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e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta 
dias." 
Segundo o artigo in tela, a Constituição/88, determina um prazo de 30 (trinta) dias 
para que a omissão seja sanada, em se tratando de órgão administrativo, sob pena de ser 
responsabilizado pelo descumprimento da decisão judicial, mas em se tratando de omissão do 
legislador, não existe prazo posto para que seja sanada, como também nenhuma sanção 
decorrente do descumprimento da decisão judicial. 
Logo, concluímos que fica a critério do legislador o cumprimento, até que se tenha 
um dispositivo que o obrigue. 
 
C \u2013 ADI INTERVENTIVA - O art. 18, caput, da CF/88 estabelece que a organização 
político-administrati-va da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos. Vale dizer, como regra geral, nenhum ente 
federativo deverá intervir em qualquer outro. 
No entanto, excepcionalmente, a CF estabelece situações (de anormalidade) em que 
haverá intervenção: 
\u2022 União - nos Estados, Distrito Federal (hipóteses do art. 34) e nos Municípios localizados em 
Território Federal (hipótese do art. 35); 
\u2022 Estados - em seus Municípios (art. 35). 
A ADI interventiva apresenta-se como um dos pressupostos para a decretação da 
intervenção federal, ou estadual, pelos Chefes do Executivo, nas hipóteses previstas na CF/88. 
O Judiciário exerce, assim, um controle da ordem constitucional tendo em vista o caso 
concreto que lhe é submetido à análise. 
O Judiciário não nulifica o ato, mas apenas verifica se estão presentes os pressupostos para 
a futura decretação da intervenção pelo Chefe do Executivo. 
A legitimidade ativa para propor esta espécie de ADI é do Procurador Geral da República. 
 
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4.4 - Ação Declaratória de Constitucionalidade - ADC 
Segundo Uadi Lammêgo Bulos a ADC é o mecanismo de defesa abstrata do Texto 
Supremo pelo qual se busca, na Corte Excelsa, o reconhecimento expresso de que determinado 
ato normativo é constitucional. 
 A declaratória de constitucionalidade possui a natureza jurídica de um verdadeiro prolífío 
objetivo, inserindo-se no sistema de controle abstrato de normas. 
 Segundo o Supremo Tribunal Federal a finalidade única da declaratória "é a defesa da 
ordem jurídica, não se destinando diretamente à tutela de direitos subjetivos. Por isso mesmo, 
deve ser necessariamente estruturada em um processo objetivo, como ocorre na ação direta 
de inconstitucionalidade, isto é, um processo não contraditório, sem partes, embora possam 
ser ouvidos os órgãos que participaram da elaboração da lei ou do ato normativo". 
Na realidade, o instituto possui um escopo claro e inconfundível: banir o estado de incerteza 
e insegurança provindo de interpretações maliciosas ou traumatizantes ao texto via LexMater, 
ratificando a presunção de que uma dada norma jurídica é constitucional. 
Nisso, procura conferir orientação homogênea às controvérsias, evitando que 
pronunciamentos díspares de câmaras, turmas, grupos ou seções de um mesmo tribunal, 
proferidos em sede de controle difuso de normas, gerem polêmicas intermináveis, em 
detrimento da justiça. 
Na defesa da ordem jurídica, cumpre à declaratória de constitucionalidade criar uma 
atmosfera de certeza e segurança nas relações jurídicas, transformando a presunção relativa 
(júris tantun) de constitucionalidade em absoluta (júris et júris). 
É que a declaratória parte do princípio de que toda lei ou ato normativo é constitucional até 
que se prove o contrário. Essa presunção relativa, contudo, admite prova em contrário. 
Desde que se comprove que uma lei ou ato normativo federal estão gerando incerteza e 
insegurança torna-se possível o seu ajuizamento, precisamente para se obter um 
pronunciamento definitivo do Supremo acerca da compatibilidade de determinada norma 
perante a Carta da República. 
Resultado: a ação declaratória de constitucionalidade vincula os Poderes Públicos, 
impedindo que determinado assunto, já decidido pelo Supremo Tribunal Federal, volte a ser 
reexaminado em sede de controle difuso, procrastinando a solução dos feitos. 
O mesmo se diga quanto ao Poder Executivo, que não poderá deixar de cumprir lei ou ato 
normativo por reputá-lo inconstitucional. 
 A ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal é proposta e 
julgada, originariamente, na Corte Suprema (CF, art. 102,1, a). Esta competência decorre do fato 
de que a declaratória é um mecanismo do controle abstrato de normas, exercido, apenas, pelo 
Supremo Tribunal Federal. 
 
