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DisciplinaBases Neurais de Processos Psicológicos9 materiais75 seguidores
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de recep to res sero to ni nér-
gi cos no SNC. Os mais conhe ci dos são o 5-HT1, o 
5-HT2 e o 5-HT3. O recep tor 5-HT1 é sub di vidido 
em 5-HT1a, 5-HT1b e 5-HT1c. A busca de com pos tos 
que atuem sele ti va mente nes tes recep to res é bas tante 
 intensa. Den tre os com pos tos que afe tam a trans mis-
são sero to ni nér gica des taca-se o LSD. Ele reduz a 
taxa de reno va ção de 5-HT no cére bro e inibe a fre-
qüên cia de dis paro dos neu rô nios da rafe. Esta última 
ação pode ser res pon sá vel pelos seus efei tos alu ci-
no gê ni cos, uma vez que os mes mos podem resul tar 
da ini bi ção de um sis tema que inibe toni ca mente os 
impul sos visuais e sen so riais. A ausên cia desta ini bi-
ção cons ti tui ria a base para o apa re ci mento das alu-
ci na ções visuais e audi ti vas que são bas tante carac-
te rís ti cas da into xi ca ção com o LSD, mes ca lina e 
 outros alu ci nó ge nos.
2.6.3. Ami noá ci dos
O SNC con tém altas con cen tra ções de cer tos 
ami noá ci dos, par ti cu lar mente glu ta mato e ácido 
gama-ami no bu tí rico (GABA na sigla em inglês). 
Estes ami noá ci dos são extre ma mente poten tes 
em alte rar a des carga neuronial. No iní cio, mui-
tos fisio lo gis tas mos tra ram-se relu tan tes em acei-
tar estas subs tân cias como neu ro trans mis so ras, em 
vista da difi cul dade de sepa rar as suas ações como 
trans mis so ras das fun ções conhe ci das dos ami noá-
ci dos como pre cur so res de pro teí nas. Outros argu-
men tos impor tan tes levan ta dos con tra o seu papel 
como subs tân cias neu ro trans mis so ras pren diam-se 
aos efei tos gené ri cos pro mo vi dos por elas. Os ami-
noá ci dos dicar bo xí li cos (glu ta mato, aspar tato) pro-
du zem sem pre exci ta ção, e os mono car bo xí li cos 
(GABA, gli cina, tau rina e beta-ala nina) pro du zem 
ini bi ção. Estes efei tos eram expli ca dos como sendo 
decor ren tes de ações ines pe cí fi cas sobre a ati vi dade 
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Serotonina
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neuronial. Com os estudos realizados nos últi mos 
20 anos esses argu men tos não mais se sustentam 
e são inúmeras as evi dên cias que apon tam para o 
papel des tas subs tân cias como neu ro trans mis so-
res.
2.6.3.1. Mono car bo xí li cos: O GABA é o prin ci pal 
neu ro trans mis sor ini bi tó rio do SNC. É pro du zido 
pela remo ção enzi má tica de um grupo car bo xí lico 
do ácido glu tâ mico. Embora o GABA possa ser um 
neu ro trans mis sor de sis te mas de pro je ção axônica 
lon ga, ele é prin ci pal mente encon trado em inter neu-
rô nios. É encon trado por todo o SNC, mas aqui des-
ta ca re mos a sua loca li za ção em áreas onde sua ação 
está mais bem escla re cida.
Em cir cui tos locais de neu rô nios, o GABA é 
encon trado no cór tex cere be lar, nas célu las de Golgi 
e nas célu las em cesto. No núcleo dor sal da rafe, o 
GABA exerce uma ini bi ção tônica sobre os neu rô-
nios sero to ni nér gi cos deste núcleo. Na substância 
cin zenta peria que du tal e colí cu los supe rio res, ele 
 exerce um con trole ini bi tó rio tônico sobre neu rô-
nios envol vi dos no com por ta men to de medo. É um 
impor tante neu ro trans mis sor no "sis tema extra pi-
ra mi dal", onde é encon trado em inter neu rô nios ou 
em axô nios de pro je ção que se ori gi nam no estriado 
e se pro je tam para a subs tân cia negra, pars reti cu-
lata, onde influen cia as célu las de ori gem da via 
dopa mi nér gica nigroes tria tal. Da subs tân cia negra 
(pars reti cu lata), fibras GABAér gi cas pro je tam-se 
para o teto mesen ce fá lico, onde con tro lam aspec tos 
moto res rela cio na dos ao com por ta mento de fuga.
