história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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dimensgo". 
Mais i frente veremos am~lamente 
como se desenvolveu o segundo ponto e 
como a estrutura hermeniutica se tornou 
a interpretaq50 de toda a experiincia hu- 
c-riatfor d o c-oncelto ronz2ntico de reltgiiio 
r-omo sen tmen to d e rudic-ul ~lepentl&cia 
cia Totalidade. 
A titretta, o frontispicto de M M I Liwo 
i p c rc~inc suas obrirs-pristunzas filostificas. 
Capitdo segundo - 0 s fundadores da Escola rom&ntica 2 3 
0 s temas tipicamente romanticos que ressoam em Holderlin Os ternas (1 770-1843), hoje considerado um dos maximos poetas alemaes, rorn~nt;cos 
s3o o amor pela grecidade, o primado espiritual da beleza e da da poesia 
poesia como hicas capazes de captar o infinito-uno, o forte sen- de Hdderlin 
timento de pertenqa a este "todo" e a divinizaqiio da natureza, -+ 9 7 
compreendida como origem de tudo (deuses e homens). 
Urn poeta tipicamente 
~IIII~N ,, 
rorni3nticol1 
Friedrich Holderlin (1770-1 843) foi 
amigo de Schelling e de 'Hegel em ~ e n a , 
mas nzo se ligou ao circulo schlegeliano 
dos rom2nticos. E, no entanto, sua poesia, 
como ja observamos, apresenta os traqos 
tipicos do romantismo. Viveu afastado de 
todos. vitima de trh~iico destino de loucura 
" 
aue. manifestando-se inicialmente em forma 
1 
de grave crise, tornou-se depois estado per- 
manente a partir de 1806, ou seja, durante 
cerca de metade de sua vida. Depois de 
longas incertezas e incompreens6es, hoje 
Holderlin C i u l ~ a d o como um dos maiores 
, '2 
Doetas alemzes. Patlel determinante nessa 
;eavalia@o teve o kl6sofo Heidegger, que 
desenvolveu interpretaq6e.s finissimas da 
poesia holderliniana. 
0 amor pela grecidade, o primado 
es~iri tual da beleza e da ~ o e s i a como as 
liiicas capazes de captar infinito-uno, o 
forte sentimento de pertenqa a esse "tudo" 
e a divinizaqzo da natureza, entendida como 
origem de tudo (deuses e homens), esses sZo 
os temas tipicamente rominticos que ecoam 
em Holderlin. Ele retomou tambCm algumas 
temiticas lipadas ao cristianismo (basta ver 
'2 
os hinos cristol6gicos: P2o e vinho; 0 knico 
e Patmos), mas realizou estranha mistura, 
concebendo a venerada figura de Cristo 
como um deus ao no estilo dos deuses da 
GrCcia. e considerando-se a si mesmo como 
novo profeta (quase como um novo Joiio, 
destinado a um novo Apocalipse). 
Hiperion ou o eremita na Gre'cia (cujo 
primeiro esboqo remonta a 1792 e a elabora- 
~ Z O definitiva a 1797-1799) C o romance que 
mais nos interessa aqui. Trata-se de uma espk- 
cie de "romance de formaqiio", concebido em 
estilo epistolar, no qua1 a personagem "se for- 
ma" atravCs do seu "andar pel0 mundo" (a 
romintica Wanderung) e atraves de uma sCrie 
de experiincias dramiticas. Hiperion e urn 
grego do seculo XVIII que queria lutar pela 
independincia de sua pitria dominada pelos 
turcos e para fazer renascer a antiga GrCcia, 
mas que se d i conta de que os gregos de seu 
tempo ~ Z O bem diferentes dos antigos. A essa 
amarga desilusiio, acrescenta-se a morte de 
sua amada Diotima, depois do que ele se refu- 
gia na Alemanha, onde, no entanto, encontra 
incompreensiio total. Por fim, so encontra 
paz refugiando-se no seio da divina natureza. 
E seria exatamente dessa concepqZo da natu- 
reza que Schelling partiri para superar Fichte. 
Frredrrch Holderlrn ( 1 770- 184 3) 
expwssou adtnrraveltnentc 
tenratlcas e rnsti?nczas rotni?ntrcas. 
24 Primeira parte - 0 movimento romihtico e a ~ o P M ? ~ ~ & o do idealism0 
Beleza 
e liberdade 
-332 
A esshcia 
da poesia 
"sentimental" 
+ § 3 
* O motivo inspirador de Friedrich Schiller (1759-1805), o 
grande poeta e dramaturgo, e constituido pelo amor A liber- 
dade em todas as suas formas essenciais, e a mais alta escola de 
liberdade e a beleza, pela funt;%o harmonizadora que ela exerce. 
