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Neurofisiologia
Fig. 2.2 - Foto mi cro gra fia de neu rô nios loca li za dos na subs tân cia negra, pars reti cu lata, que se pro je tam para o 
teto mesen ce fá lico, mar ca dos com tra ça dor fluo res cente (fast blue), de cap ta ção e trans porte retró grado. As 
setas maio res indi cam o soma ou corpo celu lar. As setas meno res acom pa nham o tra jeto dos axô nios (pro-
lon ga men tos maio res) e as setas pequenas,na parte inferior da figura, indicam os den dri tos (pro lon ga men tos 
meno res). Barra = 24 µm em A e 48 µm em B.
2.1. NEURÔNIOS
As célu las ner vo sas são uni ou mul ti po la res, 
depen dendo do número de pro lon ga men tos cito-
plas má ti cos que elas pos suem. No caso mais sim-
ples, o corpo celu lar (peri cá rio ou soma) tem ape nas 
um pro lon ga mento (axô nio). As fibras sen so riais 
cujos cor pos celu la res estão situa dos nos gân glios 
da raiz dor sal da medula espinal são pseudounipo-
lares. Neste caso, o axô nio con duz o sinal ( gerado 
nos recep to res sen so riais da pele, mús cu los ou 
vís ce ras) da peri fe ria para os gânglios e daí para 
o corno dor sal da medula. A grande maio ria das 
célu las ner vo sas, entre tanto, são célu las mul ti po-
la res. Embora estas pos suam somente um axô nio, 
que fun ciona como con du tor efe rente, a sua prin ci-
pal carac te rís tica está rela cio nada à exten são e ao 
tama nho do campo recep tivo do neu rô nio, os den-
dri tos ou árvore den drí tica (Fig. 2.2).
Os den dri tos e axô nios pos suem micro tú bu los, 
estru tu ras tubu la res alon ga das que per cor rem toda 
a exten são do axô nio. Acre dita-se que estes micro-
tú bu los cum pram duas fun ções: de suporte celu lar 
e de guias dire cio nais para o trans porte cito plas má-
tico de ingre dien tes celu la res (exem plo, enzi mas) 
do corpo celu lar para o ter mi nal ner voso. Estas pro-
teí nas micro tu bu la res são con si de ra das, por tanto, 
como essen ciais no pro cesso conhe cido como 
trans porte axo plas má tico. Deve ser lem brado ainda 
que ocorre tam bém nos axô nios o trans porte retró-
grado, isto é, subs tân cias podem ser trans por ta das 
do ter mi nal axô nico em dire ção ao corpo celu lar, 
 embora não se tenha escla re cido ainda o papel fun-
cio nal deste tipo de trans porte. Além de mito côn-
drios e micro tú bu los, os axô nios tam bém pos suem 
os cha ma dos micro fi la men tos. Bio qui mi ca mente, 
os mi cro fi la men tos são tam bém de natu reza pro-
téica, mas muito meno res que os micro tú bu los. 
Em geral, axô nios com mui tos micro tú bu los têm 
pou cos micro fi la men tos e vice-versa. A pre sença 
des tes micro tú bu los foi ainda detec tada na fenda 
sináp tica e na região sub si náp tica do neu rô nio pós-
sináp tico. 
