história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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obtidas sejam definitivas. 
2) A antitese, que constitui o momento dialetico (em sentido estrito) ou ne- 
gativamente rational; o primeiro passo alem dos limites do intelecto e realizado 
negativamente pela raz%o, removendo a rigidez dos produtos intelectivos e levando 
8 luz a serie de contradig6es e de oposigbes que caracterizam o finito: porem, urna 
vez que todo membro de urna oposi~%o 4 afetado por "carbcia", esta ultima e a 
mola que impele a raz%o a urna sintese superior. 
3) A sintese, que constitui o momento especulativo ou positivamente racio- 
nal; aqui a raz%o capta a unidade das determinagbes contrapostas, ou seja, capta 
dentro de si o positivo emergente da sintese dos opostos e se mostra ela propria 
como totalidade concreta. 
0 momento "especulativo" e, portanto, a reafirmagtio do positivo que se 
realiza median te a negaqtio do nega tivo proprio das an titeses dial6 ticas e, portanto, 
e urna eleva@o do positivo das teses a um nivel mais alto. Para Hegel, com efeito, 
a negagtio especulativa n%o e urna aniquila@o total, nem urna 
0 mOmento reserva definitiva, mas 6 propriamente urna conserva~%o daquilo 
especulativot que e negado, e sua eleva@o a um nivel superior e um seu "en- 
a "Aufhebung" verdadeiramento" e urna sua "positiviza~%o" (ele usa os termos 
e a "proposigao 
especula tiva " aufheben e aufhebung, que em alemi30 t6m o duplo significado 
+ § 4 de "erguer, p8r a parte" e "conservar"). 
0 especulativo e, portanto, o vertice ao qua1 chega a razao, a 
dimenstio do absolute. Por conseguinte, as proposi~des filosof icas 
devem ser proposigbes especulativas, que exprimem o movimento dialetico com o 
qua1 sujeito e predicado trocam entre si as partes de mod0 a constituir urna iden- 
tidade dindmica. Enquanto a proposiq20 da velha Iogica permanece fechada nos 
limites rigidos do intelecto, a proposi@o especulativa e estruturalmente dinsmica 
como a realidade que ela exprime e como o pensamento que a formula. 
0 s f i . \ n d a m e ~ t o s 
I d o p e n s a m e n t o hegel iano 
0 mapa completo das idCias funda- 
mentais do hegelianismo 6 bastante amplo, 
dado que se trata de urna das filosofias 
mais ricas e mais complexas (e, podemos 
dizer tambCm, urna das mais dificeis), mas 
os pontos bisicos aos quais tudo pode ser 
reconduzido s io trts: 
1) a realidade enquanto tal C espirito 
infinito (onde, por "espirito", entende-se 
algo que, ao mesmo tempo, assume e supe- 
ra tudo o que os seus antecessores haviam 
dito a esse respeito, especialmente Fichte e 
Schelling, como veremos); 
2) a estrutura, ou melhor, a pr6pria 
vida do espirito e, portanto, tambCm o 
procedimento segundo o qua1 se desenvolve 
o saber filos6fic0, C a diale'tica (poder-se-ia 
dizer tambCm que a espiritualidade C diale- 
ticidade); 
3) a peculiaridade dessa dialktica, que 
a diferencia claramente de todas as formas 
anteriores de dialCtica, C aquilo que Hegel 
chamou (em terminologia tkcnica) de ele- 
mento "especulativo", que, como veremos, 
constitui a verdadeira marca do pensamento 
do filosofo. 
A clarificagiio desses trzs pontos in- 
dicarh o objetivo ou o ponto terminal que 
Hegel se prop& alcangar no seu filosofar, e 
o caminho por ele seguido para alcanqti-lo. 
Entretanto, C evidente que sua plena 
compreensiio - como disse justamente 
Hegel - s6 podera ocorrer seguindo con- 
cretamente o desenvolvimento do sistema 
ate'sua conclusiio, ou seja, percorrendo todo 
o caminho ate' seu ponto final (com efeito, 
como diz Hegel, em filosofia niio existem 
atalhos). 
f\ realidade como espirito: 
determihaq~o preliw\inar 
da M O ~ & O hegeliaha 
do espirito 
P\ realidade n&o C"s~bst&ncia", 
mas "su je i to"~~ "esPirito" 
A afirmagiio fundamental da qua1 deve- 
mos partir para entender Hegel C que a rea- 
lidade e o verdadeiro niio S ~ O "substincia" 
(ou seja, um ser mais ou menos enrijecido, 
como tradicionalmente era considerado no 
mais das vezes), e sim "sujeito", ou seja, 
"pensamento", "espirito". 
