história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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qua1 nos libertamos do intelecto e alcanqa- 
mos a f C com a express20 "salto mortal". 
Hegel o ironizarh pesadamente, dizendo que 
esse salto C mortal para a filosofia, porque 
passa por cima da demonstraq20 e da me- 
Capitulo terceiro - Pensadores que contribuiram para a supera+o do Jluminismo 3 9 
diaqiio, que, para ele, siio a filosofia. Mas ferozes advers4rios de Jacobi nas respectivas 
considera a posigiio de Jacobi att paradig- fases finais do seu pensamento, seriam obri- 
miitica, dedicando-lhe amplo exame. Para gados, contra a vontade e sem reconhe&-la, 
Hegel, Jacobi representa a posiqiio do acesso a concordar com muito daquilo que ele dis- 
imediato ao absoluto, em relaqio qual a se. Tudo isso t suficiente para demonstrar 
posigiio hegeliana pretende ser a exata anti- que Jacobi foi uma das figuras-chave entre 
tese. 0 proprio Fichte, e tambCm Schelling, os corifeus do pensamento da era romintica. 
De Johann Gottfried Herder (1744-1803) sao originais e inovadoras as con- 
cepgdes da linguagem e da historia. 
Quanto ao primeiro tema, a lingua n lo 6 algo meramente A ,inguagem 
convencional, mas e expressao da natureza especifica do homem; exprime 
a linguagem brota da reflexao humana, que fixa o jog0 move1 a natureza 
das sensa~des e dos sentimentos em uma expressao linguistics: humana 
todo progresso humano ocorre com e por meio da lingua, tanto 4 9 I 
que, diz Herder, o homem 6 criatura da lingua. 
A visa0 herderianada historia e dominada pela ideia de que Deus (o Deus 
do cristianismo, compreendido como a religiao da humanidade) opera e se revela 
tanto na natureza como na historia: a historia e, portanto, neces- 
sariamente voltada A atua@o dos fins da ProvidCncia divina, e o A historia 
progresso, do qual cada fase (compreendendo a ldade Media) tem atua os fins 
um significado proprio peculiar, 6, portanto, a obra de Deus que providenciais 
conduz a plenitude da realizasao os povos, considerados como de 
unidades vivas, quase como organismos. -+§ 1 
0 c\omem 
kNcriatura da linguaN, 
a hist6ria k obra de Deus 
Johann Gottfried Herder (1 744-1 803) 
foi discipulo de Kant e, num primeiro 
momento, participou dos Stiirmer. Goethe 
constituiu desde o principio um ponto de 
refercncia para ele. A partir de 1776 viveu 
estavelmente em Weimar, isto t, na mesma 
cidade em que Goethe escolhera morar. Foi 
pregador, poeta, tradutor, erudito e pen- 
sador. Sua obra t muito vasta, mas pouco 
orginica; cheia de incertezas e contradigGes, 
mas tambCm de fortes iluminagoes. 
Quatro temas tratados por ele mere- 
cem menqiio particular em uma historia 
do pensamento: 1) a nova interpretaqiio da 
linguagem; 2) a nova concepqio da historia; 
3) a tentativa de mediar spinozismo e teismo; 
4) a idtia do cristianismo como religiiio da 
humanidade. 
1) A opiniio comum C a de que cabe a 
Humboldt o mtrito de ter fundado a lingiiis- 
tica moderna. Mas alguns pensam que o 
mtrito deveria ser atribuido a Herder (sobre- 
tudo pel0 escrito Tratado sobre a origem da 
lingua). 0 certo t que suas concepqoes a esse 
respeito sao muito originais e inovadoras. A 
lingua n io C algo meramente convencional, 
puro meio de comunicagio, mas express20 
da natureza especifica do homem. 0 homem 
40 Primeira parte - 6 movimefito romBntico e a formn+o d o i dea l i sm0 
distingue-se do animal pela "reflexio". E a 
reflexio cria a linguagem, fixando o jogo 
move1 das sensag6es e dos sentimentos na 
expresszo lingiiistica. A poesia t algo de 
profundamente natural, que se constitui 
ainda antes da prosa que, ao contrario, 
pressup6e a medias50 logica. A lingua fixa o 
marejar dos sentimentos, oferece ao homem 
os meios para expressii-10s e faz com que 
todo progresso humano ocorra com e pela 
lingua, a ponto de Herder afirmar que n6s 
somos "criaturas da lingua". 
