BasesBiológicasdoCpto
252 pág.

BasesBiológicasdoCpto


DisciplinaBases Neurais de Processos Psicológicos9 materiais75 seguidores
Pré-visualização50 páginas
dimi nui esta 
pro ba bi li dade.
Em vista do que foi exposto, fica claro que a 
base do con di cio na mento clás sico é a asso cia ção 
entre estí mu los (CS+US), enquanto que o con di-
cio na mento ope rante é a asso cia ção entre o estí-
mulo e o com por ta mento do ani mal. Entre tanto, 
cer tas situa ções expe ri men tais não per mi tem deli-
mi tar cla ra mente onde ter mina o con di cio na mento 
clás sico e onde começa o con di cio na mento ope-
rante. Um exem plo desta situa ção é a esquiva ativa, 
situa ção expe ri men tal na qual um ani mal emite uma 
res posta ins tru men tal em res posta a um estí mulo 
con di cio nado (Fig. 6.2). Nesta con di ção, o estí-
mulo con di cio nado é apre sen tado antes do estí-
mulo incon di cio nado (em geral, um cho que nas 
patas) e a res posta do ani mal de cru zar de lado em 
uma caixa de dois com par ti men tos (caixa de vai-
e-vém) durante a apre sen ta ção do CS evita a libe-
ra ção do cho que. Se a res posta ocorre depois que 
o US já tiver come çado, ela o ter mina e a res posta 
passa a ser cha mada de fuga.
Ao con trá rio da esquiva ativa, na esquiva ini-
bi tó ria os ani mais são colo ca dos em uma pla ta-
forma de cerca de 10 cm de altura no canto de 
uma caixa expe ri men tal cujo assoa lho de bar ras 
101
Classificação
Fig. 6.2 - Esquiva ativa em uma caixa de vai-e-vém (shut tle-box). Esta caixa con siste de dois com par ti men tos iguais 
e com as gra des do assoa lho ele tri fi ca das. Para cada ten ta tiva, uma luz ou som (estí mulo con di cio nado - CS) 
apre sen tado durante um tempo deter mi nado é seguido por um cho que. Se após o iní cio do cho que o ani mal 
cruza a linha cen tral e entra no outro com par ti mento, ele ter mina o estí mulo incon di cio nado ( resposta de 
fuga). Se o ani mal cruza a linha média durante o CS (antes do iní cio do cho que) ele ter mina o estí mulo con-
di cio nado e evita a apre sen ta ção do cho que (res posta de esquiva).
de aço inoxidável é eletrificado. Na sessão de 
treinamento, imediatamente após descerem da 
plataforma os ratos recebem um choque inter-
mitente de intensidade moderada. Em uma ses-
são teste no dia seguinte, o tempo de descida 
da plataforma é medido e confrontado com a 
latência de descida de animais controles que não 
receberam choques nas patas na sessão de treina-
mento. Tanto no condicionamento clássico como 
no operante a força da resposta está relacionada 
à probabilidade de ocorrência de recompensa ou 
punição. Se, após o condicionamento, o resultado 
esperado deixa de ocorrer, a resposta sofre extin-
ção, que é uma forma de aprendizagem em que a 
emissão de uma resposta se reduz à medida que o 
estímulo perde progressivamente sua relevância. 
Alguns auto res pre fe rem agru par o con di cio-
na mento clás sico e o con di cio na mento ope rante 
em uma única cate go ria cha mada de apren di za­
gem asso cia tiva, em que o orga nismo é exposto 
a dois tipos de even tos, ou seja, CS-US no con-
di cio na mento clás sico, e estí mulo- reforço no 
con di cio na mento ope rante, reser vando a deno-
mi na ção apren di za gem não asso cia tiva para 
aque las con di ções em que o orga nismo é exposto 
a ape nas um tipo de estí mulo, como ocorre na 
habi tua ção e sen si bi li za ção. Atual mente, um 
 grande número de estu dos com apren di za gem 
con di cio nada Pavlo viana se uti liza da res posta 
de con ge la mento, por ser facil mente con di cio-
nada e ser um índice bas tante con fiá vel de medo 
ou ansie dade. Neste caso, é medido o tempo 
em que os ani mais per ma ne cem imó veis (\u201cfree-
zing\u201d) quando expos tos a estí mu los neu tros 
(como um som, uma luz ou o pró prio con texto 
expe ri men tal) após parea mento pré vio com um 
estí mulo aver sivo incon di cio nado (um cho que 
mode rado nas patas, por exem plo) (Fig. 6.3).