 
 
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4.5 \u2013 Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental \u2013 ADPF 
A argüição de descumprimento de preceito fundamental será cabível, de acordo com a Lei 
9.882/99, seja na modalidade de ação autônoma (ação sumária), seja por equivalência ou 
equiparação. 
O art. 1.°, caput, da Lei n. 9.882/99 disciplinou a hipótese de argüição autônoma, tendo por 
objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. 
Percebe-se, então, nítido caráter preventivo na primeira situação (evitar) e caráter 
repressivo na segunda (reparar) lesão a preceito fundamental, devendo haver nexo de 
causalidade entre a lesão ao preceito fundamental e o ato do Poder Público, de que esfera 
for, não se restringindo a atos normativos, podendo a lesão resultar de qualquer ato 
administrativo, inclusive decretos regulamentares. 
A segunda hipótese (por equiparação), prevista no parágrafo único do art. 1.° da Lei n. 
9.882/99, prevê a possibilidade de argüição quando for relevante o fundamento da 
controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual, municipal (e por 
conseqüência o distrital, acrescente-se), incluídos os anteriores à Constituição. 
Nessa hipótese, deverá ser demonstrada a divergência jurisdicional (comprovação da 
controvérsia judicial) relevante na aplicação do ato normativo, violador do preceito 
fundamental. 
Tanto a Constituição como a lei infraconstitucional deixaram de conceituar preceito 
fundamental, cabendo essa tarefa à doutrina e, em última instância, ao STF. Até o momento, 
os Ministros do STF não definiram o que entendem por preceito fundamental. Em algumas 
hipóteses, disseram o que não é preceito fundamental. 
Enquanto o STF não define o que entende por preceito fundamental (e parece que a 
apreciação não será de forma ampla, mas somente em cada caso concreto, resolvendo tratar-se 
ou não de preceito fundamental), valemo-nos de algumas sugestões da doutrina. 
Para o Professor Cássio Juvenal Faria, preceitos fundamentais seriam aquelas "normas 
qualificadas, que veiculam princípios e servem de vetores de interpretação das demais normas 
constitucionais, por exemplo, os 'princípios fundamentais' do Título I (arts. 1.° ao 4.°); os 
integrantes da cláusula pétrea (art. 60, § 4.°); os chamados princípios constitucionais sensíveis (art. 
34, VII); os que integram a enunciação dos direitos e garantias fundamentais (Título II); os 
princípios gerais da atividade econômica (art. 170); etc." 
Para Uadi Lammêgo Bulos, "qualificam-se de fundamentais os grandes preceitos que informam 
o sistema constitucional, que estabelecem comandos basilares e imprescindíveis à defesa dos 
pilares da manifestação constituinte originária". Como exemplos o autor lembra os arts. 1.°, 2.°, 5.°, II, 
37, 207 etc. 
De acordo com o art. 102, § l.°, da CF, a argüição de descumprimento de preceito 
fundamental será apreciada pelo STF (competência originária), na forma da lei. 
O que se percebe, então, é que, de maneira inovadora, a nova lei atribuiu competência 
originária ao STF para apreciar não só a lesão ao preceito fundamental resultante de ato do Poder 
Público, como verdadeiro controle concentrado de constitucionalidade de leis ou atos normativos, 
 
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Alberto
Alberto fez um comentário
muito bom.
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