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DisciplinaBases Neurais de Processos Psicológicos9 materiais75 seguidores
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mi tem que sejam pro du zi das res pos tas nos mús-
cu los car díaco, liso e esque lé tico, glân du las exó cri-
nas e neu rô nios pós-sináp ti cos atra vés da libe ra ção 
de subs tân cias quí mi cas espe cí fi cas deno mi na das 
de neu ro trans mis so res ou neu ro mo du la do res (Fig. 
2.4).
 Segundo C. Sher ring ton, sinap ses são zonas ati-
vas de con tato entre uma ter mi na ção ner vosa e outra 
 célula ner vosa, ou uma célula mus cu lar ou ainda 
uma célula glan du lar. Do ponto de vista ana tô mico e 
fun cio nal, uma sinapse é com posta por três gran des 
com par ti men tos: mem brana da célula pré-sináp-
tica, fenda sináp tica e mem brana pós-sináp tica. Os 
prin ci pais tipos de con tato sináp tico são:
\u2014 axo-somá tico: entre um axô nio e o corpo celu-
lar;
\u2014 axo-den drí tico: entre um axô nio e um den-
drito;
\u2014 axo-axô nico: entre dois axô nios;
\u2014 neu roe fe tor: entre a ter mi na ção ner vosa e a 
 célula efe tora (fibra mus cu lar lisa, fibra mus-
cu lar car díaca ou célula glan du lar).
\u2014 neu romuscular: entre a ter mi na ção ner vosa e 
a fibra muscular esquelética
Con ta tos fun cio nais adi cio nais, menos fre qüen-
tes, são os arran jos den dro den drí ti cos que são típi-
cos de alguns neu rô nios monoa mi nér gi cos.
As sinap ses podem ser exci ta tó rias ou ini bi tó-
rias. A exci ta tó ria atua no sen tido de pro vo car um 
disparo no neu rô nio pós-sináp tico, disparo esse que 
se pro paga pelo seu axô nio. A ini bi tó ria atua no sen-
tido de ini bir este disparo. Cada neu rô nio tem cen te-
nas e mesmo milha res de sinap ses em sua super fí cie, 
des car re gando impul sos somente quando a exci ta-
ção sinap tica é bem maior que a ini bi ção. É pos sí vel 
dife ren ciar estru tu ral mente as sináp ses exci ta tó rias 
das ini bi tó rias, como a seguir deli neado:
\u2014 a sinapse exci ta tó ria carac te riza-se por uma 
fenda sináp tica mais larga;
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\u2014 as vesí cu las sináp ti cas são esfé ri cas nas exci ta-
tó rias e alon ga das nas sinap ses ini bi tó rias;
\u2014 as sinap ses esta be le ci das por meio dos espi-
nhos den drí ti cos são do tipo exci ta tó rio.
2.4. PRO PRIE DA DES BIOE LÉTRICAS 
DA MEM BRANA
Como vimos ante rior mente, a infor ma ção no 
sis tema ner voso deve cami nhar por lon gas dis tân-
cias, ao longo dos ner vos, ou por cur tas dis tân cias, 
nas sinap ses. Neste último caso, o fluxo de infor ma-
ções é trans mi tido de uma célula para outra atra vés 
de um agente quí mico, o neu ro trans mis sor (NT). 
A trans mis são de infor ma ção por lon gas dis tân cias 
atra vés de sinais quí mi cos é, entre tanto, mais difí-
cil, tanto por ser um pro cesso rela ti va mente lento, 
como por ten der a haver enfra que ci mento do sinal 
(dimi nui ção da con cen tra ção do trans mis sor quí-
mico) com o aumento da dis tân cia. Esta é a razão 
pela qual o sis tema ner voso desen vol veu, ao longo 
de sua evo lu ção, pro ces sos elé tri cos de comu ni-
ca ção, usando como sinal de infor ma ção o poten-
cial de ação, pos si bi li tando a comu ni ca ção rápida 
e efi ciente entre regiões dis tan tes do orga nismo. 
Sendo assim, a com preen são dos meca nis mos de 
fun cio na mento nor mal e anor mal do sis tema ner-
voso requer o conhe ci mento das pro prie da des elé-
tri cas dos neu rô nios e como os poten ciais elé tri cos 
podem ser gera dos ao nível da mem brana celu lar.
