Direito Penal
81 pág.

Direito Penal


DisciplinaDireito Penal I57.751 materiais977.891 seguidores
Pré-visualização35 páginas
de 
pena; para Magalhães Noronha, é causa de irresponsabilidade. 
 
Inicia-se com a diplomação do parlamentar e perdura até o fim do mandato, sendo que, após este, 
não pode ser processado pelo suposto crime de opinião praticado durante o mandato, é irrenunciável 
e, segundo o STF, deve haver liame entre o pensamento manifestado e as funções do congressista. 
Também se estende aos vereadores dentro da circunscrição territorial do município e aos deputados 
estaduais, dentro dos seus respectivos estados (arts. 27, §1o e 29, VIII, ambos da CF). 
 
Já a imunidade processual significa que os parlamentares não podem ser processados por crimes 
comuns sem prévia licença da Casa respectiva, nem podem ser presos, salvo flagrante de crime ina-
fiançável, quando, então, os autos deverão ser remetidos, dentro de vinte e quatro horas, para a res-
pectiva Casa, para que, pelo voto secreto da maioria absoluta de seus membros, delibere a respeito 
da prisão e da formação de culpa (art. 53, §§ 1o e 3o , CF). De salientar-se que o indeferimento do 
pedido de licença ou a sua não apreciação suspende o prazo prescricional. Tais prerrogativas se 
estendem também para os deputados estaduais no âmbito territorial de seus estados, mas não para 
os vereadores. 
 
Apenas a título de complementação, igualmente o exercício da advocacia, considerado pela CF como 
indispensável à administração da justiça, está resguardado pela inviolabilidade profissional (art. 133, 
CF), nos limites da lei (art. 142, I, CP). 
 
www.direitoria.net 
Direito Penal \u2013 Parte Geral \u2013 Dra. Fernanda Alves de Olveira 15
 
 
 
RELAÇÃO DE CAUSALIDADE 
 
1. CONDUTA PUNÍVEL 
 
Partindo do conceito analítico de crime (conduta típica, ilícita e culpável), primeiramente há necessi-
dade de se estabelecer o que é conduta, pois sobre ela incidirá a apreciação normativa. 
 
Todo fato punível é, antes de tudo, uma conduta, uma realização da vontade humana no mundo exte-
rior. Não há crime sem conduta, que serve como suporte material sobre o qual se arrimam a tipicida-
de, a antijuridicidade e a culpabilidade. O Direito Penal moderno é o Direito penal da ação, e não o 
Direito Penal do autor. 
 
Teorias sobre a conduta: 
 
a) teoria causal-naturalista da ação: também chamada de mecanicista, a conduta é um movimento 
corporal causador de modificação no mundo exterior. Ação é a causa voluntária, ou não-
impeditiva, de um resultado no mundo exterior. Prescinde-se da finalidade pretendida, bastando 
que tenha sido voluntária para que seja considerada típica. O elemento subjetivo (dolo ou culpa) 
deve ser apreciado na culpabilidade, como elemento desta. 
b) teoria finalista da ação: segundo esta teoria, a ordem jurídica não tenciona proibir apenas proces-
sos causais, mas somente condutas orientadas finalistiicamente. A conduta humana é uma ativi-
dade final, e não um comportamento meramente causal; como a vontade está na ação e esta en-
contra-se no tipo, também o dolo e a culpa estão na tipicidade. Conduta é uma atividade livre e 
consciente dirigida à produção de um resultado. Foi a teoria adotada pelo CP a partir de 84. 
c) teoria social da ação: a ação é a conduta socialmente relevante, dominada ou dominável pela 
vontade humana. Como o Direito Penal só se preocupa com as condutas socialmente danosas e 
como socialmente relevante é o comportamento que atinge a relação do indivíduo com seu meio, 
se não houver relevância social, não haverá relevância jurídico-penal; a ação socialmente ade-
quada, como a do médico que realiza uma incisão cirúrgica no paciente, está, ab initio, excluída do 
tipo porque se realiza dentro do espectro de normalidade da vida social. É uma ponte entre as du-
as outras teorias. 
 
