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DisciplinaBases Neurais de Processos Psicológicos9 materiais75 seguidores
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mu los estres san tes (luz intensa, 
super po pu la ção, des nu tri ção e estí mu los con di-
cio na dos do medo). Os filho tes machos, quando 
atin gi ram a idade adulta, mos tra ram uma pro nun-
ciada redu ção do com por ta mento sexual mas cu-
lino junto com o apa re ci mento de alguns refle xos 
 sexuais femi ni nos. Estas alte ra ções esta vam asso-
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Fig. 4.5 - Influên cia do meio hor mo nal peri na tal na defi ni ção do sexo do indi ví duo na fase adulta. À esquerda, 
pro to colo expe ri men tal que deter mina femi ni za ção em ratos. Ani mais com os tes tí cu los remo vi dos após 
o nas ci mento e inje ta dos com estró ge nos na idade adulta pas sam a apre sen tar lor dose, com por ta mento 
 típico das fêmeas. Os ani mais con tro les com os tes tí cu los intac tos não apre sen tam qual quer alte ra ção no 
com por ta mento repro du tivo na fase adulta. À direita, pro to colo expe ri men tal que deter mina mas cu li ni-
za ção em ratas. Fêmeas inje ta das com tes tos te rona logo após o nas ci mento e na idade adulta apre sen tam 
invo lu ção dos ová rios e exi bem o com por ta mento de mon tar, típico dos machos. Os ani mais con tro les que 
rece be ram inje ção do veí culo (acima, á direita) na fase peri na tal não apre sen ta ram invo lu ção dos ová rios e 
nem alte ra ção no com por ta mento repro du tivo na fase adulta.
Veículo
Comportamento reprodutivo
cia das a um blo queio indu zido pelo estresse sobre 
a ele va ção dos níveis de tes tos te rona que nor mal-
mente ocorre ao final da ges ta ção. Ao lado disto, 
uma influên cia dos opiói des endó ge nos nes tes 
dis túr bios tam bém foi con si de rada por estes auto-
res. É sabido que durante o estresse ocorre uma 
libe ra ção de beta-endor fina pela pitui tá ria e que a 
admi nis tra ção de opiói des exó ge nos suprime a pro-
du ção de tes tos te rona, pro va vel mente por via indi-
reta, atra vés da ini bi ção da libe ra ção do hor mô nio 
lutei ni zante. Assim, é pos sí vel que o estresse leve 
a libe ra ção de ligan tes opiói des endó ge nos pela 
pitui tá ria, resul tando em uma menor pro du ção de 
tes tos te rona no feto. Efei tos simi la res aos opiói des 
podem tam bém ser atri buí dos ao ACTH (hormônio 
adrenocorticotrófico), que é libe rado junto com a 
beta-endor fina pela ade no i pó fise. O envol vi mento 
des tes meca nis mos no apa re ci mento da homos se-
xua li dade no homem, não pode ser des car tado.
Estu dos do com por ta mento sexual em ani mais 
indi cam for te mente um papel dos opiói des endó-
ge nos na regu la ção da libido. Ape nas para citar um 
des tes estu dos, obser vou-se que em hams ters a taxa 
plas má tica de endor fi nas aumenta sig ni fi ca ti va-
mente após o orgasmo, suge rindo que a libe ra ção 
des tes ligan tes endó ge nos após o ato sexual seja 
res pon sá vel pela sen sa ção de bem-estar que segue 
o orgasmo e, tal vez, pelas alte ra ções do estado 
de humor, na maio ria das vezes agra dá veis, que o 
acom pa nham. A regu la ção da libido se deve ria, nes-
tas situa ções, à ação dos ligan tes opiói des sobre o 
hipo tá lamo, ini bindo retroa ti va mente a libe ra ção 
de LH e redu zindo o com por ta mento sexual.
Após o nas ci mento, as gôna das de ambos os 
sexos tor nam-se rela ti va mente laten tes até a puber-
dade. Durante a fase pré-pube ral, a expe riên cia 
 social e a apren di za gem ou refor çam e for ta le cem 
pre dis po si ções com por ta men tais ou as con tra riam. 
Se existe uma boa cor re la ção entre o sexo ana tô-
mico, as pre dis po si ções com por ta men tais deter mi-
na das no período peri na tal e a socia li za ção pube ral, 
 emerge uma per so na li dade hete ros se xual está vel. 
Do con trá rio, algum grau de con flito ou anor ma li-
dade pode ocor rer.
