Direito Penal
81 pág.

Direito Penal


DisciplinaDireito Penal I62.892 materiais1.026.862 seguidores
Pré-visualização35 páginas
são exceções que devem 
constar do texto constitucional (art. 5o, XLII e XLIV \u2013 prática do racismo e crimes contra o Estado De-
mocrático). 
 
Há duas modalidades de prescrição no nosso Direito Penal: prescrição da pretensão punitiva ou da 
ação e prescrição da pretensão executória ou da condenação \u2013 o que as distingue é a existência ou 
não de sentença penal condenatória definitiva, pois, antes desta, fala-se em prescrição da ação e, 
após, prescrição da condenação. 
 
 
4.1. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA 
 
A prescrição da pretensão punitiva faz com que não subsistam quaisquer dos efeitos penais. 
 
Em regra, ela começa a correr a partir da data da consumação do crime, mas pode ser ainda do dia 
em que cessou a atividade criminosa, se tentativa; do dia em que cessou a permanência se crime 
permanente; da data em que o fato se tornou conhecido pela autoridade, se crime de bigamia ou de 
falsificação de registro (art. 111). Os arts. 116 e 117 trazem um elenco de causas suspensivas e inter-
ruptivas respectivamente. 
 
www.direitoria.net 
Direito Penal \u2013 Parte Geral \u2013 Dra. Fernanda Alves de Olveira 80
A prescrição da ação se subdivide em: prescrição abstrata, retroativa e intercorrente. 
 
Na prescrição abstrata, como não há condenação, o critério da base de cálculo é o máximo da pena 
privativa de liberdade cominada em abstrato, observando-se a tabela do art. 109, CP. Devem ser 
levadas em conta também as majorantes (a que mais aumente) e as minorantes (a que menos dimi-
nua) obrigatórias, excluindo-se as causas de exasperação do concurso formal e do crime continuado. 
 
Devem-se considerar, ainda, a redução pela metade prevista no art. 115 (o menor de 21, à época do 
fato, e o maior de 70, à época da sentença). 
 
Por sua vez, a prescrição retroativa se baseia na pena aplicada na sentença condenatória, visto que, 
fruto de construção jurisprudencial, entende-se que, desde o princípio, aquela era a pena justa apli-
cável ao caso. Também deve ser observada a tabela do art. 109. São seus pressupostos a inocorrên-
cia da prescrição abstrata, sentença penal condenatória e o trânsito em julgado para a acusação ou 
improvimento de seu recurso (eis que, pela proibição da reformatio in pejus, a pena não poderá mais 
ser aumentada). Seu termo inicial é o do art. 110, §2o, podendo ser considerada entre o fato e o rece-
bimento da denúncia/queixa, ou entre este e a sentença condenatória; o prazo pode ser interrompido 
ou suspenso (arts. 116 e 117). 
 
De seu turno, a prescrição intercorrente ou subseqüente também se baseia na pena in concreto, ob-
servando-se o art. 109, e começa a correr da sentença condenatória até o trânsito em julgado para 
acusação e defesa. Seus pressupostos são a inocorrência de prescrição abstrata ou retroativa, sen-
tença condenatória e trânsito em julgado para acusação ou improvimento do seu recurso. 
 
4.2. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA 
 
Esta prescrição impede que o Estado execute a pena imposta, i.e., o jus punitionis, mas faz subsistir 
todos os demais efeitos do crime, penais ou extrapenais; ocorre após o trânsito em julgado da sen-
tença penal condenatória, regulando-se pela pena aplicada, considerando-se o art. 109. São seus 
pressupostos não ter acontecido a prescrição da pretensão punitiva, sentença condenatória irrecorrí-
vel e não satisfação da pretensão executória estatal. 
 
Estabelece o art. 112 o termo inicial da prescrição da condenação: do dia em que transita em julgado 
a sentença condenatória, para a acusação, ou a que revoga a suspensão condicional da pena ou o 
livramento condicional; do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo de interrup-
ção deva computar-se na pena (ex: se ocorrer internação em hospital de custódia e tratamento, 
computa-se o tempo na pena). 
 
4.3. HIPÓTESES DE MODIFICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL 
 
Podem ser de três espécies: 
 
a) causas suspensivas: enquanto não resolvida questão prejudicial; enquanto o agente cumpre pena 
no estrangeiro (art. 116, II); em caso de imunidade parlamentar (art. 53, §2o, CF); se a sentença 
já estiver transitada em julgado, enquanto o condenado estiver preso por outro motivo. Ainda, a 
suspensão condicional do processo (Lei n. 9099/95) e nos casos de citação editalícia em que o 
réu não comparece nem constitui advogado (art. 366, CPP) e de citação por rogatória de réu no 
estrangeiro, enquanto não cumprida a carta (art. 368, CPP). 
b) causas interruptivas (art. 117): recebimento da denúncia/queixa; pronúncia (data da sua publica-
ção); decisão confirmatória da pronúncia; sentença condenatória recorrível (data da publicação); 
início ou continuação do cumprimento da pena (de ver-se que, durante o período de prova do 
sursis e do livramento condicional, a prescrição não corre); reincidência (além de aumentar o pra-
zo prescricional em um terço \u2013 art. 110, caput \u2013 interrompe o seu curso; alguns entendem que o 
momento da interrupção é a data do novo crime, mas a maioria defende que é a da sentença 
condenatória que reconhece esse crime, pressuposto da reincidência). 
c) causas redutoras do prazo (art. 115): quando o agente, ao tempo do delito, for menor de 21 anos 
ou quando, na data da sentença, for maior de 70 anos \u2013 o prazo prescricional é reduzido pela me-
tade. 
 
www.direitoria.net 
Direito Penal \u2013 Parte Geral \u2013 Dra. Fernanda Alves de Olveira 81
Impende notar que, salvo nas hipóteses de início ou continuação do cumprimento da pena e de rein-
cidência, a interrupção da prescrição atinge a todos os co-autores do crime e, em se tratando de cri-
mes conexos, a interrupção da prescrição referente a um deles alcança a todos os outros (art. 117, 
§2o). 
 
4.4. PRESCRIÇÃO DA PENA DE MULTA 
 
De acordo com o art. 114, CP, a pena de multa prescreve em dois anos quando for a única cominada 
ou aplicada ou no mesmo prazo estabelecido para a prescrição da pena privativa de liberdade, quan-
do a multa for alternativa ou cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada (ver também 
art. 118). Se a pena de multa for a única que ainda não foi cumprida, portanto, o prazo será o da pena 
privativa de liberdade.