história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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niio correspondeu i s suas expectativas, a 
niio ser em minimo grau. Entretanto, em con- 
trapartida, estabeleceu relaq6es de amizade 
com companheiros de estudo destinados 
a se tornarem protagonistas de primeira 
grandeza da cultura alemii, como Holderlin 
e Schelling, que exerceram notavel influencia 
sobre ele. 
A explosiio da Revoluqio Francesa 
(1789) e suas primeiras afirmaq6es produ- 
ziram not6vel impressiio sobre os estudan- 
tes de Tubingen. Hegel compartilhou seus 
ideais e conta-se que, com Schelling e Hol- 
derlin, participou da cerimania que celebrou 
os ideais revolucion~rios com o simbolico 
plantio da irvore da liberdade. 
Esse fervoroso espirito revolucionario, 
posteriormente, suavizou-se muito. Sobretu- 
do na ultima fase do seu pensamento, Hegel 
manifestou posicionamentos conservadores 
e, em alguns aspectos, at6 reacionirios, 
embora tenha continuado a julgar a Revolu- 
qiio Francesa como etapa fundamental da 
historia. 
Concluidos os estudos, ao invis de 
dedicar-se 2 carreira eclesiistica, Hegel 
escolheu o ingrato oficio de preceptor, 
inicialmente em Berna (de 1793 a 1796) 
e depois em Frankfurt (de 1797 a 1799), 
onde reencontrou Holderlin. Nesse periodo, 
dedicou-se a estudos de hist6ria politica e 
econ6mica, mas seus interesses teologicos 
continuaram muito vivos e suas meditaq6es 
a esse respeito revelaram-se muito fecundas, 
como se pode ver em uma sCrie de escritos 
que permaneceram iniditos, dos quais fala- 
remos adiante. 
Com a morte do pai, em 1799, graqas 
B heranqa que lhe coube, pbde se dedicar 
exclusivamente aos estudos. Em janeiro de 
1801, transferiu-se para Jena, cuja univer- 
sidade era entiio a mais famosa. La haviam 
ensinado Reinhold e Fichte; Schelling as- 
sumira ha pouco o lugar de Fichte (que se 
afastara pelas raz8es que ja conhecemos); os 
irmiios Schlegel constituiram o primeiro cir- 
culo romi'intico. Em Jena, Hegel conseguiu 
a docencia universitiiria com a dissertaqiio 
De orbitis planetarum, e ministrou cursos na 
qualidade de livre-docente a partir de 1801; 
de 1805 em diante, ensinou na qualidade de 
professor extraordinario. Em 1801 Hegel 
publicou seu primeiro escrito impresso, 
intitulado Diferen~a entre o sistema filo- 
sdfico de Fichte e o de Schelling, tomando 
posiqiio em favor do ultimo. AlCm disso, 
com Schelling, publicou entre 1802 e 1803 
o "Jornal critic0 de filosofia", no qua1 fo- 
ram publicados importantes ensaios de sua 
autoria. Foi nesse periodo que amadureceu 
sua primeira grande obra, Fenomenologia 
do espirito, que concluiu em 1806 (dizem 
alguns que exatamente quando os canh6es 
de Napoleiio troavam nas proximidades de 
Jena). A visiio de Napoleiio vitorioso, que 
fazia um reconhecimento a cavalo, produziu 
enorme impress30 em Hegel: foi golpeado 
pela percepqiio visual daquele homem a ca- 
valo que, a pouca distiincia, "concentrado 
em um ponto", como ele escreveu expres- 
samente, "estendia seu poder e dominava o 
mundo inteiro". 
Em dificuldades econ6micas por causa 
da guerra, Hegel aceitou dirigir a "Gaze- 
ta de Bamberg" e transferiu-se para essa 
cidade, onde permaneceu somente alguns 
meses. Com efeito, no outono desse mesmo 
ano, transferiu-se para Nuremberg, onde 
permaneceu at6 1816, na qualidade de 
diretor do ginisio. Esses anos foram muito 
fecundos. Entre 1812 e 1816 escreveu e 
publicou a Cibncia da ldgica, sua obra mais 
complexa. 
Em 18 16, foi chamado para a Univer- 
sidade de Heidelberg, onde permaneceu at6 
181 8. Em Heidelberg, publicou a Enciclo- 
pe'dia das cibncias filosdficas em compbndio. 
Em 181 8 Hegel foi para Berlim, onde 
permaneceu at6 183 1, ano de sua morte. Foi 
esse o periodo de maior sucesso. As coni- 
vcncias com o poder politico permitiram- 
lhe exercer at6 uma verdadeira hegemonia 
Capitulo sexto - Hegel e o idenlismo aLsoluto 9 7 
cultural. Em Berlim, publicou apenas uma 
obra, Elementos de filosofia do direito. Mas 
teve atividade incessante na preparagiio de 
suas aulas, que iam da hist6ria a estktica, 
da reli~iiio a hist6ria da filosofia: foram 
publicldas por seus discipulos depois de 
sua morte e estiio entre suas coisas mais 
vivas. 
