história da filosofia - volume 6 (giovanni reale - dario antiseri)

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est6 em todo lugar ligada no entender 
ao Erlsbsn, em que a unidade da vida se d6 
a propria forma e pode ser distinta de todas 
as outras. R partir do momento que aqui se 
encontra o dado das ci&ncias do espirito, veri- 
fica-se tambbm que tudo aquilo que & est6vel 
e estranho, em relacdo 6s imagens do mundo 
fisico, deva ser pensado corno algo de dado 
nesse carnpo. Todo o dado aqui brotou fora e, 
portanto, 6 historico; & entendido e, portanto, 
contQrn em si um elemento cornurn; 6 conhecido 
enquanto 6 entendido, e conthm em si uma 
reunido do mirltiplo, pois j6 a interpretqbo 
do manifesta<6o do vida no entender superior 
apoia-se sobre ele. TornbQrn o procedimento 
de classifica<bo de tais manifesta<6es est6, 
portanto, j6 encerrado dentro dos dados das 
ci&ncias do espirito. 
E aqui se completa o conceito clos ci&ncias 
do sspirito. Seu 6mbito estende-sa corno o 
entender, e o entender tsm seu objeto unitbrio 
na objetivq60 da vida. Rssim, o conceito de 
disciplina espiritual 6 deterrninado, conforme 
o 6mbito dos fenBmenos que caem sob ela, 
por meio da objetiva<do da vida no mundo 
externo. Rpenas aquilo qua o espirito criou, 
ele o entende. A natureza, isto 6 , o objeto 
do conhecirnento natural, encarra a realidade 
produzida independenternente da atlvidade do 
espirito. Tudo aquilo em que o hornern, operan- 
do, imprimiu sua rnarca, constitu~ o objeto das 
cihcias do espirto. 
E tambQm a expressdo &quot;ci&ncia do espirito&quot; 
recebe neste ponto sua justificagio. Estamos no 
discurso passado do espirito das leis, do direito, 
do constitui<do: agora podernos dizsr que tudo 
oquilo srn qus o sspirito se objstivou entra no 
Bmbito das ci&ncios do sspirito. 
UJ. Dilthey. 
R constru@o do mundo histonco 
nas ci&ncias do ~spi'rito, 
em Cri'ticc, do razBo historica. 
R divisdo dos ci&ncios, corn boss no di- 
versldode dos objstos pesquisodos, em ci&n- 
cios ch naturezo e ci&ncias do espirito ndo sa 
rnanthm. R psicologio B ci&ncio do naturszo 
ou ci&ncia do sspirito? Fundock e vdlido 
6, oo contrdno, o divisdo das c~&ncios corn 
boss mstodologica srn ci&ncias nomotGticas 
e ci&ncios idiogr6ficas: &quot;umos sdo ci&ncios 
do lei, os outros ci&ncios do ocontscirnento; 
oqualos ensinorn oquilo qus sernprs existe, 
estos oquilo qus urno vsz sxistiu. 
Quanto b divisdo destas disciplinas diri- 
gidas ao conhecirnento do real, hoje & familiar 
a todos a distinsdo entre cihncias naturais e 
ci&ncias do espirito: eu ndo a considero, nesta 
forma, feliz. Natureza e espirito & uma antitese 
objetiva que prevaleceu no ocaso do pensa- 
mento antigo e nos primordios do medieval, e 
que em toda a sua aspereza foi conservada na 
metafisica recente desde Descartes e Spinoza 
at& Schall~ng e Hegel. Por&m, se interpret0 
justamante a atitude da filosofia rnoderna e as 
consequ&ncias da critica teorica, esta separa- 
<do, ernbora tendo permanecido no modo geral 
de pensar e de se sxprirnir, n6o seria agora 
mais admitida com tdo tranquila seguran<a de 
modo a poder constituir sern mais a base de 
uma classificagbo. RIQm &so, a esta antitese 
Capitdo terceiro - O historicismo alemiio, de Wilhelm DiltheZl a Mei~ecke 
dos objetos ndo corresponds uma igual antitese 
dos modos do conhecimento. 
