história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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existe porsi mesma. 
A existgncia das coisas e sua ggnese 
supBem urna "queda " origindria, urna 
"separaq80" em relaq80 a Dew; em 
Deus, com efeito, ha um principio 
obscuro e cego, que e "vontade" h a - 
cional, e um principio positivo e ratio- 
nal, e a vida de Deus se explica como 
vit6ria do positivo sobre o negativo. 
como "sujeito", "eu", "autoconsciincia" 
e semelhantes, para basear-se em nova for- 
m u l a @ ~ , que entendesse o absoluto como 
"identidade" originiria entre eu e n5o-eu, 
sujeito e objeto, consciente e inconsciente, 
espirito e natureza, em suma, como coinci- 
dentia oppositorum. 
0 absoluto, portanto, C essa identidade 
originiria entre ideal e real, e a filosofia C 
saber absoluto do absoluto, baseado em 
sua intuig50, que C condig50 de todo saber 
posterior. 
Esse absoluto passa a ser chamado 
de " r a z ~ o " e o ponto de vista da raz5o C o 
ponto de vista do saber absoluto, e a filoso- 
fia C uma cihcia absoluta. A subvers50 da 
posig5o de Kant agora se completou, assim 
como se antecipou plenamente a perspectiva 
que Hegel tornaria sua, embora com um? 
sCrie de modifica~6es, como veremos. E 
evidente que aqui nos encontramos diante 
de concep@o na qual Fichte e Spinoza s5o 
sintetizados em forma de espiritualismo 
panteista (ou panteismo espiritualista) ra- 
dical. Tudo C razio e a razio C tudo: "Fora 
da razz0 n5o h i nada, tudo esta nela". A 
raz5o C simplesmente una e simplesmente 
igual a si mesma". 
Portanto, "o unico conhecimento ab- 
soluto C o da identidade absoluta", e esta 
identidade absoluta C infinita e, por conse- 
guinte, tudo aquilo que existe C, de algum 
modo, "identidade", que, como tal, jamais 
pode ser suprimida. Toda coisa que seja 
considerada como ela C em si, resolve-se 
nesta "identidade infinita", enquanto existe 
apenas nela e n5o fora dela. 
Essa identidade n50 sai de si, mas, ao 
contrario, tudo esti nela: "0 err0 funda- 
mental de toda filosofia C o pressuposto de 
que a identidade absoluta saiu realmente de 
si mesma, bem como o esfor~o para tornar 
compreensivel o mod0 como acontece esse 
sair para fora. A identidade absoluta, no 
entanto, nunca deixou de ser tal, e tudo o 
que existe, considerado em si mesmo, n5o 
C mais o fen6meno da identidade absoluta, 
mas ela prdpria". 
Essa "identidade absoluta" 6, portanto, 
o "Uno-Todo", fora do qual nada existe 
por si, C o proprio universo, que C coeter- 
no a identidade. As coisas singulares s5o 
manifestaq6es fenomtnicas que brotam da 
diferencia@o qualitativa entre "subjetivo" e 
"objetivo", da qual nasce o finito. Todo ser 
individual 6 a diferencias50 qualitativa da 
identidade absoluta; ele n5o so permanece 
radicado na identidade (corno em seu fun- 
damento), mas tambCm pressup6e sempre 
a totalidade das coisas individuais as quais 
esti ligado estrutural e organicamente. 
Da identidade 
infinita absol~ta 
A vealidade fi~itcl 
e difeve~ciada 
Desse modo, a indiferen~a ou identi- 
dade originiria se explicita na dupla sCrie 
(fenominica) de "potincias", ou seja, na 
sCrie de "potincias" em que prevalece o 
momento da subjetividade (A) e na sCrie em 
que prevalece o da objetividade (B); mas, na 
prevaltncia de A, esta subentendido B, assim 
como na prevalgncia de B esti subentendido 
A, de mod0 que a identidade se conserva 
na totalidade e se reafirma em qualquer 
diferenciaqgo. 
86 Segunda parte - F u ~ d a ~ 6 o e abso lu t i~a~do espec.ulativa do idealism0 
E evidente que a grande dificuldade 
dessa nova perspectiva de Schelling con- 
siste em explicar como e por que nascem 
da "identidade infinita" a diferencia@o e 
o finito. 
