história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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8. 0 interesse de fundo do idealista 
esta no arnor pela liberdade 
Quern, ao contr6ri0, toma consci6ncia da 
propria autonomla e independhcia de tudo 
aquilo que existe fora dele - e esta tomada 
de consci&ncia & possivel apenas se, indepen- 
dentemente de tudo, o propno eu se torna 0190 
- ndo tem necessidade das coisas para apoiar 
a si mesmo, e pode prescindir delas, porque 
elas anulam a autonomla e a transformam em 
vd apar&ncia. 0 eu que ele possui, e que 6 
objeto de seu interesse, anula a fB nas coisas: 
ele tem f& em sua autonomia por inclinqdo, ele 
a prende afetivamente. Sua f& em si mesmo & 
imediata. 
9. Rs consequ6ncias 
que derivarn da f6 no eu 
e da H nos coisas 
Partindo dasse interesse & possivel expli- 
car tarnb6rn os afetos que normalmente intervhm 
quando se defendem os slstemas filosoficos. 
0 dogmbtico, com o ataque a seu sisterna, 
corre verdadsirclrnente o perlgo de perder a si 
rnesrno: todavia, ele ndo possui armas que o 
defendern desse ataque, porque justamente 
em seu intimo exists algo que o prende bquele 
que ataca; ele, por ISSO, se defende com color 
e furia. 0 idealista, ao contrbrio, ndo pode 
facilrnente evitar olhar do alto para baixo, com 
certa ~rrever&ncia, o dogm6tico que n6o sabe 
d~zer-lhe nada que ele n6o saiba jd h6 tempo 
e que n6o tenha j6 rejeitado como falso; com 
efeito, ao idealisrno se chega, mesrno que ndo 
mediante o dogrnatismo, ao menos por meio 
de uma disposi(60 de espirito que dele se 
aproxirna. 0 dogmbt~co inflama-se, entrev6 as 
coisas e, caso tivesse a forp dele, tornar-se-ia 
persecutorio; o idealista & fr~o, e arrisca-se de 
ridicularlzar o dogmdtico. 
10. A escolha de urn sisterna filosofico 
depende da natureza 
e do carater do hornern que escolhe 
0 tipo de filosofla que se escolhe de- 
pende, portanto, do tipo de homem que se 
&: com efeito, um sistema f~losofico ndo & urn 
F~chte em urn desenho a caru2o da epoca, 
conservado nu Btblioteca de Munlque da Bavzeva. 
Capitulo quarto - Fichte e o idealismo Ctico 
enfeite inerte, que se pode p6r 2.1 parte e utilizar 
conforme nosso humor, mas 0190 de animado 
pela alma do homem que o possui. Um car6ter 
d&bil por natureza ou enfraquecido e encurvado 
pela serviddo espiritual, pelo luxo refinado e 
pelas fr~volidades jamais poder6 elevar-sa at& 
o idealismo. 
1 1. Filosofo se i por natureza 
e n6o existe arte humana 
que nos torne tal 
Pode-se mostrar ao dogm6tico a insub 
ci&ncia e a inconsaqu&ncia de seu sisterna, 
coisa de que falaremos em breve; pods-se 
confundl-lo e amedront6-lo de todo lado; mas 
ndo & possivel convenc6-lo, pelo fato de que 
el@ ndo est6 em grau de ouvir e de p6r d pro- 
va com calma e frieza uma doutrina que ndo 
pode suportar. Para ser filosofo - dado que o 
idealismo devesse ser demonstrado como a 
ljnica filosofia verdadeira - deve-se ter nascido 
filosofo, C preciso ser educado para s&-lo, e 
educar a SI mesmo para assim se tornar: mas 
ndo existe nenhuma arte humana qua f q a se 
tornar hlosofo. \u20ac por ISSO, portanto, que esta 
ci&ncia espera poucos pros&litos entre os ho- 
mens j6 feitos; e se Ihe for perm~t~do esperar, 
entdo ela espera mas dos jovens, cuja fore0 
inata ainda n60 est6 destruida pela debilidade 
de nosso tempo. 
VI. A supariori J a J e do idealismo 
sobra o dogmatismo 
1. Impossibilidade de explicar 
a experi9ncia partindo da "coisa em si" 
como faz o dogmatismo 
Mas o dogmat~smo & inteiramente incapaz 
de explicar aqu~lo que deve explicar, a lsto 6 
decisivo para mostrar sua inadequa<do. 
\u20acIs deve expl~car a representqdo e as- 
sume o empenho de torn6-la compreensivel, 
reduzindo-a a um efeito produzido pela coisa 
em si. Todavia, ele n60 deve negar aquilo que 
a consc~&nc~a imediata afirma a proposito da 
representa@o. 
