história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)


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sentido d4 tewa 
0 amor fati C aceitasso do eterno re- 
torno, C aceitagiio da vida. Mas ngo se deve 
ver nele a aceitalso do homem. A mensagem 
fundamental de Zaratustra, com efeito, esti 
em pr,egar o super-homem. 
E o homem, o homem novo, que deve 
criar um novo sentido da terra. abandonar 
as velhas cadeias e cortar os antigos troncos. 
0 homem deve inventar o homem novo, isto 
C, o super-homem, o homem que vai alkm do 
homem e que C o homem que ama a terra e 
cujos valores sHo a saude, a vontade forte, 
o amor, a embriaguez dionisiaca e um novo 
orgulho. Diz Zaratustra: "Um novo orgulho 
ensinou-me o meu Eu, e eu o ensino aos 
hornens: niio deveis mais esconder a cabega 
na areia das coisas celestes, mas mant2-la 
livremente: uma cabega terrena, que cria ela 
pr6pria o sentido da terra". 
0 super-homem substitui os velhos 
deveres pela vontade pr6pria. "0 homem 
C uma corda estendida, estendida entre o 
bruto e o super-homem, uma corda esten- 
dida sobre um abismo". Ele deve procurar 
novos valores: "0 mundo gira em torno dos 
inventores de novos valores". 
Assim como para Protigoras, tambCm 
para Nietzsche o homem deve ser a medida 
de todas as coisas, deve criar novos valores 
e p6-10s em pritica. 0 homem embrutecido 
tem a espinha curvada diante das ilus6es 
crutis do sobrenatural. 
0 super-homem "ama a vida" e "cria 
o sentido da terra", e C fie1 a isso. 
Ai esti sua vontade de poder. 
A vida C irracionalidade cruel e cega, dor e destrui@o. 
Seus dois instintos fundamentais siio 
o DIONIS~ACO: o APOL~NEO: 
imagem d a forqa instintiva e d a saude, visiio de sonho, tentativa de expressar o sentido 
embriaguez criativa e paixso sensual: das coisas com medida e moderaqHo: 
Dioniso 6 o simbolo d a humanidade Apolo i o simbolo d a humanidade que se explicita 
em figuras equilibradas e limpidas 
Dois tipos de pessimismo: 
ROMANTICO 
o pessimismo 
dos que renunciam, 
dos falidos e dos vencidos 
(como Schopenhauer 
e Wagner, 
em um primeiro tempo 
considerados por Nietzsche 
como artifices 
do renascimento 
d o dionisiaco 
na modernidade); 
TRAGIC0 
o pessimismo 
de quem aceita a vida, 
embora conhecendo 
sua dolorosa tragicidade: 
este leva adiante a bandeira 
de um novo Iluminismo 
--- - 
A moral dos escrauos 
opBe 
desde o pr~ncipio 
um &o Bquilo 
que 6 diferente de SI: 
C o ressentlmento 
contra a forsa, a salide, 
o amor pela vida 
-- 
Considerando a historia sob o perfil critic~, 
o dionisiaco e o apolineo "milagrosamente" 
se ligaram apenas na Cpoca da GrCcia prC-socratica, 
na TRAGBDIA ATICA: 
a arte trigica foi um corajoso e sublime "dizer sim i vida", 
express50 do autintico pessimismo tragic0 I 
/ Mas com S~CRATES o apoheo prevaleceu: \, 
corn a louca presungiio socritica 
de entender e dominar a vida com a razHo 
I 
I 
comeqou a verdadeira decadzncia da humanidade j 
I 0 CRISTIANISMO contribuiu 
para, posteriormente, envenenar a humanidade: 
considerou pecado todos os valores e os prazeres da terra, 
fazendo de Cristo, verdadeiro "espirito livre", 
um simbolo de ressentimento contra tudo aquilo que t! nobre 
Daqu~ a ~mposigio, sobre a moral anstocritrca dos fortes, \ 
da moral dos escrauos, legmmada pela METAF~SICA, 1 
que pretendeu dar-lhe uma presumida base "objetma", 
inventando um "mundo supenor" para reduzir 1 
, a mera aparinc~a "este mundo", o unico que exlste ) 
A decadincia da civiliza@io ocidental culmina 
com a MORTE DE DEUS, 
com a eliminag50 de todos os valores que foram 
fundamento da humanidade: evento cdsrnico 
pelo qua1 os homens $50 responsiveis, 
esta morte os liberta das cadeias daquele sobrenatural 
que eles prbprios haviam criado, 
mas os deixa sem outros pontos de referincia 
SPo trts os pontos de vista 
sobre a hist6ria: 
MONUMENTAL 
de quem procura no passado 
modelos e mestres; 
ANTIQUARIO 
de quem entende o passado 
como fundamento 
da vida presente, 
consemando seus valores 
constitutivos; 
C R ~ T I C O 
de quem olha o passado 
sob o ponto de vista 
do juiz que abate 
e condena todos 
os elementos 
que obstaculizam 
a realizaftio 
dos proprios valores 
A MORAL 
C em geral 
miquina construida 
para dominar 
os outros. 
