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intimados pela autoridade administrativa para apresentarem a 
documentação fiscal da empresa, os sócios não atenderam à notificação no prazo de 15 
dias. Em razão disso, os agentes da fiscalização requisitaram auxílio policial, 
adentrando o estabelecimento comercial, onde, imediatamente, passaram a apreender 
notas fiscais e documentos de controle paralelo. Com tal documentação, e em virtude 
da fraude descoberta, o lançamento tributário veio a ser realizado. Considerando a 
situação hipotética acima, julgue os itens subseqüentes. 
A autoridade policial não poderia negar o auxílio requisitado, já que 
ocorreu embaraço à fiscalização. 
 
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Resposta Errada: A autoridade policial, neste caso, deveria negar o 
auxílio requisitado, pois, como vimos, o conceito de domicílio é amplo, abrangendo 
inclusive o estabelecimento comercial na parte em que não há acesso ao público em 
geral. Assim, ante a resistência dos sócios, o ingresso da autoridade fiscal, 
acompanhada da autoridade policial, só poderia ocorrer se baseada em ordem judicial, 
sob pena de esta conduta ser tipificada como abuso de autoridade, nos termos do art. 
3º da lei 4898/65. 
Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado 
a) (...) 
b) à inviolabilidade do domicílio. 
 
10.6 \u2013 Do Direito Adquirido, Ato Jurídico Perfeito e Coisa Julgada 
A Constituição Federal, em seu art. 5º, XXXVI, afirma que a lei não 
prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Estes 
institutos surgiram da necessidade de impedir a retroatividade das leis, obstando os 
seus efeitos onde há uma situação jurídica consolidada, tudo em prol da segurança 
jurídica, pois fere mortalmente o equilíbrio moral e material do indivíduo se, após a 
incorporação de um direito em seu patrimônio, houver a abrupta modificação do 
mesmo. Deste modo, surgem como limites à retroatividade das leis os institutos que 
passamos a analisar. 
 
Direito adquirido: 
Segundo Celso Bastos, constitui-se num dos recursos de que se vale 
a constituição para limitar a retroatividade da lei. Com efeito, esta está em constante 
mutação; o Estado cumpre o seu papel exatamente na medida em que atualiza as suas 
leis. No entanto, a utilização da lei em caráter retroativo, em muitos casos, repugna 
porque fere situações jurídicas que já tinham por consolidadas no tempo, e esta é uma 
das fontes principais de segurança do homem na terra. 
Merece atenção que não há conceituação legal definidora do 
significado relativo ao conceito de direito adquirido, sendo que o alcance de seu 
conceito surge através das decisões que o Poder Judiciário lhe concede no julgamento 
dos casos concretos. Deste modo, analisaremos algumas posições consolidadas na 
doutrina e na jurisprudência pátria. 
\u2022 Conforme a melhor doutrina e a jurisprudência pacífica do 
Supremo Tribunal Federal não há possibilidade de se invocar direito adquirido contra 
normas constitucionais originárias. Como assevera o professor José Afonso da Silva, 
 
