história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)


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teorins e expoentes 
do historicismo nlem2io 
As historias da politica e da economia, da religiao e da arte, sPculo X,X 
da filosofia e da filologia t@m no seculo XIX alemao, chamado aIem,-o: 
o "s6culo da hist6riaU, seu seculo de ouro. Aqui bastari relem- -, spculo 
brar apenas os nomes de Barthold Niebuhr (1776-1831), Leopold da histdria" 
Ranke (1795-1886), Gustav Droysen (1808-1884), Eduard Zeller + g i (1814-1 9O8), Theodor Mommsen (181 7-1 9O3), Jakob Burckhardt 
(1818-1897) e de Karl Julius Beloch (1854-1 929). 
Pois bem, diante deste desenvolvimento portentoso de G@nese 
saber hist6rico constitui-se o diversificado movimento filosofico , expoentes 
conhecido sob o nome de historicismo, cuja inten@o de fundo do historicism0 
consiste na pesquisa - de tip0 substancialmente kantiano - das alernso 
condiq6es de possibilidade, isto 6, de autonomia e de validade + 3 2 
cognitiva das ciCncias historicas. Que tip0 de saber e o historico? 
Qua16 seu metodo? Estes s%o nao so alguns dos problemas enfrentados pelos his- 
toricistas alemaes (Dilthey, Simmel, Weber etc.) ou por fil6sofos muito pr6ximos a 
eles como os neokantianos Windelband e Rickert. Outras questdes se referirao A 
concep@io das civiliza$des (Spengler) e A corrida a reparos para conter o relativismo 
transbordante (Troeltsch e Meinecke). 
Tra~os essenciais do historicismo alemao silo: 
a) a ideia de que a historia e obra dos homens, de suas a~des e rela~bes si- 
tuadas em contextos precisos, e nao o resultado de leis inelutaveis; 
b) com os positivistas os historicistas t@m em comum a exigencia de que a 
pesquisa verse sobre fatos empiricos concretos; 
c) os historicistas estendem a critica kantiana ("corno e possi- perspectivas 
vel a ciencia?") para alem das cisncias fisico-naturais, isto 6, para tedricas 
as ciCncias hist6rico-sociais; do historicismo 
d) para os historicistas o pesquisador nao e o sujeito trans- alemso 
cendental corn categorias a priori, fixadas para a eternidade, mas + 5 3 
6 um homem concreto, historicamente condicionado. 
34 Primeira parte - A filosofia do s&c& XJF ao s e ~ e l o XX 
0 s gvandes histoviadores 
e as grandes obvas 
histbricas do s k c ~ l o )<J)< 
0 sCculo XIX foi o s,iculo dos grandes 
historiadores alemies. E util lembrar os 
nomes mais significativos. 
1) Barthold Niebuhr (1776-1831) es- 
creveu uma famosa Histdria romana. 
2) Leopold Ranke (1795-1886) foi au- 
tor de uma Histdria dos papas nos se'culos 
XVI e XVII e de uma Histdria da Alemanha 
nos tempos da Reforma. 
3) Gustav Droysen (1808-1884), autor 
de uma Histdria do helenismo. 
4) Eduard Zeller (1814-1908), cuja 
Filosofia dos gregos e m seu desenvolvimento 
histdrico continua ainda hoje, ao menos sob 
alguns aspectos, um ponto de refertncia. 
5) Theodor Mommsen (1 8 1 7-l903), 
autor de monumental Histdria romana. 
6) Jakob Burckardt (1 8 18-1 897) escre- 
veu a obra justamente famosa A civiliza@o 
da Renascen~a na Italia. 
7) Karl Julius Beloch (1854-1929) es- 
creveu uma importante Histdria grega. 
As historias da politica e da econo- 
mia, da religiiio e da arte, da filosofia e da 
filologia encontram no sCculo XIX alemiio 
seu siculo de ouro, que foi chamado de &quot;o 
siculo da historia&quot;. Erwin Rohde (1845- 
1898) e Ulrich Wilamowitz-Mollendorff 
(1 848-193 I ) , dois grandes filologos, foram 
protagonistas de um debate sobre as teorias 
que Nietzsche havia proposto a proposito 
do mundo grego. 
N i o devemos esquecer que C nesse pe- 
riodo que se realiza o paciente trabalho de 
coleta sistematica e recuperaqio dos textos 
literarios e papiricos relativos aos epicuris- 
tas (Hermann Usener), aos estoicos (Hans 
von Arnim) e aos prC-socrhticos (Hermann 
Diels). 
0 sCculo XIX tambCm assistiu a um 
portentoso desenvolvimento da lingiiistica 
historica e da lingiiistica comparada (fala- 
mos de Franz Bopp e de Jacob Grimm). 
