história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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2. 0 objeto do idealismo 6 o "Eu em si" 
Sem duvida posso ~nduzir-me livremente 
a pensar isto ou aquilo: por exemplo, a pensar 
a coisa em si do dogmdtico. Se agora abstraio 
daquilo que C pensado, 5 dirijo o olhar unica- 
mente sobre mim, eis que eu me torno para 
mim mesmo, nsste objeto, o objeto de uma 
representagio determinada. 0 fato de que eu 
apare~a para mim mesmo determ~nado justa- 
mente deste modo 5 n60 de outro, exatamente 
como pensante, 5 pensante, entre todos os 
pensamentos possiveis, justamente na coisa 
em si, deve depender, a meu ver, ds minha 
determina<do que eu f q o de mim mesmo: eu 
me tornei livremente a mlm mesmo o tal objeto. 
Eu, porCm, ndo me tornei o mim mesmo em si, 
mas, ao contrdrio, sou Ievado necessariamente 
a pressupor a rnim mesmo como aquilo que 
deve ser determinado pela autodetermina~do. 
Mas eu propr~o sou, para mim, um objeto cuja 
natureza, em determinadas condiq%s, depende 
unlcomente da intelig&nc~a, cup exist&ncia deve 
ssmpre ser pressuposta. 
Ora, justamente este Eu em s12 constitui o 
objeto do idealismo. 0 objeto deste slstema, 
portanto, se apresenta verdadeiramente na 
consci&nc~a como algo de real; n60 como uma 
coisa em si, o que comportaria que o idealismo 
deixasse de ser aquilo que 6, e o transforma- 
ria em dogmatismo, e slm como Eu em si: n60 
compreendido como objeto da experi&ncia, pois 
o Eu em si n60 6 determinado, mas torna-se 
determinado apenas por mim mesmo, e, sem 
esta determ~na<do, ndo seria nada e de fato 
n60 ex~stiria; mas C entendido como algo que 
se eleva acima de toda exper~&ncia. 
3. 0 objeto do dogmatismo 6 a &quot;coisa em si&quot; 
0 objeto do dogmatismo, ao contrdrio, 
pertsnce aos objetos da primeira classe, os 
quais sdo produz~dos somente pelo pansa- 
mento livre; a coisa em si 6 pura inven~do, 
e ndo possui nenhuma consist&ncia. \u20acla ndo 
aparece na exper~&ncia: com sfeito, o sistema 
da experi&ncia 6 tdo-somente o pensar que 
B acompanhado pelo sentimento da nscessi- 
dade; e nem mesmo o dogmdtico, que deve, 
como todo R1osof0, indicar seu fundamento, 
pode substitui-lo por alguma outra colsa. 0 
dogmdtico quer, na verdade, garantir 2.1 coisa 
em si a consist&ncia, ou sejo, a necessidade 
de ser pensada como o fundamento de toda 
exper~&ncia; e poderd fa&-lo, caso prove que 
a exper16ncia pode ser efetivamente explicada 
recorrendo d colsa em si, e que, sem ela, ndo 6 
absolutamente explicdvel: mas a questdo estd 
justamente nisto, 5 ndo & licito pressupor aquilo 
que ao contrdr~o deve ser demonstrado. 
4. R vantagem que o objeto do idealismo 
tem sobre o do dogmatismo 
0 objeto do idealismo tam, portanto, em 
rela(do ao do dogrnatismo, a vantagem de que 
ele deve ser demonstrado ndo como fundamen- 
to explicative da exper16ncia - o que resultar~a 
contraditorio 5 transformaria este sistema em 
uma parte da experi&ncia - mas, em geral, 
na consc16nc1a; o objeto do dogmatismo, ao 
contrdrio, ndo pode ser mais que pura 1nvenq50 
que deve sua realizqdo apenas pelo &xito do 
sistema. 
Estas observa@es foram faitas apanas 
para permitir uma compreensdo mais clara das 
diferenps entre os dois slstemas 5, portanto, 
ndo para delas deduzir consequ&ncias logicas 
contra o dogmatismo. longe de querer que 
isso se transforms em desvantagem para um 
sistema, 6 a propria natureza da f~losofia que 
exige que o objeto de toda filosofia, como 
fundamento expl~cativo do experi&ncia, deve 
encontrar-se fora da propria experi6ncia. Por 
qua1 razdo o objeto deva depo~s se encontrar no 
consci&ncia de modo particular, a ISSO ainda ndo 
estamos em grau de fornecer explicaq%s. 
5. Respostas a algumas objegbs 
contra o idealismo 
Caso algu6m ndo conseguisse estar 
convencido do que acabamos de afirmar, lsso 
ndo prejudicaria ainda a possibil~dade de se 
convencer do conjunto, a part~r do momento de 
que tudo o que dissemos constitui apenas uma 
observa@o de passagem. Rl6m disso, como me 
propus, levorel em considera<do as possiveis 
0bj5<deS tamb6m a este ponto. 
