BasesBiológicasdoCpto
252 pág.

BasesBiológicasdoCpto


DisciplinaBases Neurais de Processos Psicológicos9 materiais75 seguidores
Pré-visualização50 páginas
ma tér gi cos, pro ve nien tes do cór tex, que se pro je-
tam sobre os neu rô nios GABAér gi cos no estriado. 
Essa ação pode ria cau sar uma hipe ra ti vi dade dos 
neu rô nios GABAér gi cos, que resul ta ria na sua 
dege ne ra ção ou des trui ção, redu zindo o freio 
 estriado-talâ mico sobre o cór tex motor. Todos estes 
pro ces sos podem ser facil mente com preen di dos 
ana li sando as inte ra ções entre os cir cui tos extra pi-
ra mi dais mos tra dos na Fig. 3.14.
3.7.1.2. Doença de Par kin son: A doença de Par kin-
son foi des crita pela pri meira vez por um médico 
lon drino cha mado James Par kin son, em 1917, 
como uma com bi na ção de sin to mas moto res carac-
te ri za dos por bra di ci ne sia ou pobreza de movi men-
tos (uma forma de hipo ci ne sia), tre mo res e rigi dez 
(hiper ci ne sia).
O estudo dessa doença tem pro por cio nado um 
con si de rá vel avanço em nossa com preen são da 
par ti ci pa ção dos núcleos da base no con trole do 
movi mento e da pos tura. Trata-se de uma doença 
media na mente fre qüente, com uma inci dên cia 
em torno de 0,5% na popu la ção em geral, sendo 
rela cio nada à dege ne ra ção de neu rô nios dopa mi-
nér gi cos no sis tema nigroes tria tal. Esta dege ne ra-
ção pode levar a uma redu ção de cerca de 80% do 
con teúdo de dopa mina do estriado. Esta redu ção 
cursa com pre juízo da trans mis são GABAér gica no 
 estriado que, como vimos ante rior mente, con trola a 
ati vi dade de seus prin ci pais canais de saída, as vias 
pali dais GABAér gi cas ini bi tó rias. Uma redu ção da 
ati vi dade dopa mi nér gica na via nigroestria tal favo-
rece a ati vi dade ini bi tó ria dos neu rô nios pali dais 
cau sando uma dimi nui ção impor tante do fun cio na-
mento da via tálamo-cor ti cal (Fig 3.14). Em out-
ras palavras, a redução da atividade de neurônios 
GABAérgicos estriado-palidais (A1 na figura) 
61
62
libera a via pálido-talâmica GABAérgica (B). O 
resul tado dessa seqüên cia de even tos é a redu ção 
dos movi men tos carac te rís tica desta doença. Com-
postos que aumen tam o nível de dopa mina nesse 
sis tema, como é o caso da l \u2013 DOPA (diidroxife-
nilalanina), pre cur sora desta amina bio gê nica que 
pro move a repo si ção de seus esto ques, pro mo vem o 
alí vio dos sin to mas da doença. Por outro lado, dro-
gas que redu zem a ati vi dade dopa mi nér gica, como 
as dro gas antip si có ti cas, podem cau sar sinais par-
kin so nia nos nos pacien tes. 
Uma outra alça neu ro nial que atua adi cio nal-
mente na regu la ção do movi mento con siste de vias 
dopa mi nér gi cas nigroes tria tais que inci dem sobre 
inter neu rô nios coli nér gi cos ini bi tó rios, os quais 
regu lam a ati vi dade de neu rô nios GABAér gi cos 
que se pro je tam na subs tân cia negra pars reti cu-
lata (SNpr). O efeito bené fico de dro gas anti co li-
nér gi cas na doença de Par kin son se deve à redu ção 
da ação regu la dora da ace til co lina libe rada des tes 
inter neu rô nios coli nér gi cos sobre as célu las estria-
tais GABAér gi cas que se pro je tam na SNpr. Como 
con se qüên cia disso, ocorre uma redu ção da ati vi-
dade tônica ini bi tó ria dos neu rô nios de pro je ção 
da SNpr para o tálamo o que favo rece a ati vi dade 
 motora desen ca deada no cór tex. Fazendo o racio-
cí nio inverso temos que na doença de Par kin son a 
ati vi dade dopa mi nér gica está dimi nuída, os inter-
neu rô nios estria tais coli nér gi cos estão hipe ra ti vos 
e os neu rô nios estriado- nigrais GABAér gi cos apre-
sen tam uma redu ção em sua ati vi dade. Na seqüên-
cia, há um aumento da ini bi ção tônica da via de 
saída SNpr- tálamo (tam bém GABAér gica) deter-
mi nando uma menor ati vi dade do cór tex motor. 
