história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)
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história da filosofia - volume 5 (giovanni reale - dario antiseri)


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16 
WITTGENSTEIN L., 207,210 
WOHLER F., 334 
WOLF F. A., 33, 34 
WOLFF C., 134,265 
Wordsworth W., 16 
WUNDT W., 353,354-355360 
YOUNG T., 346,347,369 
ZENKO DE EL~~IA, 106, 108 
Zeuthen C., 234 
Zola E., 210 
alienasgo do trabalho, 177 lei dos trCs estAgios, 292 
logics, 120 
D 
mais-valia, 182 
dialitica, 106 materialism0 dialitico, 179 
materialismo historico, 178 
especulativo, 109 
espirito,l27 niio-eu, 53 
eu, 50 natureza, 124 
possibilidade, 233 filosofia negativa e filosofia positiva, 88 
1 utilitarismo, 302 
idiia, 105 
identidade absoluta, 85 
incognoscivel, 3 19 1 
individuo, 229 vontade (vontade de viver), 213 
DO ROMANTISMO 
A 0 EMPlRlOCRlTlClSMO 
0 MOVIMENTO 
"Um deus e o homem quando sonha, um mendigo 
quando reflete". 
Friedrich Holderlin 
"Sucedeu que alguem levantou o veu da deusa 
de Sais. 
E o que viu? 
Viu - maravilha das maravilhas - a si mesmo". 
Novalis 
"Em todas as coisas esta presente o eterno". 
Wolfgang Goethe 
"Pode ser artista apenas aquele que tem uma reli- 
giao propria, ou seja, uma intui@o do infinito". 
Friedrich Schlegel 
Capitulo pr~meiro 
Ghese e caracteristicas essenciais do romantismo 3 
Capitulo segundo 
0 s fundadores da Escola romiintica: 
os Schlegel, Novalis, Schleiermacher, o poeta Holderlin 
e as posiq6es de Schiller e de Goethe 15 
Capitulo terceiro 
Outros pensadores que contribuiram para a superaqgo 
e a dissolu@o do Iluminismo, e preludios do idealism0 35 
GZnes visticas 
essenciais do rornantisrno 
Antes da difusso da mudanqa radical promovida pela Revo- Urn clirna 
luq%o Francesa de 1789, na Alemanha a t@mpera cultural registrou cultural 
entre 1770 e 1780 as primeiras clamorosas modificagdes que sobre , 1 
a passagem do seculo teriam levado gradualmente a superagao 
total do iluminismo e a afirmagio do romantismo. 
0 movimento que promoveu tal reviravolta foi o Sturm und Drang ("Tem- 
pestade e impeto"), cujas posiqdes e ideias de fundo eram: 
a) a natureza, entendida como forga onipotente e criadora de vida; 
b) o g@nio, como forga originaria que cria analogamente a natureza e e regra 
de si mesmo; 
C) o panteismo, que comega a se contrapor a concepgao ilu- 
sturm minista da divindade como razso suprema; und Drang 
d) o sentimento patrio, express0 no odio pelo tirano, na , ,,, difusdo 
exaltagao da liberdade e no desejo de infringir convenc$es e leis ,§ 2-3 
exteriores; 
e) a predilegso pelos sentimentos fortes e pelas paixdes 
impetuosas. 
Quem deu sentido e import8ncia supranacional ao Sturm und Drang foram 
principalmente Goethe, Schiller e os filosofos Jacobi e Herder com sua primeira 
produgZio poetica e literaria. 
, , , , ~ As pvemissas histbvicas Il ,In &: 
Talvez nunca tenha acontecido de o 
fim de um sCculo e o inicio de outro serem 
marcados por mudangas tiio radicais e tiio 
claras como as mudanqas que caracterizam 
os ultimos anos do sCculo XVIII e os primei- 
ros anos do sCculo XIX. 
No campo sociopolitico houve aconte- 
cimentos destinados a imprimir novo rum0 
2 historia. Em 1789, explodiu a Revoluqiio 
Francesa entre o entusiasmo dos intelectuais 
mais iluminados de todas as naqoes euro- 
pCias. Rapidamente, porkm, a Revoluqiio 
apresentou reviravolta que colheu todos de 
surpresa. Em 1792, foi derrubada a monar- 
quia na Franqa e proclamada a Republica. 
Em 1793, o rei foi condenado ao patibulo. 
