BasesBiológicasdoCpto
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DisciplinaBases Neurais de Processos Psicológicos9 materiais75 seguidores
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lí brio e da pos tura. O trato 
dor so la te ral ori gina-se no núcleo rubro, influen cia 
os neu rô nios moto res que con tro lam a mus cu la tura 
dis tal dos mem bros e é de grande impor tân cia no 
con trole dos movi men tos das extre mi da des, como 
por exem plo, a mani pu la ção de obje tos pelos dedos. 
O trato ven tro me dial loca liza-se no funí culo medial 
e o trato dor so la te ral per corre o funí culo late ral da 
 medula.
Expe ri men tal mente, o estudo das fun ções des-
ses núcleos é rea li zado atra vés do sec cio na mento 
(inter rup ção) das cone xões entre o tronco cere bral e 
os cen tros moto res situa dos mais acima, par ti cu lar-
mente no cere belo, núcleos da base e cór tex motor. 
Um grande número de evi dên cias têm sido obti das, 
mos trando que esses cen tros res pon dem pelo con-
trole reflexo da pos tura do corpo no espaço. Den tre 
os recep to res par ti cu lar mente impor tan tes para esta 
fun ção, des ta cam-se:
\u2014 os recep to res dos órgãos do equi lí brio, situa-
dos de ambos os lados do ouvido interno ( órgãos 
oto lí ti cos e cris tas ampo la res);
\u2014 os recep to res arti cu la res cer vi cais (meca nor-
re cep to res);
\u2014 os extenso-recep to res dos mús cu los do pes-
coço (fusos neu ro mus cu la res). Os fusos neu ro mus-
cu la res são peque nos órgãos sen si ti vos mer gu lha-
dos no inte rior do mús culo. São cons ti tuí dos por 
um pequeno número de fibras mus cu la res dife ren-
cia das (de qua tro a dez), de alguns milí me tros de 
com pri mento, envol tas por uma bai nha de mie lina. 
Atra vés des ses recep to res, é pos sí vel aos cen tros 
moto res do tronco cere bral ajus ta rem a posi ção 
nor mal do corpo no espaço sem a inter ven ção de 
 nenhum esforço volun tá rio. Em maior exten são no 
teto mesen ce fá lico e em menor na ponte e no bulbo 
esses núcleos moto res vão ati var as fibras do feixe 
teto-espinal e retí culo- espinal que, por sua vez, irão 
coman dar a mus cu la tura do pes coço e dos ombros.
O órgão do equi lí brio está situado ime dia ta-
mente ao lado do apa re lho audi tivo interno. Tanto 
o órgão do equi lí brio como os órgãos da audi ção 
no ouvido interno são iner va dos pelo mesmo nervo 
ves tí bulo- coclear (VIII par cra niano), que como o 
nome indica é com posto de dois com po nen tes, o 
ves ti bu lar e o coclear. Ana to mi ca mente, o órgão do 
equi lí brio cor res ponde a estru tu ras muito com ple-
xas sendo, por isso, cha mado de labi rinto. O labi-
rinto está com ple ta mente embu tido no osso tem po-
ral, sendo de difí cil acesso, tanto do ponto de vista 
expe ri men tal, quanto cirúr gico ou far ma co ló gico. 
O órgão do equi lí brio nos trans mite infor ma ções 
sobre a posi ção da cabeça no espaço (que pode mos 
per ce ber niti da mente, mesmo com os olhos fecha-
dos e sem o auxí lio de outros pon tos de refe rên cia), 
e informa-nos sobre a ace le ra ção angu lar (nas cur-
vas) e sobre a ace le ra ção linear (movi men tos hori-
zon tais ou ver ti cais). Este órgão fun ciona com certa 
len ti dão, de modo que as sen sa ções per sis tem após 
o tér mino de um deter mi nado movi mento, como 
acon tece em uma inter rup ção súbita de um movi-
mento gira tó rio. Nesse caso, se os olhos esti ve rem 
aber tos, duas infor ma ções defa sa das no tempo são 
leva das ao SNC pro vo cando a sen sa ção de ver ti gem 
e per tur ba ções da coor de na ção motora. Todas essas 
infor ma ções ascen dem ao SNC pelo com po nente 
ves ti bu lar do VIII nervo cra niano. As fibras desse 
nervo, cujos cor pos celu la res encon tram-se no gân-
glio ves ti bu lar, diri gem-se aos núcleos ves ti bu la res 
ipsi la te rais, e des tes, os impul sos ou ascen dem aos 
 núcleos moto res dos ner vos ocu lo mo to res, o tro-
clear e o abdu cente no tronco encefálico, ou atin-
gem o arqui ce re belo (lobo fló culo-nodu lar) atra-
vés do fas cí culo ves tí bulo-cere be lar. Neste último 
caso, as infor ma ções são inte gra das no cór tex cere-
be lar e os impul sos dei xam o cere belo pelos axô-
nios da célula de Pur kinje que se pro je tam para o 
 núcleo fas ti gial (um dos núcleos do corpo medu lar 
do cere belo) (ver Fig. 3.12, pág. 57). Os neu rô nios 
aí loca li za dos ori gi nam o trato fas tí gio-bul bar, que 
é cons ti tuído de fibras que retor nam aos núcleos 
ves ti bu la res e por outras que se des ti nam à for ma-
ção reti cu lar do tronco ence fá lico. A par tir des sas 
estru tu ras, os impul sos ner vo sos pro je tam-se nos 
neu rô nios moto res do corno ante rior da medula 
espinal atra vés dos tra tos ves tí bulo-espinal e retí-
culo-espinal. O resul tado de todo esse pro cesso é o 
 ajuste pos tu ral e a manu ten ção do equi lí brio.
