história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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espirito. Ex- 
trai-se de mlnas novas, alnda n6o exploradas. 
Jamais as ci&ncias estiveram em m6os 
melhores e abr~ram ao menos maiores ex- 
pectativas; vai-se em busca de aspectos mais 
diversos das colsas, n60 h6 nada que n6o 
seja passado no crivo, ovallado, pesqu~sado. 
Tudo & elaborado: os escritores tornam-se 
mais pessoals e mals eficazes, todo velho 
monumento da h~storia, toda arte, toda c~&ncia 
encontra cultores e & abraqxh com amor novo 
e tornado fecunda. Rqu~ e ali encontram-se, com 
freqij&ncia agudamente unidas, uma versatill- 
dade sem igual, profundidade extraord~ndria, 
pol~dez espl&nd~da, conhec~mentos amplos e 
uma fontasla r~ca e robusta Parece despertar- 
se em todo lugar um pressentlmento poderoso 
do arb~tr~o crlatlvo, da aus&ncia de barrelras, 
da lnf~n~ta var~edade, da sagrada pecullarldade 
e da on~potente capac~dade do human~dade 
Interlor Surg~da do sonho matutlno da 1nf6nc1a 
desajeltada, uma parte da humanldade pde d 
prova suas jovens for~as com as serpentes que 
c~rcundam seu ber~o e que querem ~mped~r-lhe 
o uso de seus membros Rlnda n6o 860 mas 
que acenos, desconexos e rudes, mas que ao 
olho h~stor~ador revelam uma ~ndrvldual~dade 
un~versal, uma nova h~storra, uma nova humam- 
dade, o abrqo mals terno de uma lgreja jovem 
e surpresa e de um Deus qua ama, e a int~ma 
concep~do de um novo Messlas em seus mll 
membros ao mesmo tempo Quem n60 percebe 
o doce pudor de um alegre evento? 
4. R necessidade do lluminismo 
para o progresso da historia 
Rgora estamos suhc~entemente elevados 
para dirigir um sorriso gent11 tambhm dqueles 
tempos passados de que aclma falamos, e para 
reconhecer tamb&m naquelas surpreendentes 
idiotices cristaliza~des notdveis do material da 
historla. Queremos apertar, gratos, a m6o dos 
eruditos e filosofos; essa loucura de fato devia 
se real~zar para o bem dos posteros e devia se 
fazer valer a ~ 1 8 6 0 cientif~ca das coisas. Mais 
fasc~nante e diversificada, a poesia, como uma 
lndra cheia de ornamentos, contrapde-se ao fr~o 
e morto Spitzberg3 daquele lntelecto de pouco 
antes. Para que a h d ~ a seja ass~m quente e 
espl$ndida, no centro do globo terrestre, um 
mar frio e ~movel, recifes mortos, nhvoa em vez 
de c&u estrelado e urna longa noits devem 
tornar seus dois extremos inospitos. 0 s~gnifi- 
cado profundo da mec6n1ca pesava sobre estes 
anacoretas dos desertos do intelecto; o fascin~o 
da primelra intulC6o os subjugou, o antigo se 
vlngou deles; corn uma negaC6o extraordln6ria 
sacrificaram ao prime~ro conhecimento de si 
aqu~lo que de mais sagrado e belo existe no 
mundo, e foram os pr~mairos a reconhecer de 
novo, corn a 0~60, a santidcrde da natureza, 
a inhnitude da arte, a necess~dade do saber, 
o respeito de tudo aquilo que Q do mundo, a 
onipresen~a daquilo que & verdade~ramente his- 
tor~co, o anunclaram e puseram f~m a um domin~o 
dos fantasmas mas elevado, mais geral e mas 
terrivel do que ales proprios acreditavam. 
Noval~s, 
R Cristondod~ ou o Europo. 
Capitulo segundo - 8 s fundadores da &cola romAntica 
Friedrich Schle~ermocher conseguiu trons- 
formor o pensornento hermen&utico do mo- 
dernidode ds simples "orte clo interpretoqdo" 
poro umo verdodeiro e proprio matodologia 
em grou de compreender um discurso ou 
um escrito. Dessa modo, o objeto do corn- 
preens60 ndo 8 um objeto determinodo, 
mas o complexo procedimento por meio do 
quo1 a interioridode do pensomento de um 
individuo chego o monifestor-se na lingua. 
Poro to1 fim Schlaiermacher entreviu no teorio 
hermen&utico o proprio centro de seu sistemo 
do sober, em que linguo s pensamento se 
compenetrom um no outro em um movimento 
circulor de ~mplicoqdo reciproco, em umo obro 
continuo da medio@o. R herman&ut~co cobe, 
porbm, a torefo de manifestor o sober: umo 
torefo ~nfinito em que todo individuo, procu- 
rondo cornpreendm o sentido do reolidode, 
decide seu proprio destino. Schleiermocher 
pode, portonto, ser considerodo o fundodor 
do hermen&ut~co moderna. 