A partir de agosto de 1793, teve inicio o 
grande Terror, que produziu milhares de 
vitimas. A guilhotina (antigo instrumento 
de execugiio capital, oportunamente modi- 
ficado pel0 mCdico Guillotin, membro da 
Constituinte, a fim de torna-lo mais rapid0 
e funcional) tornou-se simbolo sinistro de 
morte, que punha fim as grandes esperan- 
gas filantropicas, humanitarias e pacifistas 
acesas pel0 siculo das "luzes". D 
A ascensiio napoleijnica, que culminou 
em 1805 com a proclamaqiio do ImpCrio, e 
as campanhas militares, que puseram a Eu- 
ropa sob ferro e fogo e subverteram toda a 
estrutura politica e social do velho continen- 
4 Primeira parte - 6 w o v i w e ~ t ~ rom&ntico c a f o rmaC~o do idealiswm 
te, instaurando novo despotismo, fizeram 
ruir por terra todos os residuos de esperan- 
Gas iluministas que ainda restavam. 
Todavia, antes mesmo que explodisse 
a Revolu@o na Franqa, na dCcada trans- 
corrida entre 1770 e 1780, a intempkrie 
cultural registrava na Alemanha as primeiras 
modificaq6es de vulto que, a mCdio prazo, 
na passagem do s6cul0, levariam a supera- 
qiio total do Iluminismo. 0 movimento que 
produziu tais modificaq6es nessa dCcada 
ficou conhecido sob o nome de Sturm und 
Drang, que significa "Tempestade e assalto" 
ou, melhor ainda, "Tempestade e impeto". 
A denomina~50 deriva do titulo de drama 
escrito em 1776 por um dos expoentes do 
movimento, Friedrich Maximilian Klinger 
(1752-1831), e parece ter sido usada pela 
primeira vez por A. Schlegel para designar 
todo o movimento no inicio do stculo XIX. 
0 s dois termos provavelmente devem 
ser entendidos como hendiadis, ou seja, 
como dois termos que expressam conceit0 
Gnico com duas palavras; assim, o sentido 
deveria ser "impeto tempestuoso", "tempes- 
tade de sentimentos", "efervesc&ncia ca6tica 
de sentimentos". (0 titulo original dado por 
Klinger ao seu drama era Wirrwarr, ou seja, 
"confusiio caotica".) 
f\s idkias 
e as caracterisficas 
Eis as posiqties e as idCias de fundo 
desse movimento: 
a ) A natureza C redescoberta. exaltada 
como foqa onipotente e vital. 
' 
b) Relaciona-se estreitamente com a 
natureza o "gcnio", entendido como f o r ~ a 
originiria; o gcnio cria analogamente a na- 
tureza e, portanto, n5o extrai suas regras do 
exterior, mas ele proprio C regra. 
c) A concep~iio deista da divindade 
como intelecto ou raziio suprema, propria 
do Iluminismo, comeqa a se contrapor o pan- 
teismo, ao passo que a religiosidade assume 
novas formas que, em seus pontos extremos, 
se expressam no titanismo paganizante do 
Prometeu de Goethe ou no titanismo cristiio 
da santidade e do martirio de certas persona- 
gens de Michael Reinhold Lenz (1751-1792). 
d) 0 sentimento pitrio se expressa no 
odio ao tirano, na exaltaqiio da liberdade 
e no desejo de infringir conven~6es e leis 
externas. 
Caspar David Friedrich ( 1 774-1 840), "Abadia no hosque de carualhos" 
(Berlim, Staatliche Schliisser und Garten). 
Este quadro apresenta bem o clinza esprritual do ron~antisnm 
em seus aspectos de sentimento de "p2nico" da natureza, 
predile@o pelas tonalidades crepusculares e noturnas, senso do nzisterio, revaloriza& da religiao. 
Capitdo primeiro - Ggnese e caracter;st~cas essenc~ais do romantismo 5 
Caspar David Friedrich, "Um homem e uma mulher diante da lua" (Berlim, Staatliche Museen). 
Este quadro exprime certo clinra intelectual e certa atmosfera espirrtual do ronzantisnto 
(em clara antitese corn o Iluminismo), que trazenz em printeiro plano 
os misteriosos encantamentos das sonzbras noturnas, com suas evoca@es 
e com a inspiradora atmosfera "lunar", juntamente conz a nostalgia que suscita 
(recordernos os poetas Novalis e Holderlin). 0 s dois personagens que contemplam a h a , 
assim conzo Friedrich os representa, exprintem de modo uerdadeira~tente emblematico, 
como os estudiosos bent salientarant, a "romiintica fuga do espirito, para altm daquilo que vemos". 
e ) Apreciam-se os sentimentos fortes e 
as paix6es calorosas e impetuosas. 
Esse movimento foi influenciado 
por alguns poetas ingleses, como James 
Macpherson (1 736-1 796), que publicara 
Fragmentos de poesia antiga, atribuindo- 
os a Ossian, bardo antigo. Alim da poesia 
ossignica, tambim houve influencia da 
redescoberta de Shakespeare, autor sobre o 
qua1 Lessing jh chamara a atengio dos ale- 
mies. E Rousseau tambim causara grande 
impressio,