BasesBiológicasdoCpto
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DisciplinaBases Neurais de Processos Psicológicos9 materiais75 seguidores
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falo-espinal é pro du zido pelo 
plexo coróide pre sente em cada ven trí culo. Dado 
que o SNC é todo banhado pelo líquor, os ven trí cu-
los cons ti tuem-se numa impor tante via de comu ni-
ca ção quí mica entre as dife ren tes regiões ence fá li-
cas. Durante o desen vol vi mento embrio ná rio, uma 
 pequena quan ti dade de fluido encé falo-espinal 
pro du zido pelos ven trí cu los flui pela medula 
espinal atra vés do canal cen tral ou canal do epên-
dima (um epi té lio cúbico sim ples que forra todas 
as cavi da des cita das). Mais tarde, durante a vida 
fetal, o canal cen tral estreita-se e para que o líquor 
 alcance o espaço suba rac nóide ( abaixo das menin-
ges) \u2014 e, por con se guinte, atinja todas as par tes 
do SNC \u2014, atra vessa dois ori fí cios loca li za dos no 
teto do quarto ven trí culo, cha ma dos de fora mes de 
Luschka e Magen die. A pres são hidros tá tica den-
tro do espaço suba rac nóide é man tida baixa atra vés 
da reab sor ção pas siva do líquor pelas granulações 
arac nói deas que se envaginam no seio sagital supe-
rior. Se ocorre uma obs tru ção do aque duto cere-
bral, o líquor pro du zido pelos ple xos corói des dos 
ventrículos laterais e do III ventrículo não atinge o 
 espaço suba rac nói deo nem é drenado para os seios 
veno sos, ocor rendo, como con se qüên cia disto, um 
 aumento da pres são ven tri cu lar e com pres são dos 
hemis fé rios cere brais. Este dis túr bio é conhe cido 
como hidro ce fa lia.
 Embora os hemis fé rios cere brais pare çam simi-
la res do ponto de vista ana tô mico, e ocorra uma 
inte gra ção das diver sas fun ções neu rais entre os 
hemis fé rios atra vés do corpo caloso, existe uma 
assi me tria fun cio nal, tam bém conhe cida como 
late ra li za ção de fun ções, em que uma deter mi nada 
fun ção de um hemis fé rio não é com par ti lhada pelo 
outro. O hemis fé rio esquerdo está rela cio nado à 
aná lise linear do pen sa mento lógico e mate má tico 
e na rea li za ção de tare fas que envol vam sím bo los 
abs tra tos, como o pen sa mento ver bal. O hemis fé rio 
 direito está rela cio nado à aná lise holís tica (per cep-
ção de con fi gu ra ções e estru tu ras glo bais), com o 
pen sa mento intui tivo, a orien ta ção espa cial, e está 
envol vido com a expres são não-ver bal, inte grando 
ape nas a per cep ção de pala vras iso la das, mas não 
sen ten ças semân ti cas.
1.9. SIS TEMA NER VOSO AUTÔNOMO
 Segundo cri té rios fun cio nais, o sis tema ner voso 
pode ser divi dido em sis tema ner voso somá tico e 
vis ce ral (auto nô mico), ambos com seus com po nen-
tes afe ren tes e efe ren tes. Como o nome indica, o sis-
tema ner voso autô nomo (SNA) con trola as fun ções 
auto nô mi cas sem o con trole cons ciente. É tam bém 
conhe cido como sis tema ner voso vis ce ral, vege-
ta tivo ou invo lun tá rio. O SNA for nece a iner va ção 
para as glân du las, o mús culo car díaco e as fibras 
mus cu la res lisas de todos os órgãos do orga nismo. 
Por tanto, à exce ção dos mús cu los esque lé ti cos, que 
são iner va dos pelo sis tema ner voso somá tico, o SNA 
supre todas as estru tu ras iner va das do corpo. O SNA 
con siste de duas gran des divi sões: o sis tema ner-
voso sim pá tico e o sis tema ner voso paras sim pá tico. 
Ambas as divi sões são impor tan tes na media ção dos 
esta dos emo cio nais e na moni to ra ção da fisio lo gia 
 básica do corpo.
O sim pá tico pos sui como prin ci pal neu ro trans-
mis sor a nora dre na lina, e o paras sim pá tico, a ace-
til co lina. Em geral, os dois sis te mas medeiam res-
pos tas que são opos tas fisio lo gi ca mente. O sis tema 
sim pá tico medeia as res pos tas do orga nismo ao 
 estresse, mobi li zando os esto ques de ener gia para 
as emer gên cias. Ao mesmo tempo em que pre para o 
orga nismo para a ação, pro move au mento da pres-
são arte rial, das fre qüên cias car díaca e res pi ra tória. 