Depreende-se do que foi relatado até aqui que há 
dois tipos de mecanismos dopaminérgicos: um 
excitatório (via estriado-palidal) e um inibitório 
associado ao circuito estriado-nigral. Essas cons-
tatações possuem grande importância na busca de 
drogas agonistas e antagonistas dos diversos tipos 
de receptores dopaminérgicos para o tratamento 
dessa enfermidade.
Soma-se ao que foi até aqui apre sen tado que 
mui tos dos sin to mas da enfer mi dade de Par kin son 
se asse me lham bas tante às alte ra ções da ati vi dade 
 motora que ocor rem durante o enve lhe ci mento, de 
forma que mui tas infor ma ções obti das a par tir do 
 estudo da doença de Par kin son podem ser úteis para a 
com preen são dos meca nis mos celu la res e sub ce lu la-
res sub ja cen tes ao enve lhe ci mento.
Dado que alguns sin to mas da doença de Par kin-
son impli cam no apa re ci mento de com por ta men tos 
anor mais e outros resul tam na supres são de com-
por ta men tos nor mais, con ven cio nou-se cha mar os 
pri mei ros de sin to mas posi ti vos e os segun dos de 
sin to mas nega ti vos. Veja mos os prin ci pais deles:
Sin to mas Posi ti vos
1) Tre mor de Repouso: movi men tos alter na dos de 
uma ou ambas as extre mi da des quando os indi-
víduos estão em repouso. São inter rom pi dos pelo 
movi mento ou pelo sono.
2) Rigi dez Mus cu lar: con siste em um aumento do 
tônus mus cu lar dos mús cu los exten so res e fle xo-
res, simul ta nea mente. Torna-se evi dente quando, 
em uma deter mi nada arti cu la ção, a difi cul dade 
ao movi mento é supe rada empre gando-se força 
aos mús cu los, que logo vol tam a resis tir ao 
movi mento. Como nessa con di ção a fle xão e a 
exten são com ple tas só ocor rem por eta pas, esse 
fenô meno tem sido deno mi nado rigi dez em roda 
den teada.
3) Movi men tos Invo lun tá rios: con sis tem em alte-
ra ções con tí nuas da pos tura com a fina li dade de 
redu zir os tre mo res e a rigi dez, por exem plo mar-
char no mesmo lugar. A neces si dade do paciente 
de estar em cons tante movi mento recebe o nome 
de aca ti sia.
4) Rea ções Dis tô ni cas Agu das: care tas e tor ci co los 
são as rea ções mais fre qüen tes.
Sin to mas Nega ti vos
1) Trans tor nos da Pos tura: difi cul dade em man-
ter uma posi ção ereta ou em ini ciar um movi-
mento.
2) Trans tor nos do Movi mento: difi cul dade em 
exe cu tar de forma coor de nada um deter mi nado 
movi mento.
3) Trans tor nos da Fala: difi cul dade na pro du ção 
 física do som. A rigi dez pode desem pe nhar um 
papel pre do mi nante nesse dis túr bio.
4) Bra di ci ne sia: refere-se à pobreza ou len ti dão de 
movi men tos. Pode mani fes tar-se pelo desa pa re-
ci mento da expres são facial (\u201cface do joga dor de 
 pôquer\u201d).
A doença de Par kin son tem sido clas si fi cada em 
três tipos: idio pá tica, ence fa lí tica e indu zida por 
dro gas. Da idio pá tica, como o nome indica, não se 
 conhece a causa. Sua ori gem pode estar rela cio nada 
ao enve lhe ci mento. A ence fa lí tica ori gi nou-se após 
a epi de mia de ence fa lite letár gica que apa re ceu no 
 inverno de 1917 na Europa e desa pa re ceu dez anos 
 depois.O par kin so nismo far ma co ló gico resulta do 
tra ta mento pro lon gado com dro gas antip si có ti cas, 
como a clor proma zina ou buti ro fe nona, que são 
blo quea do ras de recep to res da dopa mina. Os sin-
to mas são rever sí veis, mas de difí cil dis tin ção do 
Par kin son idio pá tico. Outra segura indi ca ção da 
Postura e Movimento
par ti ci pa ção da dopa mina nessa doença é a cons-
ta ta ção de uma redu ção em torno de 90% no ácido 
homo va ní lico (prin ci pal meta bó lito da dopa mina) 
na urina de pacien tes par kin so nia nos. Além disso, 
 existe uma cor re la ção posi tiva entre bai xos níveis 
liquó ri cos de ácido homo va ní lico com a seve ri-
dade da bra di ci ne sia.
Em ver te bra dos pri mi ti vos (pei xes e anfí-
bios), nos quais o cór tex não é bem desen vol vido, 
o estriado desem pe nha um papel pre pon de rante 
na coor de na ção sen so rial e motora. Mesmo nos 
mamí fe ros mais desen vol vi dos, os núcleos