BasesBiológicasdoCpto
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DisciplinaBases Neurais de Processos Psicológicos9 materiais75 seguidores
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tônus da mus cu la tura do corpo. 
Esses refle xos são, por isso, cha ma dos de refle-
xos labi rín ti cos. É pos sí vel demons trar que esses 
refle xos são com ple men ta res. Se neu tra li zar mos 
uma das fon tes des sas infor ma ções (por exem plo, 
os labi rin tos), os recep to res da mus cu la tura do pes-
coço e das arti cu la ções cer vi cais pas sam a infor-
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 Fig. 3.4 - Repre sen ta ção dos refle xos pos tu rais no ani mal \u201cdes ce re brado\u201d. A \u2014 Pos tura carac te rís tica dessa pre pa-
ra ção, com as qua tro patas esten di das rigi da mente. B \u2014 Res posta à esti mu la ção da pata ante rior esquerda. 
A pata esti mu lada é esten dida para cima, a cabeça gira para o lado esti mu lado, a pata pos te rior do lado esti-
mu lado é esten dida para baixo e a pata pos te rior con tra la te ral é fle xio nada. C \u2014 Res posta à esti mu la ção 
da pata pos te rior esquerda. Essa esti mu la ção pro duz uma figura que é a ima gem em espe lho de B, exceto 
 quanto ao acerto da posi ção da cabeça ( segundo Sher ring ton, 1947).
mar os cen tros moto res do tronco encefálico sobre 
a posi ção da cabeça em rela ção ao corpo.
A rigi dez dos mús cu los exten so res é a pos tura 
pre do mi nante nos ani mais \u201cdes ce re bra dos\u201d (Fig. 
3.4A). Além das pos tu ras carac te rís ti cas decor ren-
tes da esti mu la ção das patas (Fig. 3.4B e C), se os 
labi rin tos forem remo vi dos em um ani mal \u201cdes ce-
re brado\u201d e a cabeça for dobrada para cima, há uma 
ele va ção do tônus exten sor dos mem bros ante rio res 
e dimi nui ção do tônus dos mem bros pos te rio res. Se 
a cabeça for dobrada para baixo, as modi fi ca ções 
do tônus são inver sas: dimi nui o tônus exten sor nos 
mem bros ante rio res e aumenta o dos mem bros pos-
te rio res. Se a cabeça for virada para o lado direito, 
 haverá ele va ção do tônus dos mús cu los dos mem-
bros do lado direito, para supor tar o peso do corpo, 
que se des loca para esse lado. Nos três casos, a nova 
posi ção é man tida ape nas enquanto a cabeça per ma-
ne cer na posi ção alte rada. Estas obser va ções ser vi-
ram para loca li zar os meca nis mos res pon sá veis pela 
dis tri bui ção do tônus mus cu lar no bulbo e na ponte. 
Os refle xos recru ta dos são, por tanto, cer vi cais. Eles 
são tam bém cha ma dos de \u201crefle xos da manu ten ção 
da pos tura ereta\u201d.
Assim, os cen tros moto res da ponte e do bulbo 
têm con di ções não ape nas de manter ele vado o 
tônus da mus cu la tura dos mem bros, de forma que 
o corpo per ma neça ereto con tra seu pró prio peso, 
mas podem tam bém modi fi car esse ele vado tônus 
exten sor (rigi dez de \u201cdes ce re bra ção\u201d) de maneira 
apro priada, de forma a per mi tir uma pos tura que 
favo reça o equi lí brio pos tu ral face aos estí mu los do 
meio. Essas modi fi ca ções são rea li za das de acordo 
com as infor ma ções rece bi das do labi rinto (posi ção 
da cabeça no espaço) e dos recep to res dos mús cu los 
e arti cu la ções cer vi cais (posi ção da cabeça em rela-
ção ao tronco). Em ani mais intac tos, esses refle xos 
e outros que lhes são aná lo gos, cons ti tuem uma pro-
vi são de pro gra mas ele men ta res de pos tura de que o 
orga nismo se uti liza segundo sua neces si dade.
Se, além do bulbo e da ponte, tam bém o mesen-
cé falo per ma ne cer conec tado à medula (no caso do 
ani mal mesen ce fá lico), a capa ci dade motora do ani-
mal será con si de ra vel mente melho rada e ampliada. 
