BasesBiológicasdoCpto
252 pág.

BasesBiológicasdoCpto


DisciplinaBases Neurais de Processos Psicológicos9 materiais75 seguidores
Pré-visualização50 páginas
da base 
ainda man têm um papel impor tante no pro ces sa-
mento de infor ma ção sen so rial no SNC. Isso pode 
ser demons trado em gatos que tive ram os núcleos 
cau da dos remo vi dos. Esses ani mais mos tram-se 
alta mente hiper-rea ti vos aos estí mu los sen so riais. 
Estu dos neu rop si co ló gi cos em pacien tes com 
 doença de Hun ting ton têm mos trado que eles apre-
sen tam vários défi cits per cep tuais e sen so riais que 
pre ce dem as anor ma li da des moto ras, de forma que 
 parece exis tir um con tí nuo de fun ções nos núcleos 
da base, que vai desde a fun ção per cep tual/sen so-
rial até a fun ção motora. Assim, tem-se suge rido 
que o fun cio na mento nor mal dos núcleos da base 
 implica um efeito ini bi tó rio sobre os cen tros moto-
res rele van tes. Lesões des ses núcleos leva riam 
à desi ni bi ção, de forma que os moto neu rô nios 
 seriam mais sen sí veis aos impul sos afe ren tes. Isso 
pode ser impor tante em dis túr bios como a esqui-
zo fre nia, cujos sin to mas podem ser o resul tado de 
per tur ba ções no sis tema de fil tro de infor ma ções 
sen so riais nos núcleos da base, deter mi nando que 
a infor ma ção sen so rial ganhe acesso livre mente 
a todas as áreas do SNC, resul tando em res pos tas 
exa ge ra das ou ina pro pria das. Vol ta re mos a comen-
tar sobre o envol vi mento dos núcleos da base na 
esqui zo fre nia no Capí tulo X.
Cum pre, final mente, res sal tar o papel do corpo 
 calo so na exe cu ção de movi men tos simé tri cos coor-
de na dos, como por exem plo, um movi mento rea li-
zado simul ta nea mente com ambas as mãos. Essas 
for mas de coor de na ção dos movi men tos só podem 
ocor rer com a estreita par ti ci pa ção das zonas ante-
rio res do corpo caloso. Pacien tes por ta do res de 
lesão nessa região são inca pa zes de rea li zar movi-
men tos coor de na dos que exi gem reci pro ci dade. 
Essa situa ção serve para ilus trar o fato de que o ato 
motor é um fenô meno com plexo e na pes quisa de 
seus meca nis mos fisio ló gi cos faz-se neces sá rio um 
exame acu rado do papel de cada região do encé falo 
envol vida na gênese e ela bo ra ção da ação motora.
3.8. BIBLIO GRA FIA
1. Cun ning han D. Manual de ana to mia prá tica, Vol III. 
São Paulo: Edi tora da Uni ver si dade de São Paulo, 
1976.
2. Eyza guirre C. Physio logy of the ner vous system. 
Chi cago: Year Book Publis hers, 1969.
3. Grill ner S. Neu ro bio lo gi cal bases of rhythmic mo tor 
acts in ver te bra tes. Science 228:143-149, 1985.
4. Hen ne man E. Motor func tions of the brain stem and 
basal gan glia. Em: Medi cal physio logy. St. Louis: 
Morby, Vol I, 14a edi ção, p. 787-812, 1980.
5. Kan del ER. Move ment. In: Kan del ER, Schwartz 
JH e Jes sell TM (Eds). Prin ci ples of neu ral scien ces. 
New York: McGraw-Hill, p. 653-872, 2000.
6. Machado A. Neu roa na to mia fun cio nal. Rio de 
Janeiro, Livra ria Athe neu, 4a edi ção, p. 49-53 e 215 a 
227, 1999. 
7. Nieu we nhuys R., Voogd J., Van Huij zen C. The 
human cen tral ner vous system. Ber lin: Sprin ger Ver-
lag, 1988.
8. Noback CR, Stro min ger NL, Dema trest RJ. Neu roa-
na to mia: Estru tura e fun ção do sis tema ner voso. São 
Paulo: Edi to rial Pre mier, 5a edi ção, 1999.
9. Rosenz weig MR, Bree dlove SM, Lei man AL. Bio-
lo gi cal Psycho logy: An intro duc tion to beha vio ral, 
cog ni tive, and cli ni cal neu ros cience. Mas sa chus sets, 
 Sinauer Asso cia tes, 2002.
10. Schmidt RF. Neu ro fi sio lo gia. São Paulo: E.P.U. \u2014 
Sprin ger \u2014 Edusp, 1972.
11. Schnei der JS. Basal gan glia role in beha vior: 
impor tance of sen sory gating and its rele vance to 
 psychiatry. Bio lo gi cal Psychiatry 19: 1693-1710, 
1984.