Mas o que afirma a proposito? Ndo & mi- 
nha ~nten~do captar com conceltos aquilo que 
C possivel ver apenas no intimo; nem pretend0 
esgotar o assunto, 2.1 cuja discussdo dedica-se 
uma grande parte da doutr~na da ci&ncia. Quaro 
apenas trazer 2.1 Iembran~a aquilo que cada um 
que tenha fixado, embora por pouco, o olhar 
dentro de si deve ter j6 encontrado h6 tempo. 
2. CoincidOncia do real 
e do ideal na intelig8ncia 
R intelig&ncia, enquanto tal, dlrigs o 
olhar para si mesma, e este ver a SI mesma se 
estende imediatamente a tudo o qua ela 0, e 
nessa un~do imed~ota de ser e de ver consiste 
a natureza da intelig&ncia. Rquilo que nela 
existe e aquilo que ela & em geral, ela o 0 por 
si masma; e apenas d medida que ela 6 aquilo 
por si mesrna, ela & aquilo como intel~g&nc~a. 
Penso neste ou naquele objeto: o que quer 
d i m isso, e como aparqo entdo a mim mesmo 
neste pensamento? De nenhum outro modo a 
ndo ser asslm: eu produzo certas determinae6es 
em mim quando o objeto & pura lnvencdo; ou 
entdo as determinaq5es existem sem nenhuma 
intervencdo de minha parts, caso se trots cle 
algo de verdadeiro; s eu olho oquele produzir 
s ssts ser. Eles se encontram dentro de mim 
apenas 6 medida que eu olho para eles: olhar 
e ser estdo unidos de modo indissolljvel. 
Ro contrario, urna colsa ser6 tambCm 
vClrias coisas: logo que surge a pergunta para 
quem alguma coisa existe?, ningu&m que 
compreenda a palavra responder6: para si 
mesma; dever-se-6, ao contr6ri0, acrescentar 
mentalmente tamb0m uma intelighcia, para 
a qua1 ela & 0190; a intelig&ncia, ao contr6rio. 
0 necessarlamente para si mesma aquilo que 
ela 6 , e ndo C preciso acrescentar nada mais. 
Por meio de seu ser dado, como intelig&ncia, 8 
dado tambhm, ao mesmo tempo, aquilo para 
o que ela &. Portanto, no intelig&ncia - para 
me expressar com uma Imagem - exists dupla 
s&rie, a do ser e a do olhar, a do real e a do 
ideal; e sua natureza (que 6 s1nt6tlca) consiste 
na indissolubdidade desta dupl~c~dade; para 
a coisa, por&m, cabe apenas uma ljnica shrie, 
a do real (do puro &quot;ser dado&quot;). R intelig&ncia 
e a coisa sdo, por isso, exatamente opostas; 
encontram-se em dois mundos diferentese ndo 
existe nenhuma ponte que os ligua. 
3. A inteligOncia pode ser verdadeiramente 
alcanpda apenas pmsando-a 
como um primeiro absoluto, 
e n6o partindo da &quot;coisa em si&quot; 
0 dogmatismo qua explicar esta natureza 
da intelig&ncia em gem e de suas determina- 
<6es especificas por meio do principio de cau- 
solidads: ela dever~a ser um efeito produzido, 
deveria ser o segundo membro da s&ria. 
Todav~a, o pr~ncipio de causal~dade fala 
de ljmca sCrie real, e ndo de dupla. R forca 
do causador Investe outro que se encontra 
fora dela, oposto a ela, e nele gera um ser, e 
Segunda parte - Fumdac&o e absolutizac&o especJativa do idealism0 
nada mais depois: um sar para uma possivel 
intelighncia fora dele e. n6o para si mesmo. Se 
atrlbuirmos ao objeto do efe~to apenas uma 
forp mecdnica, o objeto transmitir6 a impress60 
recebida bqullo que Ihe est6 mais proximo, e o 
movimento que tomou o impulso do primeiro se 
transmitir6 por toda umo s&rie, longa o quanto 
se queira; mas em nenhuma parte se encontrar6 
um membro da s&rie que aja voltando sobre si 
mesmo. Ou entao, caso se atribua ao objeto 
produzido pela a@o o car6ter mais elevdo que 
se puder atribuir a uma co~sa, a excitabilidade, 
de modo que ele se regule segundo a propria 
forsa e em base 6s leis que a causa Ihe confere, 
como na s6rie do puro mecanlsmo, ent6o ele 
reagir6 certamente ao estimulo, e na causa n60 
se encontrar6 o fundamanto da determina~do 
de seu ser nessa as60, mas encontrar-se-6 
apenas a condisc30 para ser em gsral alguma 
coisa; mas ole 6 , e permanece, um puro e sim- 
ples ser, ou seja, um ser para uma intelig&ncia 
possivel que est6 fora dele. R intelig&ncia se 
pode ganhar caso n6o a concebamos como um 
primeiro absoluto, e sua uni6o com um ser dela 
independente seria bem dific~l de obter. 
Em base a esta explicas60, a shrie 6 e 
permanece unica, e de nenhum