As duas dife ren ças mais impor tan tes dessa pre pa-
ra ção em rela ção ao ani mal \u201cdes ce re brado\u201d são: 1) 
o ani mal que con serva o mesen cé falo não apre senta 
a rigi dez de des ce re bra ção, não havendo, por tanto, 
a pre do mi nân cia do tônus dos exten so res; 2) o ani-
mal mesen ce fá lico con se gue levan tar-se sem auxí-
lio. Como as afe rên cias sen so riais que che gam ao 
cére bro nes sas duas pre pa ra ções não dife rem, o 
 melhor desem pe nho motor dos ani mais mesen ce-
fá li cos em rela ção aos ani mais des ce re bra dos é cre-
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Fig. 3.5 - A. Foto mi cro gra fia do cór tex motor de rato mos trando (seta) uma célula pira mi dal mar cada com tra ça dor 
de cap ta ção e trans porte retró grado, fast blue. A barra cor res ponde a 24 \u3bcm. B. Foto mi cro gra fia do corno 
ante rior da medula espi nhal, mos trando neu rô nios moto res (setas). A barra cor res ponde a 48 \u3bcm.
Postura e movimento
Regulação no tronco encefálico
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di tado a meca nis mos intrín se cos do mesen cé falo. 
De fato, se o ani mal \u201cdes ce re brado\u201d for empur rado, 
ele cai e não pos sui a habi li dade neces sá ria para 
levan tar-se nova mente (a pre pon de rân cia do tônus 
dos exten so res o impede). Os cen tros moto res do 
mesen cé falo orga ni zam os refle xos de posi cio na-
mento de forma que a ati vi dade motora do ani mal 
 ocorra numa seqüên cia de movi men tos refle xos 
con ca te na dos deter mi nando que a pos tura nor mal 
e o equi lí brio do corpo sejam man ti dos sem esforço 
cons ciente. Atuando tam bém nessa dire ção, devem 
ser cita das as impor tan tes con tri bui ções dos refle-
xos óti cos e os refle xos desen ca dea dos por estí mu-
los pro ve nien tes da super fí cie do corpo.
 Embora, na situa ção expe ri men tal, grande parte 
do pro sen cé falo (dien cé falo e telen cé falo) pareça 
des ne ces sá ria à pos tura e mar cha nor mais, seu con-
curso é essen cial no con trole da loco mo ção em 
ani mais intac tos, na medida em que meca nis mos 
con tro la do res, aí situa dos, sele cio nam o pro grama 
motor ade quado para uma deter mi nada ati vi dade. 
Como demons tra ção disso deve ser notado que, 
dife ren te mente dos ani mais intac tos, os ani mais 
mesen ce fá li cos não são capa zes de movi men tos 
espon tâ neos, sendo neces sá ria a apli ca ção de um 
estí mulo externo para que o ani mal, como um robô, 
se movi mente.
3.4. CON TROLE MOTOR PELO CÓR-
TEX CERE BRAL
A ati vi dade motora com plexa (por exem plo, a 
ati vi dade espor tiva, ges tos, lin gua gem ou a ati vi-
dade envol vida na ope ra ção de ins tru men tos ele trô-
ni cos ou musi cais, etc.) tem no cór tex motor o seu 
ponto de par tida, dado que ele conecta e dá con ti-
nui dade ao pro cesso ini ciado em áreas sen so riais e 
de asso cia ção do cór tex cere bral, como vere mos nos 
capí tu los sub se qüen tes. O cór tex motor está loca li-
Fig. 3.6 - Con trole motor pelo cór tex cere bral. Estão indi ca das as áreas pré- motora e motora suple men tar em vista 
dor sal (A) e medial (B). As prin ci pais pro je ções des tas regiões se diri gem para a área motora pri má ria loca-
li zada na frente do sulco cen tral. A repre sen ta ção das diver sas regiões do corpo no cór tex motor pri má rio se 
dá em pro por ção equi va lente a sua des treza e agi li dade (C).
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zado no giro pré-cen tral e cor res ponde à área 4 de 
Brod mann, e con tém uma popu la ção carac te rís tica 
de célu las gigan tes (50 a 80 \u3bcm de diâ me tro) em 
forma de pirâ mi des, conhe ci das como célu las pira-
mi dais ou célu las de Betz (Fig. 3.5A), em home na-
gem ao seu des co bri dor. As célu las pira mi dais do 
cór tex motor for ne cem um canal direto do cére bro 
para os neu rô nios do corno ven tral da medula, os 
moto neu rô nios (Fig. 3.5B). Esses moto neu rô nios 
são tam bém cha ma dos de via final comum, por que 
sobre eles inci dem os neu rô nios das vias refle xas, 
da \u201cvia piramidal\u201d ou da via \u201cextrapiramidal\u201d, e as 
con tra ções mus cu la res ou res pos tas moto ras são, 
em última aná lise, o resul tado de sua ati va ção.
 Quando apli ca mos bre ves estí mu los elé tri cos 
ao longo da super fí cie do cór tex motor, obser va-
mos que ocor rem con tra ções de gru pos de mús cu-
los con tra la te rais à área esti mu lada. Dessa forma, é 
pos sí vel fazer um mapa no cór tex motor que repre-
senta todas as par tes do corpo. No homem, esse 
mapa