AlCm disso, foi intenso o interesse pela 
historia do direito na &quot;escola historica&quot; de 
Karl Friedrich von Savigny (1779-1861), 
que quis mostrar como as instituiq6es ju- 
ridicas n io s io fixadas para a eternidade, 
e sim produtos de processos evolutivos 
de seu sentido da tradiqiio, de seu culto 
~ e l a conscitncia coletiva dos povos, de sua 
tentativa de reviver o passado em sua pro- 
pria posiqio hist6rica. E, por outro lado, 
justamente com a abstraqio de sua filosofia 
da historia, Hegel ensinara a ver a historia 
nio como um amontoado de fatos separados 
uns dos outros, e sim como totalidade em 
desenvolvimento diaktico. E isso constitui 
urn de seus contributos mais importantes. 
0 nascimento 
do histovicismo 
Com base nesses elementos, niio C difi- 
cil compreender a gtnese e o desenvolvimen- 
to do movimento filos6fico conhecido com o 
nome de historicismo e cujos representantes 
mais conhecidos, alCm de Max Weber (do 
quai falaremos A parte, dada a relevsncia, a 
complexidade e a valida e grande influtncia 
de sua obra), s io Wilhelm Dilthey (1833- 
1911), Georg Simmel(1858-1918), Oswald 
Spengler (1880-1936), Ernst Troeltsch 
(1 865-1923) e Friedrich Meinecke (1 862- 
1954). A esses, costuma-se acrescentar os 
nomes de Wilhelm Windelband (1 848-1913) 
e de Heinrich Rickert (1863-1936), que es- 
frequentemente n io programados. 
Nesse interesse pela historia certamente Retvnto de Bnvthold G. Nieb~rhv, 
descobre-se a influtncia do romantismo, uutov de zrttza conhecidissirna Hist6ria. humana. 
Capitulo terceiro - 0 historicismo aleunzo, de Wilhelm DiltheZ, a Melnecke 3 5 
tiio ligados mais propriamente a &quot;filosofia 
dos valores&quot; dentro do neocriticismo, mas 
dos quais nHo se pode deixar de falar, por 
raz6es que explicitaremos, em uma exposi- 
$50 sobre o historicismo. 
0 historicismo surge nos ultimos dois 
dectnios do sCculo XIX e se desenvolve at6 
a vigilia da Segunda Guerra Mundial. 
Jdkias e problewcls 
fundawentais do histoviciswo 
0 historicismo alemiio niio C urna filosofia 
compacta. Entretanto, entre suas varias ex- 
pressces, C possivel detectar certo &quot;ar de 
familia&quot;, identificavel nos seguintes pontos: 
1) Como diz Meinecke. &quot;o ~rimeiro 
principio do historicismo consiste em subs- 
tituir a consideraqiio generalizante e abstrata 
das forqas hist6rico-humanas pela conside- 
raqiio de seu carater individual&quot;. 
2) Para o historicismo, a hist6ria niio C 
a realizaqiio de um principio espiritual infi- 
nit0 (Hegel) ou, como queriam os rominti- 
cos, uma sCrie de manifestaq6es individuais 
da aqiio do &quot;espirito do mundo&quot; que se 
encarna em cada &quot;espirito dos povos&quot;. Para 
os historicistas alemiies contem~orineos. a 
histdria e' obra dos homens, ou ieja, de sias 
relaq6es reciprocas, condicionadas pela sua 
pertenqa a um process0 temporal. 
3) Do ~ositivismo. os historicistas 
rejeita* a filkofia comtiana da hist6ria e a 
pretensiio de reduzir as citncias hist6ricas 
ao modelo das ciCncias naturais, apesar de 
os historicistas concordarem com os positi- 
vistas na exigtncia de pesquisa concreta dos 
fatos empiricos. 
4) Com o neocriticismo, os historicis- 
tas vtem a funqiio da filosofia como funqiio 
critica, voltada para a determinaqiio das 
condiq6es de possibilidade, isto C, o funda- 
mento, do conhecimento e das atividades 
humanas. 0 historicismo estende o imbito 
da critica kantiana a todo aquele conjunto 
de citncias que Kant niio cons?dera, ou seja, 
as citncias hist6rico-sociais. E por isso que 
uma exposiqiio sobre o historicismo niio 
pode excluir Windelband e Rickert, ou seja, 
os neocriticistas, que haviam proposto a si 
mesmos e nos mesmos termos o problema 
das ci+ias hist6rico-sociais. 
5 ) E fundamental para o historicismo 
a distinqiio entre histdria e natureza, como 
tambtm o 6 o pressuposto de que os objetos 
do conhecimento hist6rico siio especificos, 
no sentido de serem diferentes dos objetos 
do conhecimento