Rlgu6m poderia negar a exist&ncia, que 
nos sustentamos, da autoconsci&ncia ~med~ata 
em uma atividade livre do espirito. R quem o 
fizesse, deveremos apenas Iembrar, mais uma 
vez, as condi~6es indicadas a proposito. R 
autoconsci&ncia ndo se impde, e ndo vem por 
si; 6 precis0 de fato agir de modo livre, depois 
abstrair do objeto e d~rigir o olhar apenas sobre 
 fit^ ogoro avlte~ esto exprassdo pora nBo dor ocasldo 
poro urn0 reprasentojdo do Eu como coiso em SI. M~nho 
cautalo f o ~ ~nut~l: por esta rnotlvo ogom me sarvlrel dalo 
pols ndo vajo corn quam au devmo tornor cu~dado [Noto 
da F~chte] 
Segunda parte - Fundac&o e absolutizac&o especulativa do idealismo 
si mesmos. N~ngu&m pode ser obrigado a faz&- 
lo, e mesmo que desse a entender que o seria, 
jama~s se poderia d~zer se nlsso ele procede 
corretamente e como Ihe & pedido fazer. Em 
suma: esta consci&nc~a ndo pode ser demons- 
trada a n~ngu&m; coda um deve produzi-la em 
si mesmo por meio da hberdade. 
Contra a segunda afirma~60, ou seja, que 
a coisa em SI & pura 1nvenq30, poder-se-ia le- 
vantar obje@es apenas se ela fosse mal-enten- 
dido. Nos o remeteremos, entho, 6 descri@o, 
feita mais acima, da origem deste conceito. 
V. ldealismo e dogmatismo 
n60 t8m pontos em comum 
e s6o incompativeis entre si 
1. 0 s dois sistemas 
n60 podem ser refutados um pelo outro 
porque seus principios 
1160 podem ser deduzidos 
Nenhum dastes dois sistemas pode re- 
futar diretamente o oposto: com efeito, sua 
controv&rs~a refere-se ao prlnciplo primeiro, ndo 
ulteriormente dedutivel. Cada um deles refuta o 
principio primeiro do outro apenas se 6 aceito 
somente o proprio. Cada um nega lntelramente 
o somente, e n60 t&m sequer um ponto em co- 
mum sobre o qua1 se apoiar para se compreen- 
derem e se conciliarem reciprocamente. Mesmo 
que eles possam parecer de acordo sobre as 
palavras de uma proposi~do, coda um, todavia, 
as entende em sentido diferente.' 
B. Por que o idealismo 
n6o pode refutar o dogmatismo 
Em primeiro lugar, o idealismo ndo pode 
rehtar o dogmatismo. 0 ~dealismo, como vimos, 
tem de fato a vantagem sobre o dogmatismo 
de estar em grau de mostrar na consci&ncia seu 
fundamento explicative do exper~&ncia, isto 6, 
a intelig&ncia que age livremente. Tamb&m o 
dogm6tico deve admitir este fato como tal: caso 
contrbrio, com efeito, ele severia impossibil~ta- 
do da manter qualquer conversa posterior com o 
idealista: mas o dogmbtico transforma este fato 
em apar6ncia e ilusdo, partindo de seu pr~ncipio 
a deduzindo corretamente suas consequ&ncias: 
assim fazendo, ele o torna inadequado para se 
tornar fundamento explicat~vo de outras coisas, 
a partlr do momento que, em sua filosofia, isso 
ndo & sustentbvel. 
Conforme o dogm6tic0, tudo aquilo que 
est6 presente em nossa consci&ncia & o produto 
de uma coisa em si e, portanto, assim aparecem 
tambbm nossas supostas determina~des por 
melo da I~berdade, juntamente com a opinido se- 
gcrndo o qua1 nos sejamos livres. Esta opinldo se 
produz em nos por efeito do coisa em si; de igual 
modo sdo produzidas as determina<des que nos 
deduz~mos de nossa liberdade, por&m nos ndo 
o sabemos, e 6 por isso que ndo as atribuimos 
a nenhuma causa, e podemos, portanto, atribui- 
las 6 liberdade. Todo dogm6tico que seja con- 
seqijente & necessariamente fatalists: ele n60 
nega o fato do consci&ncia pela qua1 nos nos 
cons~deramos livres, porque isso seria contrbr~o 
d razho; todavia, ele demonstra, deduzindo-a 
de seu principio, a falsidade desta afirma<do. 
Ele contesta completamente a outonomla 
do Eu, sobre a qua1 se fundaments, ao contr6rio. 
o idealista, e o reduz apenas a um produto das 
colsas, a um acidente do mundo; o dogmbtico 
consequente 6 tamb&m necessariamente mate- 
rial~sta. Ele poderia ser refutado apenas partin- 
do do