história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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0 artista, o verdadeiro artista, C aquele 
que se anula como finito para poder ser 
veiculo do infinito. E, como tal, desenvolve 
elevadissima missiio entre os homens. Assim 
entendida, ou seja, como sintese de finito 
e infinito, a arte assume tambCm aspect0 
religioso, porque religiiio t "toda relagio 
do homem com o infinito", e toda religiio 
C mistica, porque i "vida em Deus". 
Por fim, Schlegel apontou a "indivi- 
dualidade" humana que se desdobra como 
a essincia da moralidade. A maxima que 
melhor resume seu pensamento a esse res- 
peito 6 a seguinte: "Pensa-te como ser finito 
educado para o infinito, e entio pensaras 
um homem." 
Em 1808, Schlegel se converteu e 
abraqou o catolicismo. Era o desembocar 
flagrante da crise religiosa que grassava 
praticamente em todos os romiinticos, mas 
que ele, diversamente dos outros, quis e 
soube levar As suas extremas conseaiiincias. 
18 Primeira parte - 0 movimento rom8ntico e a f 0 v m a ~ 6 0 do i d e a l i ~ m o 
I I I . Novalis: 
d o idealismo m6gico ao cristianismo 
como reIigi&o universaI 
Tomando os movimentos do idealismo de Fichte, Novalis 
o sentido (Friedrich von Hardenberg, 1772-1801) elabora a concep$8o do 
m;igico do idealism0 magico, o qua1 divisa a verdadeira magia na atividade in- 
+ § 7 consciente produtora do eu que gera o n8o-eu: a verdade reside no 
substrato magico do real, ou seja, na fabula, no sonho e na poesia. 
A seguir, Novalis passa do idealismo magic0 a uma visa0 crist8, dando inicio 
a uma revaloriza@o radical da ldade Media cat6lica: aqui ele vB realizada a feliz 
unidade destruida por Lutero, considerado em certo sentido 
0 valor como precursor do intelectualismo iluminista. Apenas a mensa- 
universal gem crist8 sabe explicar o sentido da morte, e assim tambem a 
do cristianismo altissima mensagem grega de serenidade e harmonia acena ao 
4 3 2 cristianismo. 
0 idealismo m6gico: 
avte e filosofia C O ~ O magia 
Novalis (cujo verdadeiro nome era 
Friedrich von Hardenberg) nasceu em 
1772 e morreu em 1801, com apenas vinte 
e nove anos, consumido pela tuberculose. 
Foi considerado a mais pura voz poCtica 
do romantismo e, ao mesmo tempo, foi 
pensador (embora neste aspect0 fosse muito 
mais inferior). 
0 pensamento de Novalis, como se 
expressa sobretudo nos Fragmentos, tem seu 
fulcro de novidade no chamado "idealismo 
magico". Fichte, como veremos, opde ao re- 
a l i sm~ o idealismo gnosiol6gico-metafisico. 
0 realista faz do objeto o prius e a partir 
dele procura derivar o sujeito; jh o idealista 
faz do eu e do sujeito o prius e dele procu- 
ra derivar o objeto. Analogamente, para 
Novalis, que acolheu as idCias de Fichte, 
transformando-as segundo suas exigincias, 
o realismo magico era o antigo naturalism0 
ocultista, ou seja, aquele realismo que via 
a magia predominantemente no objeto; o 
idealismo mdgico C a nova concepqiio, que 
vt a verdadeira magia na atividade produ- 
tora inconsciente do eu que gera o niio-eu. 
A nova concep~iio idealista da realidade, 
portanto, C a verdadeira concepq50 magica, 
porque mostra que tudo deriva do espirito e, 
portanto, que o espirito tudo domina e i o 
~ o d e r soberano absoluto. "Eu = n5o-eu: tese 
suprema de toda citncia ": eis o principio que 
esth na base do "idealismo magico". 
Assim, C compreensivel a maxima 
que resume o significado do romance 0 s 
disci~ulos de Sais: "Aconteceu de um deles 
levaAtar o vCu da deusa de Sais. Pois bem. 
o que viu ele? Maravilha das maravilhas, 
viu-se a si mesmo". 
Na natureza e na divindade, assim 
como no eu, ha forqa idintica, o mesmo 
es~irito. 
A - 
A filosofia C maeia: mas a arte o C mais 
" , 
ainda. A poesia capta verdadeiramente o 
absoluto, alias, C o absoluto: "A poesia C 
o real verdadeiramente absoluto. Esse C o 
nucleo da minha filosofia." 
