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DisciplinaBases Neurais de Processos Psicológicos9 materiais75 seguidores
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gê nios pro du zi dos pelos tes tí cu-
los na fase peri na tal deter mina o com por ta mento 
emo cio nal mas cu lino com um nível mais alto de 
 estresse e medo. Por outro lado, o cére bro espe ci fi-
cado como fêmea pode con tro lar a orga ni za ção do 
com por ta mento emo cio nal femi nino com um nível 
mais baixo de estresse. Obviamente que a pres-
são evolutiva influencia fortemente a reatividade 
emocional em função do dimorfismo sexual. Na 
espécie humana, existe uma maior incidência de 
fobias e pânico em mu lheres em comparação com 
os homens. 
4.4. SUBS TRATO NEU RAL
O hipo tá lamo é uma estru tura crí tica na inte gra-
ção do com por ta mento sexual. Várias evi dên cias 
labo ra to riais têm sido obti das neste sen tido. A esti-
mu la ção elé trica da área pré- óptica medial (APOM) 
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Comportamento reprodutivo
Fig. 4.6 - A área pré- óptica medial do hipo tá lamo, estru tura impor tante no esta be le ci mento de com por ta men tos 
 sexuais dimór fi cos em mamí fe ros. Outros núcleos hipo ta lâ mi cos são tam bém mos tra dos. No diagrama 
menor está indicada a área do cérebro que corresponde à figura principal. CA = comi sura ante rior.
hipo ta lâ mica induz a copu la ção em ratos e a implan-
ta ção de pel lets de tes tos te rona nesta área (pro ce di-
mento que pro pi cia uma libe ra ção lenta e sus ten tada, 
 durante meses, do hor mô nio implan tado) recu pera 
o com por ta mento sexual de ratos cas tra dos. A lesão 
desta área, ao con trá rio, pro move uma redu ção acen-
tuada do com por ta mento sexual (Fig. 4.6). 
A área pré- óptica medial do hipo tá lamo apre-
senta ainda algu mas carac te rís ti cas estru tu rais 
dimór fi cas que têm ser vido como evi dên cias mor-
fo ló gi cas no SNC para a dife ren cia ção do com-
por ta mento sexual entre machos e fêmeas. Gorski 
obser vou que o número e o tama nho dos neu rô nios 
em uma deter mi nada região da APOM eram maio-
res nos ratos machos que nas fêmeas. Efe ti va mente, 
o exame his to ló gico desta área hipo ta lâ mica mos tra 
que esta região apa rece como uma área den sa mente 
 corada. Ele a deno mi nou de área sexual mente 
dimór fica. Esta área dife ren cia-se no período peri-
na tal e aumenta nos machos até apro xi ma da mente 
o décimo dia após o nas ci mento. Em razão disso, 
tem sido pos tu lado que este núcleo tenha a fun ção 
de orga ni zar os com por ta men tos sexuais mas cu li-
nos (Fig. 4.7). 
Além da APOM, várias outras estru tu ras do SNC 
par ti ci pam da regu la ção do com por ta mento sexual 
ou repro du tivo. Vários estu dos com esti mu la ção elé-
trica do hipo tá lamo têm mos trado que ratos implan-
ta dos com ele tro dos nos aspec tos late rais desta estru-
tura se auto-esti mu lam, e durante a pas sa gem de 
cor rente elé trica apre sen tam alta fre qüên cia de com-
por ta men tos asso cia dos à ati vi dade sexual. Nessa 
con di ção expe ri men tal, há regis tros de deze nas de 
eja cu la ções em ratos com ele tro dos implan ta dos no 
hipo tá lamo late ral. Estes efei tos têm sido asso cia-
dos à esti mu la ção das cha ma das áreas do pra zer ou 
de recom pensa que podem, na rea li dade, refle tir a 
ati va ção de célu las do feixe pro sen ce fá lico medial, 
um sis tema de fibras que cruza o hipo tá lamo late ral 
no seu cami nho para estru tu ras telen ce fá li cas, com 
 grande envol vi mento em várias for mas de moti va-
ção.