Nessa fase, Schelling procura em parte 
superar a dificuldade reintroduzindo a teoria 
plat6nica das idCias. Na raz50, entendida 
como identidade absoluta e unidade do 
universal e do particular, existem unidades 
particulares (as idiias) que deveriam cons- 
tituir a causa das coisas finitas. Todavia, no 
absoluto, as idCias estHo todas em todas, ao 
passo que as coisas sensiveis estiio separadas 
e umas fora das outras. E Schelling sustenta 
que, no sensivel, as coisas s5o tais somente 
para nos, ou seja, somente para nossa cons- 
cidncia empirica. 
Entretanto, torna-se evidente que 
Schelling jii lutava com problema gravis- 
simo, ou seja, o problema da origem do 
finito a partir do infinito. No ponto em que 
ele chegara, j i n?io lhe era possivel acolher 
o criacionismo (que faz o finito nascer por 
ato de livre vontade do Criador e sup6e a 
transcendencia) nem o spinozismo (que, na 
pritica, anula o finito e representa posigHo 
prC-idealista). Assim, ele retomou o antigo 
conceit0 gnostico, que o misticismo alemiio 
jii havia abrigado no passado, segundo o 
qual a existdncia das coisas e sua origem 
pressup6em uma "queda" original, u m 
"afastamento" de Deus. Para Schelling, 
portanto, "a origem do mundo sensivel 
so pode se explicar pel0 afastamento em 
relag50 ao absoluto atravCs de um salto". 
E esse 6 o tema central da fase "teos6fica" 
da filosofia de Shcelling, na qual se ouvem 
ecos irracionalistas, por vezes de mod0 at6 
acentuado. 
Schellrng 
cnz urn belo retrato da epoca, 
reulizaifo a carviio e pastel. 
0 s opostos, que Schelling havia anteriormente admitido como unificados 
no absoluto, sao agora por ele compreendidos como presentes em luta no pro- 
prio absoluto. Em Deus ha um principio obscuro e cego, que e 
"vontade" irracional, e um principio positivo e racional, e a vida A fase 
de Deus se explica justamente como vitoria do positivo sobre o teosofica 
negativo. e a filosofia 
0 drama humano, que consiste na luta entre o bem e o mal, da liberdade 
entre a liberdade e a necessidade e, portanto, o espelhamento + § 
de um conflito originario de forqas opostas que est%o na base da 
propria existgncia e da vida de Deus. 0 ma1 existe no mundo porque ja existe em 
Deus, e no decorrer da historia ele sera vencido pelo caminho do espelhamento 
daquela vitoria sobre o negativo que se realiza eternamente em Deus. 
0 ultimo Schelling distinguiu: 
a) uma filosofia negativa, ou seja, a especulaqao construida apenas sobre a 
razao e que versa sobre o que-coisa universal, sobre a esshcia das coisas; 
b) uma filosofia positiva, isto e, a especulaqao fundada, alem 
de sobre a razao, tambem sobre a religiao e sobre a revelagao, e A filosofia 
referente 8 existr'ncia efetiva das coisas: a filosofia positiva deve "positiva" 
necessariamente integrar a negativa. Para Schelling, a revelaqao + 2 
por excelgncia e a da religiao crista, mas em geral ele compreende 
o arc0 historico das religi8es como uma especie de revela@o progressiva de Deus. 
E o Deus de que se ocupa a filosofia positiva e o Deus-pessoa que cria o mundo, 
se revela e redime o homem da queda. 
P\ fase da teosofia 
e da filosofia da libevdade 
A na tu reza de D e u s 
A soluqio do problema da origem do 
finito e do infinito comporta uma revisiio de 
toda a problemitica do absoluto. Schelling 
aceita doravante ser chamado "panteista", 
desde que se entenda por "panteismo" que 
tudo estd em Deus, mas nio, ao contrhrio, 
que tudo e' Deus. 
Deus t o antecedente e as coisas s io o 
consequente. 0 consequente esta no antece- 
dente, mas nzo vice-versa ou, pelo menos, 
esth em sentido totalmente diferente. 
AlCm disso, chegando a esse ponto, 
Schelling tambtm aceita considerar Deus 
como "pessoa" (o que fora excluido tanto 
por Spinoza como por Fichte), mas pessoa- 
que-se-faz. 
0 s opostos, que antes Schelling admi- 
tira no absoluto como unificados, agora ja 
s io entendidos por ele como presentes em 
luta dentro do proprio absoluto. 
Existe em Deus o principio obscuro e 
cego, que t a "vontade" irracional, e o prin- 
cipio positivo e racional, e a vida de Deus 
se explica precisamente como vitoria do 
positivo sobre o negativo. Deus nio 6 puro