Com base nesse conceit0 C que foi 
construido o romance (inacabado) Henriaue 
de Ofterdingen, no qu'al se mistuiam soiho 
e realidade, prosa e poesia. Trata-se de um 
"romance de formasiio" ou "pedagogico", 
no qual o protagonista forma-se atravCs de 
varias experiincias e encontros, e no qual 
o substrato magico do real, a fibula, o 
sonho e a ~oes ia revelam ser a verdade. E 
desde a primeira pagina aparece em sonho 
para o protagonista a "flor azul", que Ihe 
Capitulo segundo - O s fw~dadores da &cola romAntica 19 
escapa exatamente quando Ihe parece mais 
prbxima, e que constitui o simbolo daquele 
"nio sei qut" sempre perseguido e sonha- 
do, mas nunca alcangado: a "flor azul" C a 
representaqio viva da romBntica Sehnsucht, 
que nesse romance alcanga expressoes pa- 
radigmhticas. 
0 c r i s t i a n i s ~ ? ~ 
cowo reIigi&o universal 
Novalis, porim, passou do idealism0 
mhgico a visio inspirada no cristianismo, dan- 
do inicio a uma reavaliagio radical da Idade 
MCdia cat6lica (no ensaio A cristandade ou a 
Europa), na qua1 via realizada a feliz unidade 
destruida por Lutero, considerado em certo 
sentido como o precursor do tedioso, hrido e 
estCril intelectualismo iluminista. "Eram be- 
10s e espltndidos os tempos em que a Europa 
era terra cristi.. . " - assim comega o ensaio, 
que colheu de surpresa o pr6prio Schlegel e 
que estava destinado a dar grande impulso 
a reavaliagio romdntica da Idade MCdia. 
Ele subordinou ao cristianismo a pro- 
pria mensagem grega, que, no entanto, 
considerava como elevadissima mensagem 
de serenidade e harmonia. Entretanto, se- 
gundo Novalis, sem a mensagem crist5, a 
unica que sabe explicar o sentido da morte, 
aquela harmonia niio seria suficiente. Num 
dos Hinos a noite, ele faz vir da HClade um 
cantor (que simboliza ele proprio) para 
venerar o Cristo que veio ao mundo: "De 
uma costa distante, nascido sob o sereno 
cCu da HClade, um cantor veio a Palestina, 
ofertando todo o seu coragHo ao menino 
miraculoso", aquele menino que dava novo 
sentido ii morte, trazendo-nos a "vida 
eterna". 
A "noite" dos Hinos constitui impor- 
tante simbolo: C a antitese daquela mes- 
quinha "luz" do intelecto iluminista, que 
ilumina mediocridades, ao passo que a Noite 
C Absoluto. (Trata-se de uma retomada da 
d e b r e methfora da "noite" cara aos misti- 
cos). Nesses Hinos, a cruz de Cristo ergue-se 
triunfalmente, simbolo da vit6ria sobre a 
morte: "Incombustivel 6 a cruz, bandeira 
triunfal da nossa estirpe": simbolo triunfal 
porque C a 6nica que sabe nos ajudar na dor 
e na angustia e, como jh dissemos, porque 
C a unica que sabe explicar o sentido da 
morte. 
Novalrs (1 772-1 801) 
representou a uoz [i'rz~a 
mars ptrru d o circzrlo 
reunido pelos Schlegel 
ern torno da revlsta " Athenucum ". 
Con1 a esplCndrda imugen~ 
da "flor azul ii2atingivd" 
criou o simholo da ronzuwtica 
Sehnsucht (anselo do infinlto). 
20 Primeira parte - 8 nwviment~ vom&tico e a f o v ~ ? a ~ & do idealismo 
As contribuiqties Schleiermacher (1768-1834) deve ser lembrado principal- 
A- mente por: 
U C 
Schleiermacher a) sua interpretas80 romdntica da religi3o; 
+ § I b) o grande relanc;amento de Plat8o; 
c) algumas ideias antecipatorias no Gmbito da hermeneutica. 
a) A religi8o e uma relac80 do homem com a totalidade, e 
A religiso intuis8o e sentimento do infinite. A religigo aspira a intuir o uni- 
coma i n t W o verso, tende a ver no homem, e em todas as outras coisas finitas, 
do in finito o infinito, a imagem, a marca, a express80 do infinito: a a@o do 
+ § 2 infinito sobre o homem e, portanto, a intuiq80, e a resposta do 
sujeito 6 o sentimento de total dependencia do infinito. 
* b) Importancia historica tem a grande tradus8o de Plat80 que Schleiermacher 
antes projetou com F. Schlegel e depois levou a termo sozinho. A necessidade de 
voltar a Plat30 havia sido percebida pelos rominticos, principal- 
o retorno mente depois da publicas80 da Doutrina da ci4ncia de Fichte, 
a plat50 e a