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\u201cAntes da promulgação da Constituição de 1988 entendia-se que não havia direito 
adquirido contra norma constitucional, fosse ela originária ou derivada. Hoje, no 
entanto, é necessário distinguir entre as normas constitucionais provenientes da 
atuação do poder constituinte originário \u2013 normas constitucionais originárias \u2013 e as 
normas constitucionais provenientes de emendas constitucionais \u2013 normas 
constitucionais derivadas. Quanto as primeiras, dúvida alguma resta de que não se 
submetem ao direito anterior e, por isso, não estão sujeitas a respeitar o direito 
adquirido. Neste aspecto basta lembrar Pontes de Miranda: ´A constituição é rasoura 
que desbasta o direito anterior, para que só subsista o que for compatível com a nova 
estrutura e as novas regras jurídicas constitucionais´(Cf. Comentários à Constituição de 
1967 com a Emenda n. 1 de 1969, t. VI, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1972, p. 381), 
mas a Constituição pode ressalvar como fizeram as Constituições de 1946 e 
1967.Quanto às normas constitucionais derivadas, a questão tomou novo rumo com a 
Constituição de 1988, de sorte que se pode dizer que é pacífico, na doutrina hoje, que 
emendas à Constituição não podem ofender o direito adquirido Não é sequer 
necessário descer a considerações tal como a de saber se no termo \u201clei\u201d do inc. XXXVI 
do art. 5º da Constituição Federal se inclui também as emendas constitucionais, porque 
os fundamentos da intocabilidade do direito adquirido por elas se encontra na vedação 
constante do art. 60, § 4º, IV\u201d. 
\u2022 Os institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito 
aplicam-se inclusive naquelas leis denominadas de leis de ordem pública. Segundo 
Clóvis Beviláqua, \u201cleis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem 
os princípios, cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, 
segundo os preceitos do direito (...)\u201d Todavia, em tema de leis de ordem pública, 
observa-nos José Afonso da Silva que "não é rara a afirmativa de que não há direito 
adquirido em face da lei de ordem pública ou de direito público. A generalização não é 
 
correta nesses termos" (assegura-nos). Mas, traça esta ponderação: "O que se diz com 
boa razão é que não corre direito adquirido contra o interesse coletivo (qual o dos 
consumidores, seja-nos permitida a ênfase), porque aquele é manifestação de 
interesse particular que não pode prevalecer sobre o interesse geral" (Curso de Direito 
Constitucional Positivo, 13ª ed., Malheiros, pág. 414). \u201cO Plenário do Supremo Tribunal 
Federal, no julgamento da Adin 493, relatada pelo Ministro Moreira Alves, firmou o 
seguinte entendimento : \u2018 o disposto no art. 5º, \u201cXXXVI, da Constituição Federal, se 
aplica a toda e qualquer lei infraconstitucional, sem qualquer distinção entre lei de 
direito público e lei de direito privado, ou entre lei de ordem pública e lei dispositiva\u201d. 
\u2022 Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, não há 
direito adquirido contra mudanças de um dado regime ou de um determinado instituto 
jurídico. Bastante ilustrativo é o ensinamento do professor Uadi Lammêgo Bulos, \u201cé 
necessário que se esclareça a posição do Supremo Tribunal Federal quando, em 
diversas assentadas, assinalou que não há direito adquirido a regime jurídico de 
instituto ou instituição de direito. Não se trata de decisão política, como se poderia 
 
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pensar a um primeiro momento, nem, tampouco, de retaliação à garantia 
constitucional do direito adquirido (art.5º, XXXVI) ou desrespeito a instituto 
insuprimível (art.60, § 4º, IV). 
O que subjaz a esse raciocínio é a nítida diferença entre direito 
adquirido, direito consumado, expectativa de direito e simples faculdade legal. 
Direito adquirido é a conseqüência de fato aquisitivo realizado por 
inteiro. 
Direito consumado é aquele que já produziu todos seus efeitos 
concretos. 
Expectativa de direito é a simples esperança, resultante do fato 
aquisitivo incompleto. 
Meras faculdades legais são poderes concedidos aos indivíduos, dos 
quais eles não fazem nenhum uso. 
Ora, ao se dizer que inexiste direito adquirido a regime jurídico de 
instituto de direito não se está indo de encontro à garantia estampada no art.5º, inc. 
XXXVI, da Constituição. Isto porque fatos realizados por inteiro, simples esperanças ou 
meras possibilidades legais não se enquadram no citado inc. XXXVI. 
Logo, se a lei nova mudar regime jurídico de instituto de direito, 
alicerçado num direito consumado, numa expectativa de direito ou numa simples 
faculdade legal, esta alteração se aplicará imediatamente. Não há direito adquirido 
nesses casos\u201d. O professor Uadi Lammêgo na verdade quer nos dizer que há uma 
diferença muito grande entre direito adquirido e expectativa de direito. A diferença 
 
entre direito adquirido e expectativa de direito está na existência, em relação
Alberto
Alberto fez um comentário
muito bom.
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