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Postura e movimento
Vias reflexas
A com preen são do papel fun cio nal dos outros 
dois refle xos pos tu rais media dos pelos recep to res 
arti cu la res cer vi cais e pelos extenso-recep to res dos 
mús cu los do pes coço sur giu a par tir de expe ri men-
tos nos ani mais mesen ce fá lico e \u201cdes ce re brado\u201d 
(Fig. 3.1). No ani mal mesen ce fá lico, a sec ção é feita 
no limite supe rior do tronco encefálico (o mesen cé-
falo será, por tanto, a parte intacta mais alta do sis-
tema ner voso), de forma que são remo vi das todas as 
influên cias dos cen tros moto res situa dos acima da 
 lâmina qua dri gê mea. No mesen cé falo deve ser des-
ta cado o papel dos colí cu los supe rio res na arti cu la-
ção das infor ma ções visuais com os movi men tos de 
orien ta ção da cabeça e pes coço rea li za dos atra vés do 
feixe teto-espinal. Como já vimos, no ani mal \u201cdes ce-
re brado\u201d, o sec cio na mento é feito em um nível mais 
baixo, no limite entre o mesen ce fálo e a ponte; por-
tanto, ape nas a ponte e o bulbo per ma ne cem conec-
ta dos à medula espinal. Em ambas as pre pa ra ções, 
as afe rên cias somá ti cas con ti nuam pre sen tes, assim 
como per ma nece intacta a liga ção com o cere belo. 
Por outro lado, quando ocorre um sec cio na mento da 
 medula, depen dendo de sua exten são, a mus cu la tura 
peri fé rica torna-se com ple ta mente flá cida ou há uma 
pre va lên cia do tônus fle xor. Assim, nem o indi ví duo 
para plé gico nem o ani mal que sofreu uma sec ção da 
 medula podem per ma ne cer em pé. No ani mal \u201cdes-
ce re brado\u201d, no entanto, observa-se uma forte ele va-
ção do tônus de toda a mus cu la tura exten sora (Fig. 
3.4). O ani mal man tém todos os seus mem bros em 
exten são máxima. Cabeça e cauda arqueiam-se em 
dire ção às cos tas. Esse qua dro é cha mado de \u201crigi-
dez de des ce re bra ção\u201d. Se o ani mal for colo cado em 
pé, ele assim per ma nece, pois as arti cu la ções não se 
 dobram, devido ao alto tônus da mus cu la tura exten-
sora. Como o ani mal \u201cdes ce re brado\u201d pode per ma-
ne cer em pé, e o ani mal espinal (sec ção medu lar) 
não pode fazê-lo, con clui-se que o bulbo e a ponte, 
con ser va dos no ani mal \u201cdes ce re brado\u201d, pos suem 
cen tros que con tro lam o tônus da mus cu la tura das 
extre mi da des, de sorte que ele pode supor tar o peso 
do corpo. Esta ele va ção do tônus exten sor obser vada 
nos ani mais \u201cdes ce re bra dos\u201d indica que esses cen-
tros no bulbo e na ponte foram \u201cdesi ni bi dos\u201d atra-
vés da des co ne xão com regiões loca li za das acima 
da sec ção.
As infor ma ções pro ve nien tes dos recep to res cer-
vi cais e dos mús cu los do pes coço pro mo vem uma 
dis tri bui ção do tônus da mus cu la tura do corpo atra-
vés da ati va ção dos núcleos moto res do bulbo e da 
ponte. Em fun ção disso, esses refle xos são cha ma-
dos de refle xos cer vi cais tôni cos. Deve ser res sal-
tado que, ao mesmo tempo, esses núcleos tam bém 
rece bem infor ma ções pro ve nien tes do labi rinto, 
infor mando-os da movi men ta ção da cabeça do 
ani mal no espaço, o que con tri bui igual mente para 
a dis tri bui ção do