Em decor rên cia de dis túr bios endo cri no ló gi cos 
ou outros fato res, às vezes ocor rem casos ambí guos 
de defi ni ção sexual. John Hamp son, tra ba lhando na 
Facul dade de Medi cina da Uni ver si dade John Hop-
kins, com pi lou uma lista de \u201csete variá veis do sexo\u201d 
numa ten ta tiva de esta be le cer um roteiro de cri té rios 
que possa ser útil na defi ni ção de sexo ou gênero e 
que estão des cri tos a seguir:
1) Mor fo lo gia geni tal externa con so nante com o 
sexo mas cu lino ou femi nino.
2) Padrão da cro ma tina sexual: nas mulhe res adul-
tas, ape nas um dos dois cro mos so mos X é gene ti-
ca mente ativo. O outro, ina tivo, cons ti tui o corpo 
de Barr, loca li zado em cada núcleo de célula do 
corpo. A iden ti fi ca ção do corpo de Barr em uma 
 célula serve para carac te ri zar esta célula como 
pro ve niente de um indi ví duo com um par de cro-
mos so mos XX.
3) Pre sença das gôna das: iden ti fi ca ção dos órgãos 
 sexuais inter nos; ová rios ou tes tí cu los.
4) Níveis plas má ti cos de hor mô nios sexuais (tes tos-
te rona maior que estró ge nios e pro ges te rona nos 
 homens, e o inverso nas mulhe res) e carac te rís-
ti cas secun dá rias dife ren cia das no homem e na 
 mulher.
5) Estru tu ras aces só rias do apa re lho repro du tor 
(como a trompa de Faló pio e útero nas mulhe res, 
e canal defe rente e prós tata nos homens).
6) A atri bui ção do sexo pela socie dade: deter mina o 
tipo de ati vi da des a serem enco ra ja das em fun ção 
do sexo que é con sig nado por fami lia res e meio 
 social em que o indi ví duo vive. Este fator é tam-
bém deter mi nante nas aspi ra ções pro fis sio nais, 
pla nos futu ros e nos com por ta men tos recom pen-
sa dos e puni dos do indi ví duo.
7) Sexo psi co ló gico: diz res peito à iden ti dade sexual 
ou ima gem que o indi ví duo for mula a seu pró prio 
res peito. Estas infor ma ções podem ser dedu zi das 
a par tir da maneira como o indi ví duo se veste, dos 
 sonhos eró ti cos ou fan ta sias que des creve, tipos 
de ati vi da des pre fe ri das e tipo de indi ví duos por 
quem se sente sexual mente atraído.
4.3. COM POR TA MENTO SEXUAL E 
EMO CIO NAL
A ocor rên cia de dis túr bios no com por ta mento 
 sexual em situa ções de estresse é um fenô meno bas-
tante conhe cido. O inverso tam bém é ver da deiro 
uma vez que tem sido obser vado que o sexo pode 
influen ciar na sus cep ti bi li dade ao estresse. Estu-
dos psi co ló gi cos do medo têm apon tado para uma 
maior sen si bi li dade dos machos frente ao estresse 
que as fêmeas. Assim, ratos machos defe cam mais e 
explo ram menos que as fêmeas quando sub me ti dos 
ao teste do campo aberto. Além disso, os machos 
tam bém explo ram menos ambien tes novos, mani-
fes tam mais rea ções de con ge la mento frente a estí-
mu los des co nhe ci dos e apre sen tam mais úlcera de 
 estresse que as fêmeas.
Os efei tos ansio lí ti cos de tran qüi li zan tes meno-
res nos ratos machos resul tam em com por ta mento 
emo cio nal que se apro xima ao das fêmeas. Neste 
sen tido, recen tes evi dên cias têm demons trado que 
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Dimorfismo sexual e emoções
cepas de camun don gos ou ratos com alta rea ti vi-
dade aos estí mu los aver si vos, ou seja, que apre sen-
tam altos esco res de defe ca ção no campo aberto, 
são aque las que apre sen tam maior con cen tra ção de 
sero to nina no sis tema lím bico em rela ção às cepas 
não rea ti vas. Curio sa mente, a mesma cor re la ção 
 parece exis tir se con si de rar mos ape nas o dimor-
fismo sexual. Os ratos machos tam bém apre sen tam 
maior con cen tra ção de sero to nina no sis tema lím-
bico que as fêmeas. Em vista des tes acha dos, é pos-
sível ima gi nar uma cor res pon dên cia entre as bases 
fisio ló gi cas da dife ren cia ção de cepas rea ti vas ao 
 estresse e as bases fisio ló gi cas sub ja cen tes à dife-
ren cia ção sexual. É provável que a fisio lo gia das 
dife ren ças sexuais sobre po nha-se, ou seja, parte da 
fisio lo gia do medo. O cére bro espe ci fi cado como 
macho por andro