história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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um esta- 
do intransponivel de ignor6nc1a no qua1 somos 
for<ados a permanecer. De~xar-se envolver por 
algu&m qus Ievante questdes deste tipo, e adu- 
zir mot1va~6es e contramotiva~des d totalmente 
~nirt~l. 0 melhor modo de refutd-lo d fornecer 
uma resposta efetiva 6 pergunta; n6o Ihe resto- 
r6, entdo, nada mais a ndo ser examinar nossa 
tentativa e indicar os pontos e as razdes pelas 
quois isso ndo Ihe parega sufic~ente. 
Por f~m, algudm poder~a p6r em discus- 
sdo a denomina<do, e aftrmar que a f~losofia 
d algo totalmente d~ferente, ou entdo que ela 
compreende tambdm outras colsas aldm daque- 
las que foram por nos ~nd~cadas. R este seria 
f6cil provar que desde sempre, e por parte de 
todas as pessoas que se ocuparam dela com 
compet&nc~a, justamente aqu~lo que ind~camos 
foi considerado hlosofia; que tudo aquilo que 
ele gostaria de passar como filosofia tem j6 
outros nomes; que, se sste tsrmo deve des~gnar 
0190 de preciso, ele deve des~gnar justamante 
a ci&nc~a que ~ndicarnos. 
5. A doutrina da ci8ncia responde 
a estes problemas 
R partir do momento, pordm, que ndo pre- 
tendemos de fato de~xar-nos envolver em uma 
infrutuosa d~sputa centrada sobre um termo, 
ds nossa parte temos j6 renunc~ado h6 tempo 
a este nome e chamamos doutrino do ci&ncio 
a ci&nc~a qua se preocupa de realizar a tarefa 
que indicamos. 
II. 0 fundamento que 36 a raz6o 
de toda experiencia 
est6 for0 da experi3ncia 
1. 0 fundamento que explica aquilo 
que esta fundamentado 
n6o entra no dmbito deste Cltimo 
\u20ac possivel indagar-se a respeito do fun- 
damento apenas para aquilo que se julgou 
como contlngente, ~sto 6 , como algo do qua1 
se pressupde a possibilidade de ser tambhm 
diferents de como 6, e que, todav~a. ndo deva 
ser determ~nado pel0 liberdade; e justamente 
pelo fato de que nos interrogamos sobre seu 
fundamento, ele se torna contingente para 
aquele que se p6e esta pergunta. R tareFa de 
buscar o fundamento de uma colsa contlngente 
s~gnifica mostrar alguma outra coisa de cuja 
determ~na~do se possa compreender por que 
o pr~nc~plado' assumiu, entre as mult~plas de- 
termlnaq5es possive~s, justamente aqueia que 
tem. Conseqijentemente ao concelto de funda- 
mento, este ultimo cai fora do Fundamentado; 
ambos, fundamentado e fundamento, 6 med~da 
que sdo tais, s6o opostos um ao outro e sdo 
postos lado a lado, de modo que o prime~ro 6 
expl~cado graps ao segundo. 
2. 0 conceito de fundamento 
n60 pode ser entendido 
a n60 ser deste modo 
Ora, a filosofia deve ind~car o fundamento 
de toda exper~&ncia e, portanto, seu objeto 
necessariamente est6 fora de toda exper16ncia. 
Este pr~ncip~o vale para toda hlosofia, e teve 
~gualmente valor universal at6 a dpoca dos 
kantianos e de seus dodos da consci&ncia, ou 
seja, da exper16ncia ~nterna. 
Ndo h6 nenhuma objeq3o contra o prln- 
cip~o aqui enunciado: com efeito, a premlssa 
de nosso rac~ocinio consiste .sirnplesmente na 
an6l1se do concelto de f~losof~a que enuncia- 
mos, e o resto d aquilo que sq segue de tal 
premlssa. E se algu&m quisesse lembrar que 
o conceito de fundamento deve ser expl~cado 
de modo d~verso, ndo podemos certamente 
impedir que, ao usar esta expressdo, ele pense 
aquilo que quiser: somos, pordm, autor~zados a 
\u20ac tudo oqu~lo que derivn do Pr~ncip~o [N do T ] 
Segunda parte - FundaCiio e nbsolutizaG&o e ~ ~ e c ~ l a t i v a do idealismo 
declarar que nos, na defini@o de filosofia que 
propusemos mais acima, ndo queremos enten- 
der nada rnais que aquilo que ~ndicamos. Se 
ndo se devesse atribuir b filosofia o significado 
que indicamos, isso cornportaria a negaq5o do 
possibilidade da filosofia em gem assim corno 
nos a entendamos: mas, em rela@o a isso, j6 
tomarnos posiq3o mais acirna. 