Tam bém nas fêmeas o hipo tá lamo desem pe nha 
um papel deter mi nante na orga ni za ção do com por-
ta mento sexual. Resul ta dos simi la res aos já des cri-
tos foram obti dos em gatas implan ta das com pel lets 
de estro gê nio no hipo tá lamo late ral. Neste caso, 
 observa-se que as gatas mani fes tam acen tuada exci-
ta ção e recep ti vi dade sexual no período de atua ção do 
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Substratos neurais
Fig. 4.7 - Alte ra ção da mor fo lo gia neu ro nial por hor mô nios este rói des. Acima: a área pré- óptica medial do hipo tá-
lamo (APOM) é maior em machos (A) que em fêmeas (B). Embaixo: a admi nis tra ção de tes tos te rona (C) 
ou do este róide ana bo li zante die ti les til bes trol (D) no período peri na tal causa um aumento sig ni fi ca tivo do 
 volume e do número de neu rô nios da APOM de fêmeas na idade adulta. QO = quiasma ótico. CA = comis sura 
ante rior.
hor mô nio. Além disso, a esti mu la ção elé trica desta 
estru tura induz lor dose, e a lesão repro duz o com-
por ta mento de fêmeas cas tra das. A par ti ci pa ção da 
substância cin zenta peria que du tal dor sal na gênese e 
ela bo ra ção do com por ta mento repro du tivo se dá de 
 maneira bas tante pare cida. Área septal e hipo campo 
tam bém têm sido impli ca dos na modu la ção do com-
por ta mento sexual. Evi dên cias que mos tram uma 
den si dade sig ni fi ca tiva de recep to res de estró ge nos 
e pro ges te rona nes sas áreas apóiam o envol vi mento 
des sas estru tu ras na orga ni za ção do com por ta mento 
repro du tivo. 
Uma estru tura que segu ra mente desem pe nha 
um papel impor tante na orga ni za ção do com por ta-
mento sexual é a amíg dala. A sua par ti ci pa ção na 
 gênese e orga ni za ção do com por ta mento repro du-
tivo parece ser de natu reza modu la tó ria ini bi tó ria 
sobre a ati vi dade sexual. De fato, vários estu dos 
indi cam que lesões na amíg dala pro mo vem hiper-
se xua li dade. As fêmeas de gato com estas lesões 
mos tram uma recep ti vi dade aumen tada ao macho 
e mesmo à mani pu la ção do expe ri men ta dor. Estes 
ani mais apre sen tam, fre qüen te mente, uma intensa 
ati vi dade sexual e, por vezes, mani fes tam com por-
ta mento homos se xual. Outros efei tos decor ren tes 
da lesão da amíg dala serão pos te rior mente des-
cri tos na carac te ri za ção da sín drome de Klü ver e 
Bucy, no Capí tulo VII.
Curio sa mente, estru tu ras como o septo, hipo-
campo, hipo tá lamo late ral, substância cin zenta 
peria que du tal e amíg dala são tam bém ati va das 
 durante a gera ção e ex pres são de com por ta men tos 
de natu reza emo cio nal. Até que ponto os subs tra tos 
neu rais des tes com por ta men tos se sobre põem deve-
ria mere cer uma aten ção maior dos pes qui sa do res 
que se dedi cam a este campo de estudo. A inte ra ção 
ou, em certa medida, a sobre po si ção de meca nis mos 
neu rais rela cio na dos ao com por ta mento emo cio nal 
e ao com por ta mento sexual pode expli car como as 
influên cias psí qui cas afe tam o desem pe nho sexual 
e vice-versa, ou seja, como o desem pe nho sexual 
 altera a emo cio na li dade do indi ví duo. Final mente, 
cabe res sal tar que o estudo das bases fisio ló gi cas do 
com por ta mento sexual pode faci li tar enor me mente a 
nossa com preen são das moti va ções sexuais da espé-
cie humana, mas é óbvio que a Psi co fi sio lo gia não 
pode res pon der a todas as ques tões devido à mul ti-
dis ci pli na ri dade do tema.
4.5. COM POR TA MENTO 
REPRO DU TIVO E DEN SI DADE 
POPU LA CIO NAL
 Segundo a teo ria da homeos tase popu la cio nal 
de Wynne- Edwards, além de fato res endo cri no ló-
gi cos, outros ele men tos homeos tá ti cos devem atuar 
no sen tido de man ter a den si dade popu la cio nal den-
tro de cer tos limi tes. Um dos pres su pos tos bási cos 
desta teo ria advém do fato de que ani mais que vivem 
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Comportamento reprodutivo
Fig. 4.8 - Orga ni za ção neu ral do com por ta mento sexual. Várias estru tu ras envol vi das na gênese e ela bo ra ção do 
com por ta mento sexual tam bém fazem parte da orga ni za ção do com por ta mento emo cio nal.
Área septal
Amígdala Substância cinzenta 
periaquedutal
Hipocampo
Área pré-óptica 
medial
em um ambiente onde há super po pu la ção redu zem 
a taxa de pro cria ção até que a den si dade popu la cio-
nal ( número de ani mais por uni dade de território) 
 atinja um nível está vel.