2) A visio herderiana da hist6ria tam- 
btm t profundamente nova em relaqio 5 
visio iluminista. 
a) Como a natureza t organismo que 
se desenvolve e progride segundo esquema 
finalistico, da mesma forma a hist6ria t de- 
senvolvimento da humanidade que tambtm 
se desdobra conforme um esquema finalisti- 
co. Deus opera e se revela tanto na primeira 
como na segunda. 
b) Portanto, a hist6ria estii necessaria- 
mente voltada para a concretizasio dos fins 
da Providcncia de Deus; por conseguinte, o 
progresso nHo t simples obra do homem, 
mas obra de Deus que leva a humanidade B 
plenitude da realizasio. 
C) No decurso hist6ric0, toda fase (e 
n io somente a fase terminal) tem significado 
pr6prio (Herder reavalia fortemente a Idade 
Mtdia na obra Ainda uma filosofia da hist6- 
ria, ao passo que na mais breve Ide'ias para 
uma filosofia da hist6ria da humanidade 
a valorizaqio que faz se revela bem mais 
contida). 
d) Por fim, B concepsio iluminista do 
Estado, Herder contrap6e a idtia de "povo" 
considerado como unidade viva, quase como 
organismo (idtia, aliis, que prosperaria 
muito). 
2) Essa concepgio da historia pressu- 
p6e um Deus criador, pessoal e transcenden- 
te, ou um Deus imanente? 
Nesse ponto, Herder se manttm osci- 
lante e ambiguo e, como j6 dissemos, chega 
att a tomar posigio em favor de Lessing e 
de Spinoza. Ele tenta salvar Spinoza, conce- 
bendo Deus como substdncia que, embora 
passando pela natureza, n io esti contida 
inteiramente nela. Todavia, seu livro sobre 
o assunto, Deus, j i citado, esta cheio de 
aporias e incertezas. 
4) Por fim, destaca-se a idtia de cristia- 
nismo, entendido n io tanto como uma das 
religi6es, mas como a religiao da humani- 
dade. Portm tambtm nesse ponto Herder 
se mostra ambiguo, porque n i o parece 
disposto a conceder a divindade a Cristo, 
no sentido da teologia cristi. Entretanto, 
nHo o transforma em idtia ou simbolo, mas 
o considera como homem que viveu aquele 
tip0 de vida que leva de mod0 perfeito a 
Deus. E nesta chave ele interpreta tambtm 
a teologia paulina. 
Muitos dos conceitos que Herder ex- 
pressou em uma moldura teorica incerta, 
quando situados em novas perspectivas 
idealistas, conhecerio desenvolvimento 
essencial; sucesso particular terh a filosofia 
da histbria, que encontrarh em Hegel sua 
maxima expressio. 
Capitulo terceiro - Pensadores q u e cof i t r ibuiram papa a s u p e r a ~ u o d o J u m i ~ i s m o 4 1 
IV. HumboIdt 
e o ideal de humanidade 
Alem de ser o fundador da lingiiistica moderna, Wilhelm von 
Humboldt (1767-1835) 4 conhecido pela sua concep@o do ideal de 0 ideal 
humanidade, compreendido como a "idbia" a qua1 todo individuo de humanidade 
tende, embora sem jamais conseguir realiza-la plenamente. Este se realiza 
ideal e o espirito da humanidade, do qua1 se aproxima sobretudo a na historia 
arte, mas que por meio dos individuos (por meio da a@o da Provi- + 9 1 
dencia dentro deles) se realiza nas na~6es e, portanto, na historia. 
Wilhelm von Humboldt (1767-1 835), 
amigo de Schiller e de Goethe, foi diplomata 
e estadista, finissimo esteta, literato e pensa- 
dor. Viveu por longo tempo em Roma, cida- 
de que Ihe propiciava os maiores prazeres do 
espirito. Dentre suas obras, podemos recor- 
dar: Teoria da forma@o do homem (1793), 
Sobre o espirito da humanidade (1797), 
Considera~6es sobre a historia universal 
(1814), Sobre a fun@o dos historiadores 
(1821), Ensaio sobre os limites da atividade 
do Estado (postumo) e, por fim, os estudos 
de lingiiistica: Sobre o estudo comparative 
das linguas (1820), Sobre a diversidade de 
constru@o da linguagem humana e sobre 
sua influzncia no desenvolvimento espiritual 
da humanidade (1 836). 
E conhecida principalmente sua con- 
cepgao do ideal de humanidade, entendido 
como a "idCian para a qual tende todo 
individuo, embora sem nunca conseguir rea- 
lizh-lo plenamente. Esse ideal para o qual 
todo individuo tende C precisamente aquilo a 
que Humboldt chama de "espirito da huma- 
nidade".