direito_constitucional
192 pág.

direito_constitucional


DisciplinaDireito Constitucional I57.058 materiais1.405.780 seguidores
Pré-visualização50 páginas
ao 
direito adquirido, de fato aquisitivo especifico já configurado por completo, enquanto 
na expectativa de direito ainda faltam alguns requisitos a serem preenchidos. Podemos 
apontar o exemplo referente à aposentadoria dos servidores públicos; para aqueles 
que já completaram os requisitos para a aposentadoria ( 60 ano de idade e 35 anos de 
contribuição , se homem, e 55 anos de idade e 30 anos de contribuição, se mulher), e 
optam por continuar em atividade, há o direito adquirido à aposentadoria pelas regras 
anteriores, quer dizer, lei posterior não poderá alterar a situação jurídica dos mesmos 
pois há o direito adquirido. No entanto, para aqueles que ainda não possuem os 
requisitos completos para a aposentadoria, há mera expectativa de direito, pois ainda 
não concluíram os requisitos necessários para adquirir o direito. Merece atenção o 
previsto no art. 3º da emenda constitucional 41/2003, neste artigo vemos que o 
legislador constituinte derivado agiu acertadamente ao preservar o direito adquirido 
daqueles que já tinham cumprido todos os requisitos de da aposentação na data da 
 
151 
 
publicação da emenda, vejamos: \u201cÉ assegurada a concessão, a qualquer tempo, de 
aposentadoria aos servidores públicos, bem como pensão aos seus dependentes, que, 
até a data de publicação desta Emenda, tenham cumprido todos os requisitos para 
obtenção desses benefícios, com base nos critérios da legislação então vigente.\u201d É este 
o posicionamento do Supremo Tribunal Federal. 
Ato jurídico perfeito: 
É aquele ato que se aperfeiçoou, que reuniu todos os elementos 
necessários à sua formação, debaixo da lei velha. O ato jurídico perfeito possui 
definição normativa presente no Art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil. \u201cArt. 6º - 
A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, direito 
adquirido e a coisa julgada, § 1º - Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado 
segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou\u201d. 
Cabe salientar que o Supremo Tribunal Federal afirma que o 
instituto do ato jurídico perfeito aplica-se às leis de ordem pública, \u201cem linha de 
princípio, o conteúdo da convenção que as partes julgaram conveniente, ao contratar, 
é definitivo. Unilateralmente, não é jurídico entender que uma das partes possa 
modificá-lo. Questão melindrosa, todavia, se põe, quando a alteração de cláusulas do 
ajuste se opera pela superveniência de disposição normativa. Não possui o 
ordenamento jurídico brasileiro preceito semelhante ao do art. 1339, do código civil 
italiano, ao estabelecer: As cláusulas, os preços de bens ou de serviços, impostos pela 
lei, são insertos de pleno direitos no contrato, ainda que em substituição das cláusulas 
diversas estipuladas pelas partes. A inserção de cláusulas legais, assim autorizadas, 
independentemente da vontade das partes, reduz, inequivocamente, a autonomia 
privada e a liberdade contratual. Decerto, nos países cuja legislação consagra regra de 
extensão do preceito transcrito do direito italiano, as modificações dos contratos em 
cujo conteúdo se introduzam, por via da lei, cláusulas novas em substituição às 
estipuladas pelas partes contratantes, a aplicação imediata das denominadas leis 
interventivas aos contratos em curso há de ser admitida, como mera conseqüência do 
 
caráter estatutário da disciplina a presidir essas relações jurídicas, postas sob imediata 
inspiração do interesse geral, enfraquecido, pois, o equilíbrio decorrente do acordo das 
partes, modo privativo, da autonomia da vontade. Essa liberdade de o legislador dispor 
sobre a sorte dos negócios jurídicos, de índole contratual, neles intervindo, com 
modificações decorrentes das disposições legais novas não pode ser visualizada, com 
idêntica desenvoltura, quando o sistema jurídico, prevê, em norma de hierarquia 
constitucional, limite à ação do legislador, de referência aos atos jurídicos perfeitos. 
Ora, no Brasil, estipulando o sistema constitucional, no art. 5º, XXXVI, da Carta Política 
de 1988, que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa 
julgada, não logra assento, assim, na ordem jurídica, a assertiva segundo a qual certas 
leis estão excluídas da incidência do preceito maior mencionado\u201d (STF-RExtr. 198.993-
9/RS) 
 
152 
 
Coisa Julgada: Coisa julgada material é a qualidade da sentença que 
torna imutáveis e indiscutíveis seus efeitos substanciais. Verifica-se após o trânsito em 
julgado da decisão, ou seja, quando há a impossibilidade de se manejar qualquer 
recurso. Já a coisa julgada formal ocorre quando há a impossibilidade de, no mesmo 
processo, voltar a ser discutida a decisão. Todavia, aquele que se encontra insatisfeito 
com a decisão ainda poderá recorrer da decisão proferida. Entende-se que a proteção 
constitucional aplica-se apenas à coisa julgada material. 
Dois aspectos merecem ser salientados em relação à coisa julga: 
\u2022 A ação rescisória, prevista no art. 485 do Código de Processo Civil, 
ação esta que visa a rescisão de sentença de mérito transitada em julgado, nas 
hipóteses taxativas previstas no CPC e a Revisão Criminal, prevista no art. 621 do 
Código de Processo Penal, que possui a mesma finalidade da ação rescisória, só que no 
âmbito criminal, não tem o condão de ofender a coisa julgada, conforme entendimento 
unânime da doutrina e jurisprudência pátria. 
Ação Rescisória 
Art. 485 - A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser 
rescindida quando: 
I - se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção 
do juiz; 
II - proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; 
III - resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte 
vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; 
IV - ofender a coisa julgada; 
 
V - violar literal disposição de lei; 
VI - se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em 
processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória; 
VII - depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja 
existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar 
pronunciamento favorável; 
VIII - houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou 
transação, em que se baseou a sentença; 
 
153 
 
IX - fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos 
da causa. 
Revisão Criminal 
Art. 621. A revisão dos processos findos será admitida: 
I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso 
da lei penal ou à evidência dos autos; 
II - quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, 
exames ou documentos comprovadamente falsos; 
III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de 
inocência do condenado ou de circunstância que determine ou autorize diminuição 
especial da pena. 
 
\u2022 A própria Constituição Federal, no art. 5º, XL prevê uma espécie de 
relativização da coisa julgada, ao dispor que a lei penal mais benéfica possua 
retroatividade de modo a alcançar aquele que já tenha sido condenado e, 
eventualmente já esteja até cumprindo a pena, ou seja, alcançando uma sentença já 
transitada em julgado. Como exemplo, podemos citar o crime de adultério que foi 
revogado pela lei 11.106, de 2005. Se alguma pessoa tivesse sido condenada por 
sentença judicial transitada em julgado e estivesse cumprindo pena pelo crime de 
adultério, após a promulgação desta lei haveria a imediata extinção da punibilidade do 
crime (art. 107, III do Código Penal), alcançando, então aquela condenação proveniente 
de uma sentença judicial transitada em julgado. 
 
\ufffd Legislação Pertinente 
 
 
TÍTULO II 
Dos Direitos e Garantias Fundamentais 
CAPÍTULO I 
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes
Alberto
Alberto fez um comentário
muito bom.
0 aprovações
Carregar mais