A moral arrstocratrca 
dos fortes 
nasce de uma tr~unfal 
afirmagio de SI 
ZARATUSTRA i o profeta do amor fatt como 
ace~taqso d o eterno retorno das colsas 
Consequ6nc1a necessir~a i e transvalorrza@o de todos os valores, e anuncla 
o NIILISMO: -- 
I 
,) 
nHo h i valores absolutes, nHo h i nenhuma -- - - -- - 
- 
prov~d@nc~a , nenhuma ordem c6sm1ca: 
resta apenas o a b ~ s m o do nada (nrhd): <- - o advent0 d o APER-HOMEM, que ama a v ~ d a e cria o sen t~do da terra: 
o d ~ o n ~ s i a c o como vontade de poder 
Capitdo primeiro - i\lietzsche. Fidelidade 2( terra e transmuta~Zio de todos os valores 
17 
A sublime ilusiio metdisico 
de Socrates 
Contro Socratas, 'b mistogogo do ci&n- 
cio&quot;: a FC socr6tica em uma rozdo copoz da 
penetrar &quot;nos rnais profundos abisrnos do 
ser&quot; C &quot;urna profundo ilusdo &quot;. 
Para demonstrar tamb&m para Socrates 
a dignidade de tal posi(6o diretiva, basta 
reconhecer nele o tipo de uma Forrna de exis- 
thncia antes dele inaudita, o tipo do homarn 
teorico, do qua1 Q nossa tarafa imediata 
chegar a entender a significa~do a o objeti- 
vo. [ . . . I Lessing, o mais honesto dos homens 
teoricos, ousou declarar que a el@ importava 
mais a pesquisa do verdade do qua a propria 
verdade: com isso foi descoberto o segredo 
fundamental da cihncia, para esparto, ou me- 
Ihor, a despeito do5 ciantistas. Ora, ao lado 
desse reconhecimento isolado, como excesso 
de honestidads ou mesmo de presun@o, est6 
sem duvida uma profunda ilusdo, a qua1 veio 
pela primaira vez ao mundo na pessoa de So- 
crates - a f& inabalavel de que o pensamento, 
seguindo o fio condutor da causalidads, alcan; 
ce at& os mais profundos abismos do ser, e 
de que o pensamento esteja em grau ndo so 
de reconhecer, mas at8 de corrigir o ser. Esta 
sublime ilusdo metafisica 6 dada como instinto 
a ci&ncia e a remete sempre e sempre a seus 
limites, sobre os quais ela deve se converter 
em orta: 2, qua1 propriarnsnte sa rnira corn essa 
rnacanisrno. 
Olhemos agora Socrates, com a tocha 
desk pensamento: ele nos aparece como o 
primeiro, que soube com a guia do instinto da 
ci&ncia ndo so viver, mas tambbm - e isso 6 
muito mais - morrer; e por isso a imagem do 
S6crotas rnoribundo, como do homem subtraido 
pelo saber e pelos rociocinios ao medo da mor- 
te, & o brasdo que sobre a porta de entrada da 
cihncia recorda a coda um a destina~do dela, 
ou seja, a de mostrar a existgncia inteligivel e. 
portanto, justificada: a cujo objetivo certamente. 
se os raciacinios ndo atingem, deve por Am ser- 
vir tamb8m o mito, qua eu pouco antes ddeignei 
at& como consequ&ncia necassaria, ou melhor, 
como objetivo da cihncia. 
Qusm percebe claramente, como depois 
de Socratss, o mistagogo da cihncia, as escolas 
Filosoficas se sucederam umo 6 outra como onda 
atr6s de onda; como uma universalidade jamais 
suposta da Bnsia de saber no dominio mais am- 
plo do mundo culto e como missdo verdadeira 
e propria para coda um dos melhores dotados 
levou a ci&ncia ao alto-mar, do qua1 ndo p8de 
rnais a seguir ser completamente removida; 
como por esta universalidade foi estendida pel0 
primeira vez uma rede comum do pensamento 
sobre o globo terrestre inteiro, corn perspecti- 
vas at6 sobre a Iegisla@io de um sistama solar 
todo; quem se lembra de tudo isso, juntamente 
com a pirdmida prodigiosamente alto do saber 
atual, n6o pode sa abstar de ver em Socratas 
o Onico eixo e fundamento da historia universal. 
Pois se algu6m imaginasse toda essa indeci- 
fravel soma de forc;a que Foi empregada para 
aquela tsndhncia