O Direito não cria condutas, mas as rege, ou seja, proíbe-as, obriga-as ou as permite, sob cominação 
de sanção. Desta forma, não podem ser puníveis as atuações finalistas regidas como permitidas pelo 
Direito, mas apenas aquelas qualificadas como proibidas. Assim, haverá conduta punível quando o 
Direito proibir a sua realização (preceito de proibição) e o sujeito, finalisticamente, a realizar (ação) ou 
quando o Direito determinar a sua realização (preceito de comando) e o sujeito, finalisticamente, não 
a realizar. 
 
2. CLASSIFICAÇÃO DAS CONDUTAS PUNÍVEIS 
 
a) quanto à atuação 
- conduta comissiva 
- conduta omissiva 
 
b) quanto à finalidade 
- conduta dolosa 
- conduta culposa 
 
3. AUSÊNCIA DE CONDUTA 
 
Existem casos em que, embora ocorra intervenção no ambiente da qual advenham danos relevantes 
a bens jurídicos, faltará o suporte material do crime (inexistência de vontade ou de atuação). São as 
hipóteses de: 
 
a) coação física absoluta; 
www.direitoria.net 
Direito Penal \u2013 Parte Geral \u2013 Dra. Fernanda Alves de Olveira 16
b) atos reflexos; 
c) estados de inconsciência. 
 
4. RESULTADO 
 
Há duas concepções acerca do resultado. Uma concepção normativa, e uma concepção naturalística. 
 
Pela teoria naturalística, o resultado é a modificação no mundo externo causada por um comporta-
mento humano. Seria o efeito material (situação real de dano ou de perigo) da conduta, descrito por 
um tipo legal de crime \u2013 relaciona-se com o mundo fenomênico. 
 
Pela concepção normativa o resultado é analisado do ponto de vista jurídico, pela qual o resultado 
nada mais é do que a lesão ou perigo de lesão a um bem ou interesse protegido pelo direito. 
 
Nessa ordem de idéias, pode haver crime ser resultado naturalístico (ex: crimes de mera conduta) 
mas não há crime sem resultado jurídico, pois, em face do princípio da lesividade, não há crime sem 
lesão ou perigo de lesão a bem jurídico. 
 
Toda conduta pode implicar resultado, mas esse resultado pode não ser imprescindível para a confi-
guração do crime (o tipo não descreve resultado algum ou, descrevendo, não exige que se produza). 
 
Classificação: 
a) crimes materiais \u2013 descrição e exigência do resultado; 
b) crimes formais \u2013 descrição sem exigência do resultado; 
c) crimes de mera conduta \u2013 não há descrição de resultado. 
 
5. CAUSALIDADE 
 
Antes de saber se a conduta está proibida pela norma, importa investigar se ela foi causa material do 
resultado. Se não há nexo causal entre a conduta de alguém e o evento típico, o agente não respon-
de pelo crime. 
 
A relação de causalidade material é o vínculo que se estabelece entre ação e resultado. Para que 
haja delito, não basta ação. É preciso que ela tenha relevância causal para a produção do resultado, 
de que depende a existência de crime. 
 
A causalidade, portanto, tem função limitadora da imputação e a importância do seu estudo relaciona-
se com os crimes materiais, pois, conforme diz o art. 13, 1ª parte, o resultado, de que depende a exis-
tência de crime, só é imputável a quem lhe deu causa. A relação de causalidade é o liame entre con-
duta e resultado naturalístico. 
 
O que é causa em Direito Penal?Teorias no estudo da causalidade: 
 
a) teoria da totalidade das condições; 
b) teoria da causalidade adequada; 
c) teoria da predominância (Binding); 
d) teoria da relevância jurídica; 
e) TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES CAUSAIS (conditio sine qua non): teoria 
adotada pelo Código Penal. Por essa teoria, causa é todo antecedente que tenha contribuído para 
que o resultado tivesse ocorrido como, quando e onde ocorreu. Tem origem no pensamento de 
Stuart Mill e foi introduzida no Direito Penal por Von Buri. Foi a adotada pelo nosso CP, art. 13, 2a 
parte: \u201cconsidera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido\u201d. 
 
Para saber se uma conduta é ou não causa do resultado, recorre-se ao processo de eliminação hipo-
tética de Thyrén. Causa é todo evento que, suprimido mentalmente, faria com que o resultado não 
tivesse ocorrido da forma em que ocorreu. 
 
Objeta-se que a teoria adotada teria o inconveniente de permitir a regressão ad infinitum