12. Sobotta J, Bex her H. Atlas de ana to mia humana. 
Vol. III. Rio de Janeiro: Gua na bara Koo gan, 1977.
13. Stan daert D, Young AB. Treat ment of cen tral ner-
vous system dege ne ra tive disor ders. Em: Hard man 
JG, Lim bird LE, Good man Gil man A (Eds.). Good-
man & Gilman\u2019s The phar ma co lo gi cal basis of the-
ra peu tics. New York, McGraw-Hill, 9a edi ção, p. 
503-520, 1996.
63
Bibliografia
CAPÍTULO IV
 COMPORTAMENTO 
REPRODUTIVO
Em geral, clas si fi ca mos os pro ces sos vege ta ti-
vos bási cos em três cate go rias: repro du ção, meta-
bo lismo e inte gra ção humo ral. Estes pro ces sos 
vege ta ti vos são con si de ra dos pro ces sos orgâ ni cos 
fun da men tais. A repro du ção é a res pon sá vel pela 
manu ten ção here di tá ria das espé cies. O meta bo-
lismo é a base da sobre vi vên cia dos orga nis mos 
vivos e a inte gra ção humo ral per mite a coor de na-
ção das diver sas fun ções bio ló gi cas rele van tes para 
a adap ta ção dos orga nis mos dife ren cia dos a seu 
meio. Como o com por ta mento sexual está inti ma-
mente rela cio nado ao com por ta mento repro du tivo, 
as bases fisio ló gi cas de ambos estão, obvia mente, 
sobre pos tas. Assim, embora nem todo com por ta-
mento sexual resulte em repro du ção, nenhuma ten-
ta tiva será aqui feita no sen tido de dis so ciar com-
por ta mento sexual de com por ta mento repro du tivo, 
sendo eles estu da dos em con junto. Por tanto, os ter-
mos sexual e repro du tivo são usa dos de forma inter-
cam biá vel neste livro.
O com por ta mento sexual é um com por ta mento 
moti va cio nal, como o são os com por ta men tos explo-
ra tó rio, ali men tar e emo cio nal, com os quais o com-
por ta mento sexual com par ti lha alguns meca nis mos 
neu rais. Entre tanto, é dife rente des ses com por ta men-
tos na medida em que envolve dois indi ví duos que se 
rela cio nam e que sen tem neces si da des e dese jos que 
ultra pas sam a sim ples libe ra ção fisio ló gica da ten são 
 sexual. Por tanto, é influen ciado por inú me ros fato res 
não bio ló gi cos. Neste capí tulo, nossa preo cu pa ção 
maior será com os meca nis mos neu ro- hu mo rais que 
regu lam o com por ta mento sexual.
A pro pa ga ção das espé cies depende, fun da men-
tal mente, das fêmeas quanto a seu papel na fer ti li-
za ção do óvulo e dos cui da dos com a prole. Embora 
o com por ta mento de aca sa la mento varie con si de-
67
Considerações Gerais
Fig. 4.1 - Eixo hipo tá lamo-hipó fise-gôna das na regu la ção do com por ta mento sexual. O con trole ocorre em três 
 níveis: fato res regu la do res hipo ta lâ mi cos, hor mô nios da ade no i pó fise e hor mô nios sexuais secre ta dos 
pelos tes tí cu los ou ová rios. Os fato res regu la do res hipo ta lâ mi cos alcan çam a ade no i pó fise pelo sis tema de 
vasos porta-hipo fi sá rio.
Hipófise anterior
Sistema 
porta-hipofisário
Gônadas
testículos/ovários
Hipófise 
posterior
Hipotálamo
ra vel mente entre os ver te bra dos, os eto lo gis tas têm 
des crito um padrão com por ta men tal comum para 
os ani mais de san gue quente e que mos tram um 
con si de rá vel dimor fismo sexual, isto é, duas for-
mas dife ren tes na mesma espé cie. O ato de aca sa la-
mento nes tes ani mais com preende a corte, ajus tes 
pos tu rais e refle xos geni tais mútuos que resul tam 
na inse mi na ção. O ato de mon tar exi bido pelos 
 machos (subir nas fêmeas por trás e agar rar-se ao 
dorso do pes coço) e a lor dose nas fêmeas (aumento 
da cur va tura lom bar com ele va ção dos flan cos) 
cons ti tuem-se nos ajus tes pos tu rais carac te rís ti cos 
do com por ta mento sexual dos ver te bra dos.
Na maio ria dos ver te bra dos a ati vi dade sexual é 
um fenô meno cíclico, sazo nal e depende fre qüen-
te mente da matu ra ção e da regres são perió dica das 
glân du las sexuais. Esta perio di ci dade aplica-se par-
ti cu lar mente às fêmeas no que tange à neces si dade 
de matu ra ção dos ová rios antes da fer ti li za ção pelo 
macho e da pre pa ra ção ade quada dos órgãos repro-
du ti vos para o desen vol vi mento do embrião.
4.1. CON