102
Aprendizagem e memória
Fig. 6.3 - Res posta con di cio nada de con ge la mento. Um estí mulo neu tro (som) apre sen tado sozi nho pro move ape-
nas uma rea ção de alerta sem qual quer alte ra ção com por ta men tal ou car dio vas cu lar. Quando ele é apre sen-
tado durante a apli ca ção de cho ques mode ra dos (US) no assoa lho da caixa o som fun ciona como estí mulo 
con di cio nado (CS). Após parea men tos suces si vos a apre sen ta ção iso lada do som pro duz os mes mos efei tos 
pro vo ca dos pelo US. O con ge la mento, aumento da pres são arte rial e da fre qüên cia car díaca pas sam a ser 
res pos tas con di cio na das (CR) ao som (CS).
A habi tua ção é a forma mais ele men tar de apren-
di za gem não asso cia tiva na qual o indi ví duo aprende 
 acerca das pro prie da des de um estí mulo novo, mas 
que é, em geral, inó cuo. Depois de repe ti das apre-
sen ta ções, o estí mulo perde a sua carac te rís tica de 
novi dade, e o indí vi duo reage com res pos tas pro-
gres si va mente mais fra cas. Repe tindo aqui as pró-
prias pala vras de E. R. Kan del, emi nente estu dioso 
da apren di za gem e memó ria, \u201ca habi tua ção tal vez 
seja a forma mais difun dida de todas as for mas de 
apren di za gem. Atra vés da habi tua ção os ani mais, 
 incluindo os seres huma nos, apren dem a igno rar os 
estí mu los que per de ram o sig ni fi cado ou a carac te-
rís tica do novo. A habi tua ção é con si de rada como 
sendo o pri meiro pro cesso de apren di za gem em 
crian ças e é comu mente usada para estu dar o desen-
vol vi mento de pro ces sos inte lec tuais como a per-
cep ção e a memó ria\u201d. H. Ashton enfa tiza a impor-
tân cia desta forma de apren di za gem ao suge rir que 
per tur ba ções da habi tua ção podem estar sub ja cen-
tes a cer tas doen ças men tais como a esqui zo fre nia 
ou esta dos men tais alte ra dos decor ren tes da auto-
admi nis tra ção de dro gas psi co to mi mé ti cas.
A sen si bi li za ção, tam bém conhe cida como pseu-
do con di cio na mento, é um pro cesso mais com plexo, 
no qual o ani mal aprende acerca das pro prie da des de 
um estí mulo nocivo. Após ser sub me tido a um estí-
mulo desta natu reza, o ani mal aprende a for ta le cer 
seus refle xos defen si vos durante um certo período, 
de forma que mesmo estí mu los inó cuos (uma esti-
mu la ção tátil mode rada, por exem plo) apre sen ta dos 
em subs ti tui ção ao estí mulo nocivo indu zem uma 
res posta vigo rosa nes tes ani mais. Este pro cesso é 
gra dual, tanto em homens como em ani mais infe rio-
res. No molusco mari nho deno mi nado aplí sia, uma 
única expo si ção ao estí mulo nocivo pro duz uma sen-
si bi li za ção de curta dura ção que dura de minu tos a 
horas; qua tro expo si ções pro du zem uma sen si bi li za-
ção que dura um ou mais dias; 16 expo si ções indu-
zem uma sen si bi li za ção de uma semana ou mais.
6.2. TIPOS DE APREN DI ZA GEM 
E MEMÓRIA
 Durante muito tempo acre di tou-se que a apren-
di za gem e a memó ria fos sem pro ces sos que ocor-
ressem em um con tí nuo de está gios. Embora este 
enfo que seja cada vez menos fre qüente na lite ra-
tura per ti nente vamos abordá-lo aqui por que mos-
tra os pas sos que foram dados no desen vol vi mento 
das pes qui sas nesta área e por que esta abor da gem 
con tri buiu bas tante para os avan ços con se gui dos 
103
Memória de curta e longa dura ção
Fig. 6.4 - Trans fe rên cia e arma ze na mento de infor ma ções nos ban cos de memó ria. As infor ma ções rele van tes são 
pas sa das de um está gio para o outro sub se qüente. A repe ti ção (men tal ou ver bal) favo rece a trans fe rên cia do 
con teúdo da memó ria pri má ria para a secun dá ria.
na neu ro bio lo gia da apren di za gem e memó ria. 
Os tra ços a serem arma ze na dos são ini cial mente 
rece bi dos pela memó ria sen so rial ou memó ria 
ime diata que ocorre em uma fra ção de segundo. A 
par tir daí, após ver ba li za ção, eles são trans fe ri dos 
para a memó ria pri má ria que repre senta a memó ria