Desde jovem, Hegel sempre foi um 
grande met6dic0, estudioso incans6vel e 
tenaz, versado em todos os campos do saber: 
foi a antitese do gCnio desregrado de certos 
rominticos. A mais bela descriciio de Hegel 
C dada pel0 pr6prio Hegel i o d e s c r e k 
Platiio, ou melhor, como ele se representava 
Platiio: "Plat50 estudou muitos fil6sofos, 
esforgou-se longa e duramente, viajou e niio 
foi, na verdade, gtnio produtivo nem poiti- 
co. mas sim mente aue ~rocedia lentamente. 
A; gCnio, Deus d6 dguha coisa no sono. E o 
que lhe dii no sono siio, por isso, nada mais 
que sonhos". Esse retrato, na realidade, C um 
perfeito auto-retrato. Hegel estudou muitos 
filosofos, meditou, viajou; diferentemente de 
Fichte, de Schelling e de outros romhticos, 
que assinaram suas obras-primas muito 
jovens, ele chegou lentamente a sua meta. 
Mas os sistemas de seus contemporineos, 
aos quais ele alude, foram verdadeiramente 
como sonhos, que a manhii leva, ao passo 
que as idCias de Hegel passaram a constituir, 
bem ou mal, um componente fundamental 
do pensamento ocidental. 
0 s escvitos hegelianos: 
as obvas da j~veotude 
e as obvas-primas 
da mat~vidade 
Hegel foi escritor muito fecundo. Suas 
vastas leituras, a facilidade com que assi- 
milava e memorizava os varios conte~dos 
e seus interesses bastante variados deram 
a produgiio hegeliana densidade cultural e 
amplitude excepcionais. Retomando o que 
j6 dissemos em parte e completando-o, po- 
demos agora tragar um quadro dos escritos 
mais significativos do fil6sofo. 
Entre os trabalhos juvenis do period0 
de Berna e de Frankfurt (1793-1800), des- 
tacam-se sobretudo os escritos teol6gicos, 
publicados por Noh1 no inicio do stculo XX, 
e considerados por alguns estudiosos como 
muito importantes para a compreensiio da 
gtnese do sistema hegeliano. Siio eles: 
1 ) Religiiio popular e cristianismo 
(fragmentos); 
2) A uida de Jesus (1795); 
3) A positiuidade da religiiio cristii 
(179511796, primeira redagiio); 
4) 0 espirito do cristianismo e seu 
destino (1798); 
5) Fragmento de sistema (1800) e a se- 
gunda redaqiio de A positiuidade da religiiio 
cristii (incompleta). 
Em Jena, Hegel escreveu (mas deixou 
iniditos) A constituigiio da Alemanha e o 
Sistema da eticidade. Em 1 80 1, como j6 disse- 
mos, publicou A diferenga entre o sistema de 
Fichte e o sistema de Schelling. Entre os artigos 
publicados no "Jornal critic0 de filosofia", 
destacam-se principalmente dois: Rela@es 
entre o ceticismo e a filosofia e Fe' e saber. 
A Fenomenologia do espirito (1807) 
assinala etapa decisiva: Hegel se afasta de 
Schelling e apresenta um tip0 de pensamento 
totalmente original, dotado de marca dora- 
vante inconfundivel. 
As obras seguintes Fenomenologia 
siio todas de not6vel relevo, marcando os 
pontos culminantes do pensamento hege- 
liano. Siio elas (como, em parte, j6 recor- 
damos): Cibncia da 16gica (1812-1816), 
Enciclope'dia das cibncias filos6ficas em 
comp2ndio (1 817) e Elementos de filosofia 
do direito (1821). 
A Enciclope'dia foi reeditada em 1827 
e em 1830, com ampliag6es. Outra ediqio, 
em trts volumes, foi feita pelos alunos, de- 
pois da morte de Hegel, entre 1840 e 1845, 
com uma sirie de inserg6es, contendo os 
esclarecimentos que Hegel dava nas aulas. 
E, apesar da amplitude, essa ediqiio C a mais 
interessante e a mais clara. 
TambCm publicadas pelos discipulos, 
as aulas levam os seguintes titulos: Aulas 
sobre a filosofia da hist6ria; Este'ticn; Aulas 
de filosofia da religiiio e Aulas sobre a his- 
tdria da filosofia. 
Divevsas avaliaG8es 
das obras-primas de +legel 
Entre todas essas obras, qua1 C a que 
melhor reflete