Ora, quem consegue cumprir o dever com naturalidade esponta- 
nea, requerida justamente pela beleza, e a "alma bela", isto e, a 
alma dotada daquela graGa que harmoniza instinto e lei moral. 
Portanto, para tornar o homem realmente racional torna-se es- 
sencial a educaggo estetica, que e educagao 21 liberdade mediante 
a liberdade. 
1 , Vida e obras 
-e% * 
Friedrich Schiller nasceu em Marbach, 
em 1759, e morreu em 1805. 
Em sua vida, podemos distinguir tr2s 
periodos bem claros. No primeiro periodo, 
ele foi um dos Stiirmer de maior destaque 
(como o provam seus dramas 0 s salteado- 
res, A conjura de Fieschi em GBnova, Intriga 
e amor e Dom Carlos). A partir de 1787, 
dedicou-se a rigorosos estudos de filosofia 
(lendo Kant a fundo) e de historia durante 
uma dicada (estudos que lhe granjearam 
uma catedra de historia em Jena). Na ultima 
fase, volta ao teatro, com a trilogia de Wal- 
lenstein (concluida em 1799), com Maria 
Stuart (1 800) e com Guilherme Tell (1 804). 
Para a historia da filosofia, interessam sobre- 
tudo os escritos do periodo intermediario, 
particularmente Sobre a graga e a dignidade 
(1793), Cartas sobre a educagiio este'tica 
(1793-1795) e Sobre a poesia inginua e 
sentimental (1795-1796). 
alllm A 
como escola de liberdade 
A marca espiritual de Schiller C cons- 
tituida pel0 amor a liberdade em todas as 
suas formas essenciais, ou seja, a liberdade 
politics, a liberdade social e a liberdade mo- 
ral. A Revolqiio Francesa e seus resultados 
convenceram Schiller de que o homem ainda 
niio estava preparado para a liberdade, e 
que a verdadeira liberdade C a que esti se- 
diada na conscihcia. Mas como se chega a 
liberdade? Schiller niio tem duvidas de que 
a mais alta escola de liberdade seja a beleza, 
em virtude da fungiio harmonizadora que ela 
desempenha: "so se chega liberdade atra- 
vCs da beleza" - eis o credo schilleriano. 
No escrito Sobre a graGa e a dignidade, 
Schiller cria a cClebre figura da "alma bela" 
(die d o n e Seele), destinada a grande reper- 
cuss20 na Cpoca romhtica. A "alma bela" 
C aquela que, superando a antitese kantiana 
entre inclinaciio sensivel e dever moral. con- 
segue cumprir o dever com naturalidade 
espontiinea, requerida precisamente pela 
beleza. A "alma bela", portanto, C a alma 
dotada daquela "g ra~a" que harmoniza 
"instinto" e "lei moral". 
Nas Cartas sobre a educaciio este'tica. 
Schiller precisa que hii dois instktos funda: 
mentais no homem: um "instinto material" 
e um "instinto voltado para a forma"; o pri- 
meiro esti ligado ao ser sensivel do homem 
e, portanto, 2 materialidade e a temporali- 
dade; o segundo esta ligado a racionalidade 
do homem. A composiq20 da antitese entre 
os dois instintos n2o deve ocorrer sacrifi- 
cando totalmente o primeiro em beneficio 
do segundo, porque assim ter-se-ia forma 
sem realidade, e sim harmonizando-os 
mediante o aue ele chama "o instinto do 
jogo" (recorde-se o kantiano "jogo livre" 
Capitulo segundo - 0 s f u n d a d o r e s d a Escola ~om; tn t i ca 2 5 
das faculdades), que precisamente medeia 
a realidade e a forma, a continghcia e a 
necessidade. Esse jogo livre das faculdades 
C a liberdade. Schiller tambCm chama o 
primeiro instinto de "vida", o segundo de 
"forma" e o jogo livre de "forma viva", e 
esta C a beleza. Para tornar o homem ver- 
dadeiramente racional, C precis0 torna-lo 
"estCtico". A educaqiio estitica t educagiio 
para a liberdade atravks da liberdade (por- 
que a beleza t liberdade). 
, Poesia ing&nua 
- e poesia sentiwentaI 
No terceiro ensaio importante, Sobre a 
poesia inginua e sentimental, Schiller ilustra 
uma tese interessante. A poesia antiga era 
inginua porque o homem antigo agia como 
unidade harm8nica e natural e "sentia natu- 
ralmente": em suma, o antigo poeta era ele 
pr6prio natureza e, portanto, express50 ime- 
diata da natureza. Ja o poeta "sentimental", 
que C o poeta moderno, niio C natureza, mas 
sente a natureza, ou, melhor ainda, reflete 
sobre