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2.2. GLIA
Um segundo ele mento impor tante na manu-
ten ção da inte gri dade do neu rô nio está loca li zado 
exter na mente a ele, é a glia ou neu ró glia. As célu las 
 gliais dis tri buem-se ampla mente pelo SNC e dife-
ren ciam-se dos neu rô nios por serem meno res e não 
gera rem sinais elé tri cos. Exis tem dois tipos prin ci-
pais de célu las gliais: a macró glia (astró ci tos e oli-
go den dró ci tos) e a micró glia (célu las fago ci tá rias 
que são mobi li za das em pre sença de lesão, infec ção 
ou doença). O astró cito con tém inú me ros fila men-
tos e é encon trado na região dos cor pos celu la res de 
neu rô nios que envol vem a super fí cie adven tí cia dos 
vasos san güí neos. Acre dita-se que sirva para sepa-
rar e orga ni zar uni da des fun cio nais de neu rô nios e, 
dada sua loca li za ção, tam bém a uma fun ção nutri-
tiva. O oli go den dró cito con tém pou cos fila men tos 
e par ti cipa na for ma ção da bai nha de mie lina dos 
neu rô nios do SNC. Nos ner vos peri fé ri cos, este 
papel é rele gado às célu las de Schwann. A dife-
rença entre a for ma ção de bai nha de mie lina nos 
ner vos peri fé ri cos e no SNC reside no fato de que 
os oli go den dró ci tos podem envol ver vários axô nios 
no SNC enquanto que as célu las de Schwann estão 
asso cia das a ape nas um axô nio no sis tema ner voso 
peri fé rico. A bai nha é for mada pela sobre po si ção 
de cama das con cên tri cas de uma subs tân cia lipí-
dica, deno mi nada mie lina, em torno dos axô nios, 
a par tir de sua pró pria mem brana celu lar, que se 
funde, pren sando o cito plasma, o que deter mina o 
seu aspecto carac te rís tico. Esta bai nha é inter rom-
pida a inter va los regu la res, dando ori gem aos cha-
ma dos nodos de Ran vier (Fig. 2.3). As fibras ner-
vo sas que pos suem esta estru tura são cha ma das de 
" fibras mie lí ni cas". Elas per mi tem uma pro pa ga ção 
em alta velo ci dade do impulso ner voso. Nas fibras 
mie li ni za das mais gros sas, tal velo ci dade atinge 
valo res de 120 m/s.
A maio ria das fibras ner vo sas, entre tanto, não 
pos sui bai nha de mie lina, sendo cha ma das de 
" fibras amie lí ni cas". Nes tas, a velo ci dade de pro-
pa ga ção do impulso ner voso é mais lenta (da ordem 
de 1 a 3 m/s). Pro ces sos neu rais que exi gem rapi dez 
de cone xão no arco reflexo, como os ajus tes pos tu-
rais, o reflexo de reti rada frente a um estí mulo noci-
cep tivo, etc., são supri dos por fibras mie lí ni cas. Por 
outro lado, os pro ces sos neu rais que não neces si tam 
de grande velo ci dade e pre ci são, como o con trole 
dos movi men tos no tubo diges tivo, o con trole neu-
ral da pro du ção das secre ções das glân du las endó-
cri nas e exó cri nas, são con tro la dos por fibras ner-
vo sas amie lí ni cas. Essas apre sen tam duas gran des 
van ta gens em rela ção às mie lí ni cas: ocu pam menos 
 espaço e pro du zem poten ciais de ação com menor 
gasto de ener gia. Nes tas fibras, por tanto, o fluxo de 
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Fibras mielínicas e amielínicas
Fig. 2.3 - Sec ção trans ver sal de uma fibra ner vosa (axô nio) e de uma célula de Schwann à sua volta. Observe a for-
ma ção do nodo de Ran vier com o desen vol vi mento da bai nha de mie lina for mada pela com pac ta ção das 
cama das de mie lina ori gi na das de célu las de Schwann. (Adap tado de Jun queira e Car neiro, 1985).
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Neurofisiologia
Fig. 2.4 - Regis tro de poten ciais elé tri cos em uma célula ner vosa. Na parte esquerda da figura, o microe le trodo de 
regis tro e o ele trodo indi fe rente estão em con tato com a parte externa da mem brana celu lar (A). O pon-
teiro do equi pa mento de regis tro não detecta nenhuma dife rença de poten cial. Na parte direita da figura, o 
microe le trodo de regis tro é inse rido no inte rior da célula (B), e o ele trodo indi fe rente per ma nece no meio 
extra ce lu lar. Observe a defle xão do pon teiro do medi dor de poten cial que capta uma dife rença de poten cial 
de -70 mV entre o meio intra e extra ce lu lar. Note a dis tri bui ção de car gas no inte rior (nega tiva) e exte rior 
(posi tiva) da célula.
infor ma ções é mais lento e menos pre ciso. Há eco-
no mia, porém, de espaço e ener gia para gera ção da 
ati vi dade ner vosa.
2.3. SINAP SES
As célu las ner vo sas dife ren ciam-se das demais 
célu las do orga nismo por apre sen ta rem duas pro-
prie da des espe ciais: 1) são capa zes de con du zir 
 sinais bioe lé tri cos por lon gas dis tân cias sem que 
haja enfra que ci mento do impulso ao longo de seu 
per curso; 2) por apre sen ta rem cone xões com célu las 
mus cu la res (lisas e estria das), glan du la res e outras 
célu las ner vo sas. Estas cone xões, como vere mos, 
per