ARTIGO EPISTEMOLOGIA SOCIAL
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ARTIGO EPISTEMOLOGIA SOCIAL


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contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.\u201d 
Paulo Freire, 1996
	Existe uma gama de coisas interessantes a serem exploradas fora da escola e que podem ser trazidas para dentro dela, ou levar o nosso sujeito ao encontro de tais coisas. Embora as Escolas estejam mudadas e não haja tantos perfis parecidos entre os alunos, temos mais Escolas, (embora algumas bastantes sucateadas) e recebemos mais investimentos a cada ano. Não estou justificando o fracasso da Escola pela prática docente, porém afirmo que muitos de nós podemos fazem muito além do que realmente fazemos.
	É comum na Escola presenciarmos aulas de boa qualidade, onde o professor naturalmente manifesta sua vocação para o magistério. Demonstra humanidade, preocupação, interesse pelos alunos. As Escolas estão compostas, também por professores que atuam dentro e fora da Unidade de Ensino, que sentem a ausência do aluno, percebem tristeza ou alegria demasiadas, que se dispõem a visitar a família da criança, caso seja necessário. Em contrapartida, temos os sofistas de discursos exemplar, que tudo enxergam, por exemplo, a Escola deteriorada, salas cheias, falta de material de consumo, má qualidade da merenda, falhas da gestão, etc. Mas não são sensíveis ao principal, a necessidade do aluno que já vem de uma sociedade excludente, que por vezes vai a Escola pelo forçar da mãe ou para não ver por quatro horas ( mais ou menos ) seus pais bêbados /brigando ou saciar a fome ou tantos outros motivos que não seja aprender, porque alguém não lhe despertou ainda o prazer para tal.
	Com isto, não estou eximindo a responsabilidade do poder público, pelo contrário, mas temos de ser no mínimo éticos com a causa que abraçamos, neste caso a Educação.
	Enquanto escrevia estas linhas, li em algum lugar que "Educar dá trabalho, e se não dá, não é educação." ( desconheço autoria) 
	Compreendi o "trabalho" como atividades constantes, pesquisas, diferenciação de prática para atender todas as especificidades da turma, e obviamente, a busca pelo reconhecimento e valorização da prática docente, investimento na profissão no tangente a formações, workshop,investimento em tecnologias facilitadoras da aprendizagem, manutenção dos prédios escolares, etc. Mas também e, principalmente a consciência de que uma luta não pode interferir no resultado da outra. Não podemos deixar de fazer pelos nossos alunos o que sabemos e podemos fazer porque o governo não faz a sua parte ou tarda em fazê-la. Isso não denotaria um ato de bravura, como os muitos atos dignos de tantos professores existentes mundo afora que não desistem dos seus alunos, que sentem prazer em educar, mesmo diante de infinitas dificuldades e obstáculos.
	" Não se pode falar em educação sem amor" (Freire). Frase distorcida por muitos, mas que expressa o que escrevi acima. Não é só trabalho, ocupação ou salário, mas buscar fazer o que se gosta de fazer! Sentir-se desafiado por situações a serem desvendadas, o prazer em fazer parte da história de uma criança que até então não manifestava nenhum estímulo para quaisquer circunstância . Trata-se de trabalhar com dedicação, amor ao que se faz. Plantar expectativas de vida nos futuros adultos da nossa sociedade. É comum em reuniões de pais, (no município que moro e trabalho) ouvir depoimentos do tipo " não estudei porque meu pai queria que eu trabalhasse"; "não estudei porque engravidei logo e tive de casar, meu marido não me deixou ir para escola"; " não estudei porque era muito difícil naquele tempo, só quem tinha dinheiro é que ia para escola." Atualmente relatos assim se tornaram bem mais raros. A Escola está para todos, no campo, na cidade, ribeirinhos. O nosso desafio agora é manter nosso aluno assíduo na Escola. Concorremos com uma gama de coisas interessantes, o que com certeza, aumenta o nosso mérito em despertar no aluno a vontade de está numa sala por vezes sucateada, onde a tecnologia disponível para nós seja giz, livro didático e brinquedos de material reciclado, Lá fora ? Tecnologia de ponta !