Com efeito, tambBm Locke Ievou o dua- 
lismo cartesiono para a formula subjetiva que 
contrapde a percep~do externa 2, psrcepGdo 
interior - sensotion e rhFlection - como dois 
orgdos distintos para o conhecimento, de um 
lado do mundo fisico exterior, da natureza, do 
outro do mundo interno do espirito; ora, a critica 
do conhecimento faz vacilar temerosamente 
esta concep(do e pde em duvida que se possa 
admitir uma &quot;percep<do interna&quot; como modo 
de conhecimento particular, e muito menos que 
unicamente sobre ela se fundem as assim cha- 
madas ci&ncias do espirito. Mas a incongru&ncia 
da divisdo objetiva e formal Q evidente, prin- 
cipalmente por outro motivo. Rcontece, com 
efeito, que uma ci&ncia empirica de primeiro 
plano, como a psicologia, ndo possa ser ligada 
nem bs ci6ncias da natureza nem 6s ci6ncias do 
espirito: em relasdo a seu objeto deveria ser 
caracterizada apenas como cihcia do espirito, 
e em certo sentido rnuito mais como a base de 
todas as outras, enquanto, ao contrario, seu 
procedimento e mdtodo inteiro 6 de cima a 
baixo o proprio das ci6ncias naturois. Por isso 
a psicologia foi chamada de &quot;ci&ncia natural do 
sentimento intarno&quot;, ou at& &quot;cihncia natural do 
espirito&quot;. [. . .] 
Por outro lado, a maioria das doutrinas 
empiricas que amda sdo definidas como ci&n- 
cias do espirito tends decisivamente a poder 
descrever de modo verdadeiramente completo 
e exaustivo urn acontecimento, mais ou menos 
extenso, da realidade particular limitada no 
tempo. Tambbm aqui os objetos e os artifi- 
cios particulares usados para assegurar sua 
cornpreensdo sdo extremamente mljltiplos. 
Tr~ta-se ou de um acontecimento singular ou de 
uma s&rie de acdes e de vicissitudes, da indole 
a da vida de um homem individual ou de todo 
um povo, das caracteristicas e do desenvolvi- 
mento de uma lingua, de uma religido, de um 
direito, de um produto do literatura, da arte ou 
da ci&ncia, e coda urn desks objetos requer 
uma trataQ3o correspondente b propria indole. 
Mas o fim cientifico & sempre o de reproduzir 
e de entender em sua propria realidade um 
fen6rneno da vida humana que se apresentou 
exatamente corn fisionomia Onica. 
Rgora nos encontramos, portanto, diante 
do problerna de construir uma subdivisdo das 
ci6ncias empiricas purarnente metodologica 
sobre concei tos Iogicos certos. Principio da 
subdivisdo B o carater Formal de seus fins cienti- 
ficos: urnas procuram leis gerais; as outras, fatos 
historicos particulares. Para usar a linguagem da 
logica formal: a mata de urnas 6 o juizo geral 
apoditico; a das outras, a proposi(do geral 
assertiva. [. . .] 
Rssim podemos d~zer: as ci&ncias empi- 
ricas procuram no conhecimento do real ou o 
geral na Forma da lei de natureza, ou o particular 
em sua figura historicamente determinada; ora 
consideram a forma estdvel, ora o conteudo par- 
ticular, determinado ern si mesmo, do acontscsr 
real. Umas sdo ciencias da lei, as outras 560 
cihcias do acontecimsnto; aquelas ensinam o 
que sempre existe, estas aquilo que uma vez 
existiu. 0 pensamento cientifico B - se posso 
compor uma expressdo nova - no primeiro caso 
nomothtico; no segundo, idiogrdfico. Se prsfsrir- 
mos, ao contrdrio, sewirmo-nos de expressdas 
familiares, podemos falar do contraste entre 
as ci&nc~as naturais e as disciplinas historicas, 
porbm sempre tendo presente qua se classifi- 
ca a psicologia, sempre do ponto de vista do 
mBtodo, sem nenhuma dljvida entre as ci&ncias 
naturais. 
Mas o contrasts metodol6gico define 
apenas a trata<do e ndo o conteudo do saber. 
Permaneco possivel, ou acontece efetivamente, 
que as mesmos coisas possam ser objsto ds 
uma pesquisa nomotBtica s ao mesmo tempo 
tambBrn de uma pesquisa idiogrdfica. lsso se 
verifica porque o contrasts antre o imutdvel e 
o particular &, em certo sentido, relativo. Aquilo 
que por longo espaGo de tempo ndo sofre 
nenhuma mudan~a imediatamsnte sensivsl, 
e pode por isso ser tratado nornoteticamante 
por suas formas invariaveis, a um olhar mais 
circular pode parecer vdlido apenas por um 
period0 de tempo limitado, pode paracer a190 
de particular. Rssim, urna lingua segue sernprs 
em todas as suas estruturas as proprias leis 
formais que, embora os termos possam mudar, 
permanecem as mesmas, mas de outro lado 
esta mesma lingua toda particular, com seu 
sistema de leis formais igualmente particular, 
& tambhm apenas um fen6meno particular, um 
FenGmeno passageiro na historia das linguas 
humanas. A mesma coisa se pode dizer da 
fisiologia, do gsologia, em certo sentido at6 
da astronornia. E eis entZlo qua o principio 
historic0 se introduz