Nor mal mente, existe uma dife rença de poten cial 
entre o inte rior de uma célula e o fluido extra ce lu-
lar, cha mado de "poten cial de mem brana". Numa 
 célula não exci tada, isto é, que não esteja rece bendo 
infor ma ção de outras célu las, o poten cial de mem-
brana é man tido em valor está vel ao longo do tempo, 
sendo por esta razão refe rido usual mente como 
"poten cial de repouso". Alte ra ções elé tri cas tran-
si tó rias neste poten cial de repouso podem resul tar 
no apa re ci mento do poten cial de ação que, como 
vimos, per mite que o fluxo de infor ma ções per corra 
gran des dis tân cias e seja trans mi tido a outras célu-
las atra vés de sinap ses. A com preen são de como é 
 gerado o poten cial de repouso é essen cial para o 
enten di mento da for ma ção do poten cial de ação e 
do meca nismo celu lar pri ma ria mente envol vido na 
expres são de uma deter mi nada res posta.
2.4.1. Poten cial de repouso
Para se ana li sar os poten ciais elé tri cos de um 
sis tema vivo são usa dos ele tro dos (um ele trodo de 
esti mu la ção e um ele trodo de regis tro para detec tar 
o fluxo de cor rente ou poten cial nas célu las), ampli-
fi ca do res para aumen tar o tama nho do regis tro do 
poten cial, e osci los có pios ou polí gra fos, para moni-
to rar os poten ciais em fun ção do tempo. Se tomar-
mos dois ele tro dos e os colo car mos sobre a mem-
brana celu lar, não obser va mos qual quer dife rença 
de poten cial (Fig. 2.4A). Mas se, por outro lado, 
intro du zir mos um deles no inte rior do neu rô nio, 
pode-se obser var uma dife rença de poten cial entre o 
inte rior da célula e o fluido extra ce lu lar (Fig. 2.4B). 
O poten cial do espaço extra ce lu lar, por con ven ção, 
é fixado em zero. A dife rença de poten cial detec-
tada entre o ele trodo intra ce lu lar e o extra ce lu lar, 
como vimos ante rior mente, é deno mi nada poten-
cial de mem brana. Este poten cial, em geral, situa-se 
em torno de 70 mili volts (mV). Se esse poten cial 
não sofre qual quer varia ção no tempo, é cha mado 
de poten cial de repouso. O termo mais gené rico, 
poten cial de mem brana, refere-se ao poten cial atra-
vés da mem brana a qual quer momento, seja durante 
o repouso, seja durante os vários momen tos de sua 
ati va ção. A ori gem do poten cial de mem brana está 
loca li zada na dis tri bui ção desi gual (ou no dese qui-
lí brio) de íons nas super fí cies interna e externa da 
mem brana celu lar. Na célula em repouso existe um 
 excesso de car gas posi ti vas na super fí cie externa e 
um excesso de car gas nega ti vas no inte rior da mem-
brana, que fun ciona como uma bar reira semi per-
meá vel à difu são dos íons. O fluido extra ce lu lar é 
par ti cu lar mente rico em sódio e o intra ce lu lar em 
 ânions pro téi cos, sul fa tos e fos fa tos ( ânions fixos). 
Estes últi mos, em fun ção de suas dimen sões, são 
pouco difu sí veis na mem brana celu lar. 
Como na célula em repouso, a per mea bi li dade 
da mem brana ao K+(PK) chega a ser em torno de 
30 vezes supe rior à per mea bi li dade ao Na+(PNa), 
o íon K+ tende a se con cen trar no meio intra ce lu lar 
 atraído pelos ânions fixos. Isto gera uma con di ção 
de dese qui lí brio iônico no qual a con cen tra ção de 
Na+ fora da célula (140 mEq/l) é maior que no inte-
rior (cerca de 12 mEq/l), e o K+ ao con trá rio, fica 
mais con cen trado no meio intra ce lu lar (150 mEq/l) 
em rela ção ao extra ce lu lar (5 mEq/l).
Entre tanto, a maior con cen tra ção do K+ no meio 
intra ce lu lar faz com que o mesmo tenda a se des-
lo car con ti nua mente para fora da célula (a favor do 
seu gra diente de con centra ção), uma vez que, em 
 repouso, PK>PNa. No entanto, cada íon K
+ que sai 
deixa uma carga nega tiva não neu tra li zada no inte-
rior da célula. A entrada de Na+ para o meio intra-
ce lu lar não chega a com pen sar a saída de K+ por-
que a per mea bi li dade ao sódio no repouso é baixa. 
Desta forma o meio intra ce lu lar fica nega tivo em 
rela ção ao extra ce lu lar esta be le cendo-se, por tanto, 
uma dife rença de poten cial atra vés da mem brana. 
Qual a razão pela qual o fluxo de K+ para fora da 
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Potencial de membrana
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