Hegel acrescenta ainda que essa C ape- 
nas uma aquisisiio recente, que constitui 
peculiaridade propria dos tempos modernos. 
Trata-se, com efeito, de aquisigiio que 
so se tornou possivel com a descoberta 
kantiana do "Eu penso" e dos diversos re- 
pensamentos do criticismo, particularmente 
das contribuig6es do idealism0 de Fichte e 
de Schelling (que, alihs, Hegel tende estra- 
nhamente a diminuir ou a subestimar, em 
beneficio proprio). 
Critica a Fichte 
Dizer que a realidade n io 6 substin- 
cia, mas sujeito e espirito, significa dizer 
que C "atividade", que C "processo", que 
C "movimento", ou, melhor ainda, que 6 
"automovimento". AtC ai, porCm, Fichte ja 
havia avanqado, como j6 vimos. Mas Hegel 
vai mais alim. 
Para Fichte, o Eu p8e-se a si mesmo, 
enquanto C precisamente pura atividade 
autoponente e (inconscientemente) op6e a 
si o niio-eu, ou seja, um limite, que depois 
procura superar dinamicamente. Todavia, 
nesse processo, o Eu de Fichte n io alcanga 
seu termo, visto que o limite C removido e 
afastado ao infinito, mas nunca inteiramente 
"superado". 
Esse infinito, que se pode representar 
como uma reta que se estende sem limites, 
constitui, para Hegel, "mau infinito" ou 
"falso infinito", permanecendo processo ir- 
resoluto, visto que nunca alcanga plenamen- 
te seu proprio fim ou objetivo, e visto que o 
ser e o dever ser permanecem perenemente 
cindidos em uma espCcie de corrida sem fim. 
Conseqiientemente, diz Hegel, Fichte n io 
consegue mais restaurar a situagiio de Eu e 
niio-eu, sujeito e objeto, infinito e finito. 
Portanto, permanece em Fichte uma 
oposiqio ou antitese estrutural niio supera- 
da, que, porCm, deve ser superada. 
Uma tentativa de superar essas cisoes 
j5 fora feita por Schelling com sua filosofia 
da identidade, que, num primeiro momento, 
Hegel considerou como ponto de vista mais 
elevado do que o de Fichte. Mas a concepqiio 
da realidade como identidade originaria de 
Eu e niio-eu, sujeito e objeto, infinito e finito, 
como Schelling defendia, logo pareceu para 
Hegel vazia e artificiosa, porque na realidade 
niio deduzia nem justificava seus conteudos, 
que ja pressupunha como dados, e depois os 
reduzia sob o manto da "indiferenqa" ou da 
"identidade" abstrata e extrinseca. 
Essa concepq5o pareceu a Hegel a 
"dissoluqiio de tudo o que C diferenciado 
e determinado", a "precipitaqiio" de todas 
as diferenqas "no abismo da vacuidade", 
porque niio se tratava de conseqiihcia de 
desenvolvimento coerente e, portanto, niio 
se justificava a si mesma. 
Assim compreendemos a cilebre afir- 
mag50 da Fenomenologia (que provocou 
o rompimento da amizade entre Hegel e 
Schelling), segundo a qual o absoluto de 
Schelling C como "a noite em que todas as 
vacas S ~ O negras", bem como de que a filo- 
sofia da identidade de Schelling C "ingtnua 
e fiitua". 
Por conseguinte, a posiqiio de Hegel 
C clara. 0 espirito se autogera, gerando ao 
mesmo tempo sua prdpria determinagiio, e 
superando-a plenamente. 
0 espirito C infinito, niio de mod0 pura- 
mente exigencial, como queria Fichte, mas de 
mod0 a sempre atuar e se realizar, como con- 
tinua colocagiio do finito e, ao mesmo tempo, 
como superagiio do proprio finito. Enquanto 
"movimento", o espirito produz pouco a 
pouco os conteudos determinados e, portan- 
to, negativos (omnis determinatio est negatio, 
ji dizia Spinoza). 0 infinito i o positivo que 
se realiza mediante a negagiio daquela nega- 
giio que e' prdpria de todo finito; t? a retirada 
e a superagiio do finito sempre a se realizar. 
Tomado em si mesmo, o finito tem 
existtncia puramente "ideal" ou abstrata, 
no sentido de que nao existe por si so, contra 
o infinito ou fora dele - e isso, diz Hegel, 
constitui "a proposiqiio principal de toda 
filosofia" . 
0 espirito infinito hegeliano 6 , entiio, 
como