Muitas, talvez at& a rnaior parte, das 
at~v~dades que constituern a vida hurnana com- 
portam triplice groduo@o, conforrne o modo em 
que sdo exercidas: um pr~meiro rnodo quase 
privado de espirito e totalmente mecdnico, urn 
segundo que se baseia sobre urna abunddncia 
de experi6ncias e de observaq3es, e por fim 
urn terceiro que 6 , no sentido proprlo do termo, 
adequado b arte. Ora, parece-me que a este 
ultimo mod0 se devo inscrever tambbm a inter- 
pretqdo, b rnedida que com esta express60 
entendo justarnente tudo aquilo que se refere 
h cornpreens60 de urn discurso de outrern. 
0 prirneiro rnodo e o mais baixo nos o en- 
contrarnos quotidianamente, ndo so no mercado 
e pelas ruas, mas tarnbhm em certos circulos 
mundanos onde nos nos trocamos froses feitas 
sobre assuntos cornuns, de rnodo qua de vez em 
quando j6 sabemos quase com certeza aquilo 
que replicarernos oo interlocutor, e o discurso & 
regularrnente pego e novamente atirado corno 
uma bola. 
0 segundo rnodo 6 o ponto Frn que pa- 
recamos nos encontrar em g e d . E assim que 
a interpreta~60 6 exercida em nossas escolas 
e universidades, e os coment6rios explicativos 
dos filologos e dos te6logos - de fato foram 
eles que cultivaram este campo de modo exce- 
lente - cont6rn um tesouro de observa~bes e de 
testemunhos instrutivos, que atestam suficisnte- 
mente quantos deles s6o verdadeiros mestres 
na arte do interpreta~bo, enquanto certamente, 
bern ao lado deles e no mesmo carnpo, de 
uma parte surge o arbitrio rnais desenfreado 
na presenp de passagens dificeis, e de outra 
uma pedants obtusidade descura com indife- 
reqa ou ultrapassa de rnodo tolo aquilo qua 
h6 de mais belo. Mas, ao lado de todos estes 
tesouros, quarn deve exercer pessoalrnente a 
tarefa da intarpreta@o, sem todavia poder sar 
contado entre os artlstas mais ins~gnes, e ainda 
mais quando ao mesmo tempo deve preceder 
na interpreta~do a juventude 6v1da de saber 
e a esta gui6-la, aspiro a dispor de urna guia 
tal que, enquanto metodologia verdadeira e 
propria, n6o so seja o fruto rnais ambicionado 
das obras-primas dos artistas desta disciplina, 
mas tarnbbm exponha em forma cientifica digna 
o porte complexivo e os principios do processo 
hermenhutico. Quando tive a oportunidade pela 
prirne~ra vez de dar aulas referentes 6 interpre- 
ta@o, tarnbhm eu fui induzido a procurar para 
mim rnesmo, assirn corno para rneus ouvintas, 
um guia sernelhante. Mas, em v6o. N6o so a 
n60 irrelevante quantidade de cornp6ndios 
teologicos - embora alguns deles, corno o livro 
de Ernesti,' se irnpusessem corno testernunhos 
de uma valente escola filologica -, mas tarn- 
b6rn os poucos ensaios purarnente filologicos 
deste g6nero pareciarn apenas coleq3es de 
regras porticulores tirados das observa@es 
dos rnestres, em certos casos definidas rnais 
claramente e ern certos outros rnais oscilantes 
no Incerteza, ordenadas ora de modo desa- 
jeitado ora de rnodo rnais conveniente. Eu 
esperava 0190 de rnelhor a partir da publicaq30 
da Enciclopdd~o filologico que Fijlleborn%ha~a 
extroido das oulas de UJolfr3 mas o pouco de 
herrnen6utico n6o tinha sequer a aspira<6o de 
querer delinear, ainda qua corn poucos traces, 
urn desenho cornpleto; e, corno aquilo que era 
'J R Ernesti (1 707-1 781)fol filologo e ta61ogo de 
fomo reconhec~do, autor tambQm da uma /nsbtuho Inter- 
p r e t ~ ~ Novi Testament1 (Leipzig, 1761 ) a qua1 aqul foz-se 
refer&ncta. 
% G. Fulleborn f o ~ f~losofo e escr~tor nasc~do em 
1769, a f o ~ outor prec~samente de umo Encyclopoedio 
ph~/olog~co, sive primae lineoe lsogoges in onbquorum 
stud~a. 1798. 
3Fr~edrich August Wolf (1 759-1 824) enslnou em Halles 
e em Rerllm; 6 considerado o par do f~lologia moderna. 
Primeira parte - 6 movimento rorr\Antico e a formaG60 do idealism0 
oferecido tamb&m aqui era aplicado, como & 
natural,