e-
ventualmente foram utilizados para a prática do delito, mas somente aqueles que, por sua na-
tureza, tem destinação específica criminosa ou aquelas cujo porte, p. ex. seja proibido 
dos produtos ou proveitos do crime, ressalvado o direito de lesado e terceiro de boa-fé ! visa 
impedir que o agente tenha proveito com o crime. Deste modo tudo aquilo que o agente, dire-
ta ou indiretamente, tenha obtido em decorrência da prática do crime, deverá ser, em princí-
pio, restituído ao lesado ou ao terceiro de boa-fé, só se operando o confisco em favor da Uni-
ão do valor que sobejar, ou quando inexistir lesado ou terceiro de boa-fé. 
 
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Este confisco somente se aplica aos crimes e prescreve com a condenação, mas não é suspenso 
com a concessão do sursis. A pena restritiva de direito de perdimento de bens, acrescida pela Lei 
9.714/98 tem preferência, pois se trata de pena, efeito principal da condenação. 
 
3. EFEITOS ESPECÍFICOS 
 
Os efeitos específicos não são automáticos, devendo ser motivadamente impostos na sentença. São 
efeitos específicos da condenação (art. 92): 
 
a) perda do cargo, função pública ou mandato eletivo ! aplica-se aos crimes que o funcionário pú-
blico tenha cometido com violação de dever se a condenação: 
 
" for igual ou superior a um ano em caso de crime praticado com abuso de poder ou violação 
de dever para com a Administração 
" for superior a quatro anos por qualquer outro crime; a perda refere-se apenas àquele car-
go/função/atividade em que houve o abuso, podendo o condenado ser investido em outro; 
 
b) incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela ! em caso de crimes dolosos, 
apenados com reclusão, praticados contra filho, tutelado ou curatelado; tal incapacidade poderá 
ser eliminada pela reabilitação, contudo esta somente atinge os outros filhos, tutelados ou curate-
lados, não se estendendo àquele contra o qual o crime foi cometido; 
 
c) inabilitação para dirigir veículo utilizado para a prática de crime doloso ! não se confunde com a 
proibição temporária aplicável aos autores de crimes culposos de trânsito, que é pena restritiva 
(art. 43, III, CP). Pode atingir inclusive quem não tenha habilitação; pode tal efeito ser eliminado 
com a reabilitação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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