Exis tem dois tipos de recep to res GABA: GABAA 
e GABAB. Os recep to res GABAA pare cem estar 
limi ta dos à dis tri bui ção pós-sináp tica nos den dri-
tos e cor pos celu la res. O com plexo recep tor GABA 
con siste em um sítio de reco nhe ci mento GABA, 
um sítio de liga ção ben zo dia ze pí nico e um canal 
de íons cloro. A liga ção de uma ben zo dia ze pina a 
seu sítio de liga ção (subu ni dade alfa) aumenta a 
afi ni dade do seu sítio recep tor (subu ni dade beta) 
ao GABA. Estes recep to res pos suem um impor-
tante papel na regu la ção de esta dos emo cio nais. Os 
recep to res GABAB pare cem estar envol vi dos no 
con trole da ati vi dade mus cu lar.
 Outros neu ro trans mis so res ini bi tó rios impor-
tan tes são a gli cina e a tau rina. A gli cina atua basi-
ca mente na por ção cau dal do tronco ence fá lico e 
 medula espinal, onde é libe rada de inter neu rô nios. 
A tau rina está ampla mente dis tri buída no cére bro, 
mas é encon trada prin ci pal mente no cór tex cere-
bral e cere belo. Existe uma ten dên cia em clas si fi car 
a gli cina e a tau rina como neu ro mo du la do res, ao 
invés de neu ro trans mis so res, em vista de inú me-
ras evi dên cias que mos tram uma ação mo du la dora 
des tas subs tân cias nas mem bra nas neu ro niais e na 
libe ra ção de outros trans mis so res.
2.6.3.2. Dicar bo xí li cos: Estes ami noá ci dos são 
subs tân cias trans mis so ras exci ta tó rias usa das por 
um grande número de neu rô nios do SNC. Os prin-
ci pais são o ácido glu tâ mico e o ácido aspár tico. As 
seguin tes vias usam estes ami noá ci dos exci ta tó rios 
como neu ro trans mis sor: célu las pira mi dais neo-
cor ti cais, que se pro je tam para os núcleos da base e 
 tálamo; fibras cór ti co- tec tais, que inci dem sobre o 
colí culo supe rior; e fibras hipo cam pais, que per cor-
rem o fór nix e pro je tam-se para o hipo tá lamo, amíg-
dala e núcleo accum bens. Além disto, vários tra ba-
lhos suge rem que o glu ta mato e o aspar tato sejam 
os trans mis so res das fibras afe ren tes pri má rias que 
 entram no SNC atra vés do nervo tri ge mi nal e raí zes 
espinais dor sais.
2.6.4. Neu ro pep tí deos
Após as des co ber tas, no iní cio da década de 
70, de que além do seu papel meta bó lico, cer tos 
ami noá ci dos pode riam tam bém ser vir como neu-
ro trans mis so res, come ça ram a sur gir evi dên cias 
do envol vi mento dos neu ro pep tí dios no pro cesso 
de trans mis são sináp tica. Neste sen tido, tem sido 
impres sio nante o número de pep tí dios carac te-
ri za dos como neu ro trans mis so res nas duas últi-
mas deca das. Des co briu-se que vários pep tí dios 
hipo fi seo tró fi cos, como a soma tos ta tina, o ACTH 
(hor mô nio adre no cor ti co tró fico) e os hor mô nios 
libe ra do res de tireo tro fina e de hor mô nios sexuais, 
apre sen tam uma ampla dis tri bui ção no cére bro tal 
como obser vado em rela ção aos neu ro trans mis so-
res clás si cos. O con ceito ori gi nal de que os hor mô-
nios pep ti dér gi cos que se ori gi nam no hipo tá lamo 
medio- ba sal atua vam somente atra vés do sis tema 
porta hipo fi sá rio para libe rar os hor mô nios tró fi cos 
da ade no- hi pó fise teve de ser aban do nada. Segundo 
 alguns auto res, os cerca de 30 neu ro pep tí dios já des-
cri tos no cére bro não che gam a repre sen tar 10% do 
 número que efe ti va mente deve exis tir no SNC, de 
forma que ainda existe um longo cami nho a ser per-
cor rido neste campo de pes quisa. A seguir, comen-
ta re mos sobre os prin ci pais neu ro pep tí deos conhe-
ci dos.
2.6.4.1. Subs tân cia P: A subs tân cia P foi des co-
berta há cerca de 50 anos, no cére bro e intes tino. A 
ação no SNC deste unde ca pep tí dio (pep tí dio com 
onze ami noá ci dos) carac te riza-se por um efeito 
exci ta tó rio que se desen volve len ta mente e per siste 
por longo tempo. Cerca de 20% dos neu rô nios dos 
gân glios da raiz dor sal, bem como do gân glio tri ge-
mi nal, con têm subs tân cia P. Estes