Por outro lado, o paras sim pá tico atua no sen tido da 
con ser va ção da ener gia do orga nismo e da res tau-
ra ção da homeos tase, e pre para o orga nismo para o 
 repouso.
O sim pá tico ( toracolom bar) e o paras sim pá tico 
(crâ nio- sacral) estão ana to mi ca mente dis so cia dos. 
O pri meiro ori gina-se de neu rô nios loca li za dos na 
 coluna inter mé dio-late ral da medula toracolom bar 
(entre T1 e L2). Axô nios des tas célu las emer gem 
da medula espinal pelas raí zes ven trais e diri-
gem-se para os gân glios sim pá ti cos para ver te-
brais e pré-ver te brais e para a medula adre nal, a 
qual é ana tô mica e embrio lo gi ca mente homó loga 
aos gân glios sim pá ti cos. Os ner vos cra nia nos do 
paras sim pá tico são com preen di dos pelos III, VII, 
IX e X pares de ner vos cra nia nos que, como vimos 
ante rior mente, têm seus núcleos no tronco ence fá-
lico. O plexo paras sim pá tico sacral e pél vico tem 
sua ori gem na coluna inter mé dio-late ral da medula 
espinal, nos seg men tos sacrais de S2 a S4. O mais 
impor tante nervo paras sim pá tico é o nervo vago, 
o X par de nervos cra nianos. O vago ori gina-se no 
bulbo e dis tri bui-se am pla mente, levando fibras 
paras sim pá ti cas para as regiões inferiores do corpo 
até à metade proximal do cólon transverso. A iner-
vação parassimpática da metade distal do cólon 
transverso, cólon sigmóide, reto e regiáo pélvica é 
oferecida principalmete pelo plexo pélvico.
O prin ci pal cen tro supra-espinal de con trole 
do sis tema ner voso autô nomo é o hipo tá lamo. Os 
 núcleos hipo ta lâ mi cos pos te rio res e late rais são sim-
pá ti cos, e a sua esti mu la ção resulta em uma des carga 
 maciça do sis tema sim pá tico-adre nal. Os núcleos 
ante rio res e mediais são paras sim pá ti cos. O cór tex 
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Neuroanatomia
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cons ti tui-se em outro nível su pra-seg men tar de inte-
gra ção das fun ções sim pá tica e paras sim pá tica bem 
como é tam bém um local de inte gra ção entre fun-
ções somá ti cas e vege ta ti vas.
1.10. IRRI GA ÇÃO DO SIS TEMA 
 NER VOSO CEN TRAL
A irri ga ção do SNC é rea li zada pelo sis tema 
caro tí deo e vér te bro-basi lar (Fig. 1.12). A caró tida 
comum, que se divide em caró tida interna e externa, 
tem ori gem, no lado direito, no tronco bra quio ce-
fá lico e, no lado esquerdo, na crossa da aorta. Por 
outro lado, para for mar a segunda rede de irri ga ção, 
as arté rias ver te brais ori gi nam-se nas arté rias sub-
clá via direita e esquerda. Em fun ção da natu reza 
ímpar do tecido ence fá lico, uma ampla rede anas to-
mó tica desen vol veu-se, inter li gando esses dois sis-
te mas de irri ga ção, para for mar o cír culo arte rial da 
base do encé falo ou polí gono de Wil lis. Dele fazem 
parte a arté ria cere bral ante rior, a arté ria comu ni-
cante ante rior, a arté ria cere bral pos te rior e a arté ria 
comu ni cante pos te rior. A arté ria cere bral ante rior 
 irriga a maior parte da face medial do cére bro (da 
 região sep tal, ante rior mente, até o pré-cúneo, pos te-
rior mente) e a região supe rior da face súpero-late ral 
do cére bro. A arté ria cere bral média irriga o res tante 
da face súpero-late ral do cére bro até as pro xi mi da-
des do sulco tem po ral supe rior. A arté ria cere bral 
pos te rior irriga a face infe rior do lobo tem po ral e 
parte de sua face late ral (a par tir da metade infe rior 
do giro tem po ral médio e o lobo occi pi tal, incluindo 
o cúneo). Essas três arté rias ainda anas to mo sam-se 
nos seus cam pos de irri ga ção. As arté rias cere brais 
 médias e as arté rias co mu ni can tes pos te rio res dão 
ori gem a ramos para estru tu ras sub te len ce fá li cas, 
como os núcleos da base, e dien ce fá li