Ill. 0 s dois sistemas filos6ficos 
qua procuram dar razBo 
de toda experi6ncia possivel 
1. Para explicar a experi8ncia 
pode-se prescindir da coisa em si, 
dirigindo-se a intelighcia 
(corno o idealismo), 
ou ant60 prescindir da intelig8ncia 
dirigindo-se a coisa em si 
(corno o dogmatismo) 
0 ser racional finito ndo possui nada fora 
da experi&ncia: & ela que contGm toda a mot&ria 
de seu pensamento. 0 filosofo se encontra ne- 
cessariamente nos mesmas cond1<6es: parece, 
portanto, inconcebivel que ele possa elevar-se 
acirna da experi&ncia. 
Ele, porbm, pode abstrair; pode separar 
por meio da liberdade do pensamento aquilo 
que na sxperi&ncia perrnanece preso. Na ex- 
perigncia, o coisa, ou seja, aquilo que aparece 
corno determinado de modo independente de 
nossa liberdade e sobre o qua1 nossa experi&n- 
cla deve se regular, e o intslig&ncio, que deve 
conhecer, sstSlo unidas de mod0 1nsepar6vel. 0 
filosofo pode abstrair de urna das duas, e, des- 
se modo, ele abstra~ do experi&ncia e se eleva 
aclma dela. Se ele abstrair da coisa, resta-lhe 
uma intelig&nc~a em si, isto 6, separada da ex- 
peri&ncia; se abstrair da ~ntel~g&ncia, entdo Ihe 
resta urna coisa em si, isto 6, separada do fato 
de que a coisa em SI aparece no experi&nc~a, 
corno fundamento explicative desta bltima. 0 
primeiro procedimento chama-se idsolismo, o 
segundo charna-se dogmotlsmo. 
2. Idealismo e dogmatismo 
s60 os Cnicos dois sistemas 
filosoficos possiveis 
0 que acabomos de dizer deveria ter 
persuadido de que sao possive~s apenas estes 
dois sistemos filosoficos. Conforme o idealis- 
mo, as rapresenta@es acompanhadas pelo 
sentimento do necassidade sdo o produto do 
~ntelighncia que B seu pressuposto; conforme o 
dogrnatismo, elas sdo o produto de urna colsa 
em si que & seu pressuposto. 
Se algu&m quisesse negar este principio, 
deveria dernonstrar ou que existe tarnb&m um 
outro modo, diverso da abstraq50, para ele- 
var-se acima da experi&ncia, ou entdo que na 
consc~&ncia do experi&ncia existe 0190 a mais 
que as duos partes que mencionamos. 
Ora, quanto ao que se refere oo primeiro 
ponto, ernergir6 mais claramente mais 6 frente 
que aquilo que indicamos como ~ntelig&ncia 
aparece, com efeto, no consci&ncia sob outro 
predicado, e que ndo 6, portanto, 0190 que & 
produzido unicarnente por melo da abstra@o; 
mas tambhm se darnonstrar6 que a consci&n- 
cia da intelig&ncia se fundaments sobre urna 
abstra<do que 6 perfeitamente natural para o 
homern. 
Ndo se nega absolutamente que sejo 
perfeitamente possivel fundir em urn conjunto 
fragmentos destes dois diferentes slstemas, 
e que este trabolho inconsequente tenha sido 
feito com muita frequhncia; queremos negar, 
por&rn, que, seguindo urn procedimento con- 
sequent~, seja possivel urn numero maior de 
sistemas albm destes dois. 
IV. 0 fundamento que o idealismo 
e o dogmatismo apresentam 
para explicar a experi6ncia 
1 . 0 objeto de umcl filosofia 
Definimos objsto de umo filosofia o funda- 
mento que expl~ca a experi&ncia proposto por 
uma filosofia, pois ele parece exlstir apenas 
graps a esta ljltirna e para esta Ijltima. Entre o 
objeto do idealisrno e o do dogmatismo existe 
urna diferenp importante a proposito da sua 
rela$io com a consci&ncia. Tudo aquilo de que 
estou consciente chama-se objeto do consci&n- 
cia. Existem tr&s tipos de relaq5o possive~s entre 
este objeto e o sujeito das representaq3es: 
1 ) ou o objeto aparece corno produto da 
representa<do da intalig&ncia; 
2) ou aparece como existente sem nenhu- 
ma contribu~@o por parte do propria intelig&ncia; 
3) ou entdo aparece, por fim, ou corno 
deterrninado tarnbBrn no qua se refere b propria 
natureza, ou como existente unicarnente pelo 
fato de qua existe, mas deterrnln6vel pela livre 
intelig&ncicr no que se refere 6 sua natureza. 
R primelra relaq3o dlz respeito a 0190 
puramente inventado, com ou sem um fim; o 
segundo diz respeito a urn objeto da experihn- 
6 
Capitulo quarto - Fichte e o idealismo Ctiro 
cia; o terceiro diz rsspeito apenas a um hnico 
objeto que queremos